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Equipe econômica de Dilma Rousseff adota discurso de austeridade fiscal

Camila Tuchlinski

24 de novembro de 2010 | 16h28

Carol Pires

Atualizada às 17h08

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que permanecerá no cargo no governo de Dilma Rousseff, afirmou há pouco que o objetivo do novo governo é que a dívida pública brasileira atinja 30% do PIB até 2014. “Hoje está em 41% do PIB. Já foi mais alta”, disse durante o primeiro pronunciamento após ter seu nome confirmado por José Eduardo Martins Cardozo, que trabalha na equipe de transição do governo. Futura ministra do Planejamento, Miriam Belchior confirmou que a gerência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caberá à pasta, a partir do próximo ano. Alexandre Tombini, indicado para a presidência do Banco Central (BC), disse que o País “tem reduzido sua vulnerabilidade externa”.

Guido Mantega

Mantega disse, nesta quarta-feira, que, a partir de 2011, o governo fará “contenção de despesas” para aumentar a poupança pública e os recursos para investimento. “É o momento de reduzir os gastos do governo. Agora que a economia está equilibrada, precisamos reduzir os gastos”, disse.

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“Objetivo do novo governo é que a dívida pública brasileira atinja 30% do PIB até 2014”, disse Mantega. Foto: Dida Sampaio/AE

“Portanto, 2011 será o ano de consolidação fiscal, com contenção de despesas de custeio para aumentar a poupança pública e o investimento”, completou. Segundo Mantega, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, por exemplo, receberá menos recursos do Tesouro. “Abrindo espaço para o setor privado fazer empréstimos de longo prazo”, explicou.

O ministro informou que o País fechará o ano com crescimento de 7,5%, e que a meta dos próximos anos é manter  a taxa de crescimento do País na média de 5%. “Queremos um crescimento de qualidade, fortalecendo o mercado interno, de modo a gerarmos milhões de novos empregos. Essa é umas prioridades máximas da política econômica, a geração de empregos”, afirmou.

Miriam Belchior

Indicada ministra do Planejamento pela presidente eleita Dilma Rousseff, a atual coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, disse, nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que trabalhará, a partir de 2011,  para “modernizar” a administração pública federal para deixá-la “mais eficiente, mais focada para  o resultado, e para o atendimento ao cidadão”.

Belchior citou ações tomadas no governo do presidente Lula como exemplos que ela considera bem-sucedidos e dignos de serem ampliados para outros setores do governo. Os exemplos foram a eliminação das filas no INSS, a unificação das Receitas Federal e Previdenciária, e a implantação de licitações eletrônicas. “Saímos de 17% no inicio do governo Lula e hoje temos 80% das compras do governo federal feitas por meio eletrônico. Significa redução dos gastos públicos. Isso é que queremos continuar perseguindo no governo da presidente Dilma Rouseff”, disse Belchior.

Miriam Belchior ressaltou que projetos como os citados dependem de emprenho  de vários ministérios. “Estamos nos colocando essa tarefa para darmos um passo na melhoria do atendimento ao cidadão”. Ela citou ainda a importância de aumentar o número de ouvidorias para identificar os focos de problema no atendimento ao cidadão para que sejam corrigidos.

Miriam Belchior confirmou que a gerência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caberá, a partir do próximo ano, ao ministério do Planejamento. Hoje, ela é coordenadora do PAC, que ainda é executado a partir da Casa Civil.

A ministra indicada adiantou ainda que algumas ações intersetoriais, hoje sob responsabilidade da Casa Civil, também migrarão para a pasta dela. Ela disse que ainda não conversou com o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre as estruturas da Pasta, e disse que está ocupada com um balanço sobre o PAC 1 a ser divulgado no início de dezembro.

Alexandre Tombini

Ao tomar a palavra, Tombini disse que “é uma grande satisfação pessoal ter sido escolhido pela presidente Dilma” e que “serão tomadas medidas nos próximos dias”. Ele afirmou que o regime de metas tem regras do jogo bem definidas e que é preciso transparência para coordenar as expectativas. O futuro presidente do BC garantiu que trabalhará com “autonomia operacional total”, agradeceu a confiança de Henrique Meirelles e disse que o País “tem reduzido sua vulnerabilidade externa”.

Colaborou Rodrigo Alvares

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