Jucá pediu que irmão continuasse na Conab após pagamento irregular, diz ministro
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Jucá pediu que irmão continuasse na Conab após pagamento irregular, diz ministro

Lilian Venturini

03 de agosto de 2011 | 12h47

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu que o irmão, Oscar Jucá Neto, continuasse na Companhia Nacional de Abastecimento mesmo depois de ter feito um pagamento irregular de R$ 8 milhões. A declaração foi feita durante seu depoimento à Comissão de Agricultura da Câmara, nesta quarta-feira, 3, para dar explicações sobre as denúncias de corrupção na pasta feitas por Jucá Neto.

De acordo com o ministro, quando se tomou conhecimento da ação de Oscar Jucá Neto ordenando um pagamento irregular dez dias após assumir o cargo de diretor financeiro da Conab o líder do governo no Senado lhe pediu para tentar manter o irmão pelo menos acomodado como assessor da companhia, cargo que ele já tinha ocupado antes.

Rossi disse que tinha concordado com o senador e que na primeira conversa com Oscar Jucá Neto levantou esta possibilidade. Segundo o ministro, porém, a evolução do caso tornou insustentável a manutenção do irmão de Jucá na Conab. “No início, quando pensávamos que poderia ter acontecido essa falha dele por um equívoco o senador Jucá, com a maior deferência em relação a mim, pediu que se tivesse condições, que se ele (Oscar) não fosse adequado à diretoria pudesse retorná-lo a um emprego de assessoria. Eu disse, só na primeira reunião, que eu ia tentar possibilidade dele voltar a ser assessor, mas quando dados completos chegaram a nós não teve como”, disse Rossi.

O ministro negou que tenha oferecido vantagens a Oscar Jucá Neto para que ele não fizesse denúncias. “Todas as outras afirmações dele foram aleivosas, foram mentirosas”. No início de seu depoimento, o ministro afirmou que Jucá Neto foi “defenestrado” da companhia.

Rossi disse ter elementos para processar o irmão de Jucá, mas disse ainda não ter se decidido sobre se levará o caso adiante. “Tenho todos os elementos para poder processá-lo, mas a inconstância dele me dá menos raiva e mais um sentimento de que a punição está bem, mas vou avaliar”.

Oposição light. O depoimento, que já dura duas horas, corre em clima de tranquilidade. Mesmo parlamentares da oposição têm poupado Rossi e centrado fogo na atuação de Oscar Jucá Neto. Como a bancada ruralista é favorável a Rossi, deputados de PSDB, DEM e PPS têm feito uma abordagem suave sobre o tema.

O líder do DEM, ACM Neto, por exemplo, criticou apenas a indicação de Oscar Jucá Neto e tentou colocar a culpa na presidente Dilma Rousseff por ter aceitado nomear o irmão do líder do governo. “A responsabilidade é dela, ela nomeou seus ministros, deu posse, autorizou nomeação de todos os diretores, o governo é dela, a responsabilidade é dela, a lógica é a do PT de governar, esse governo já está marcado pela corrupção”. ACM Neto defendeu a abertura de uma CPI para investigar “todas as denúncias de corrupção” no governo.

O tom dócil da oposição em relação a Rossi vem sendo comemorado pelos aliados. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), destacou que a próprio oposição tem isentado Rossi de qualquer culpa no caso. O líder do PT, Paulo Teixeira (SP), preferiu fazer ataques a outros partidos e lembrou que a origem do DEM é de uma dissidência da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar. Curiosamente, foi o próprio Rossi quem defendeu o partido da oposição dizendo que o DEM é aliado em questões ligadas à agricultura.

 

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