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Ida de Mercadante para Casa Civil esvazia papel de Ideli

Lilian Venturini

22 Janeiro 2014 | 12h42

Ricardo Brito e Daiene Cardoso

Brasília – A ida do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para o comando da Casa Civil deve esvaziar, ainda mais, as funções da ministra Ideli Salvatti como articuladora política do governo Dilma Rousseff. Ideli tem passado ao largo das discussões da reforma ministerial e da montagem das alianças regionais, das quais Mercadante é presença constante.

O governo também não tem uma agenda importante de pautas no Congresso até o meio do ano, quando começa a campanha eleitoral e as votações serão praticamente interrompidas. “A Ideli já acabou”, afirmou reservadamente um cacique peemedebista do Senado.

A ministra das Relações Institucionais está com o futuro político indefinido. Ela tem três caminhos a seguir. O primeiro é se candidatar ao Senado por Santa Catarina, embora o grupo político dela tenha perdido a eleição para comandar o diretório do PT estadual. Outra opção é concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, o que seria uma espécie de rebaixamento para quem já foi senadora entre 2003 e 2011. Essas duas opções têm de ser tomadas até abril, prazo previsto em lei para que ministros deixem o governo a fim de disputar votos em outubro.

A terceira opção é continuar onde está, caso a presidente Dilma Rousseff a convide para “sacrifício” permanecendo no governo se Dilma for reeleita. Essa é a solução que Dilma escolheu para o próprio Mercadante, que, ao contrário de Ideli, deverá ter um papel de destaque no governo e na campanha presidencial. “Onde estará Ideli? Candidata ao Senado, à Câmara? Fica ministra? Onde?”, comentou o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), dando o tom da indefinição sobre o futuro de Ideli na Esplanada.

Com os senadores da base aliada, Mercadante mantém contato constante. O ministro tem participado de encontros com o presidente da Casa, Renan Calheiros, e líderes partidários e discutido projetos, como o Plano Nacional de Educação, desmarcando compromissos no próprio ministério.

“Certamente Mercadante, como (Antonio) Palocci, teria uma interlocução maior com seus companheiros de Parlamento”, concluiu Alves. O presidente da Câmara deixa claro a sombra que o ministro poderá produzir sobre a ministra responsável pela articulação política. “Mercadante chegará forte por toda sua história e consistência. Tomara que tenha a humildade que o cargo também exige. O ano será difícil, de muitas tensões”, emendou.

Ao longo do ano passado, Ideli Salvatti bateu ponto na Câmara e no Senado para conversar com líderes da base sobre vários projetos de interesse do governo Dilma, como na votação da Medida Provisória que instituiu o novo marco regulatório para os portos. Mas, nos projetos mais sensíveis, eram os ministros das respectivas áreas técnicas que davam o aval para as negociações – no caso da MP dos Portos, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que está de saída da pasta para concorrer ao governo do Paraná.

“Ideli tem um papel de articulação, até sacrificado pelos limites impostos. Antes ela iria sair para disputar. Vamos esperar”, afirmou Alves.