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Jornalistas discutem novas mídias em seminário da TV Cultura

Jennifer Gonzales

25 de novembro de 2010 | 19h28

Fonte: TV Cultura

O segundo debate do Seminário Cultura Liberdade de Imprensa levantou questões fundamentais sobre o tema novas mídias e a liberdade de imprensa. A mediadora Maria Cristina Poli iniciou a conversa ressaltando a importância do assunto na sociedade atual e a necessidade de um olhar para o futuro, levando em consideração os milhões de usuários de internet e a rapidez com a qual as informações circulam pela rede.

Dentro desse contexto, Poli deixou a pergunta “É possível um controle?”. O debate seguiu com as falas dos convidados: o jornalista do Terra Magazine, Bob Fernandes; o diretor de jornalismo do IG, Luciano Suassuna; e o jornalista, professor e consultor em novas mídias, Caio Túlio Costa.

Luciano Suassuna começou a palestra apresentando infográficos elaborados pelo portal IG e que fazem uma comparação entre os meios de comunicação tradicionais (televisão e impresso) e os portais de internet. Os dados mostram a ascensão da internet não só no Brasil, mas no mundo, e como esse fenômeno tem causado mudanças na forma de se fazer e consumir notícias. “Nos portais, o internauta pode ser o repórter, editor e crítico. E o espaço ilimitado permite que ele hierarquize a informação de acordo com o seu interesse”, afirmou Suassuna. Para enfatizar as diferenças entre a “velha” mídia e a “nova” mídia, o diretor de jornalismo do IG destacou que na internet é possível disponibilizar um maior número de fotos, reportagens, vídeos, e, além disso, uma quantidade mais significativa de manchetes e variadas abordagens de um mesmo tema no decorrer do dia.

O jornalista Caio Túlio Costa deu sequência ao debate afirmando que a questão mais ampla em relação ao tema novas mídias e a liberdade de imprensa é o problema do desejo de controle, que parte tanto do governo quanto da sociedade. Costa afirmou ser impossível controlar o conteúdo disponibilizado na rede. “Hoje, estudante, blogueiro e sindicalista têm poder de mídia. Pode não ter eficácia, mas tem poder”.

Já o jornalista Bob Fernandes destacou que a questão mais relevante para se discutir é a intervenção dos interesses políticos nas empresas de comunicação. A grande censura em relação à imprensa na opinião do jornalista é a patronal, feita pelos donos dos veículos de comunicação do país. “A sociedade se nega a discutir isso, mas não vamos ser hipócritas”, declarou. Fernandes lembrou a existência de regulamentações em vários países do mundo e que elas não podem ser confundidas com censura. O jornalista também acredita na impossibilidade de controlar as novas mídias.

No final do debate foram abordados os temas: a ética nas novas mídias, como os blogueiros podem se defender dos ataques de grandes grupos midiáticos, a reação da sociedade em relação aos conteúdos publicados na rede e a liberdade de expressão na internet, que, segundo Costa, não é ilusória.

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