Candidatura de Haddad conquista apoio da maioria dos vereadores do PT em SP
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Candidatura de Haddad conquista apoio da maioria dos vereadores do PT em SP

Redação

30 Setembro 2011 | 20h54

Daiene Cardoso, de Agência Estado

O ministro da Educação, Fernando Haddad, um dos pré-candidatos do PT à Prefeitura de São Paulo, ganhou nesta sexta-feira, 30, o apoio de integrantes da corrente Novo Rumo, grupo que tem a maioria dos representantes no Diretório Municipal da legenda. Com isso, o candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a ter o apoio oficial de sete dos 11 vereadores do partido na Câmara Municipal de São Paulo e aproximadamente 60% dos membros do Diretório Municipal – incluindo as correntes Mensagem ao Partido e Construindo um Novo Brasil (CNB).

Haddad foi recebido num salão lotado do Diretório Municipal do partido, no centro da capital paulista, e tirou muitas fotos com os militantes. Ele recebeu nesta sexta o apoio dos vereadores José Américo, Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso. Também participaram do evento o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e os deputados federais Vicente Cândido e Devanir Ribeiro. “Você será a grata surpresa para o nosso município”, afirmou Ribeiro. “Nós demoramos muito para nos decidir, mas tomamos uma decisão amadurecida”, disse Américo.

Em discursos, os aliados de Haddad destacaram a capacidade de aglutinação e diálogo do ministro como diferenciais. “Nenhuma candidatura pode prescindir a Marta (Suplicy), mas o Haddad agrega mais forças. Hoje a movimentação dentro do PT mostra que ele tem mais chances de nos levar à vitória”, justificou o vereador Ítalo Cardoso.

Em sua declaração de apoio ao ministro, a vereadora Juliana Cardoso falou em seu nome e em nome do deputado estadual Adriano Diogo. “Depois de oito anos de Serra e Kassab, ninguém merece tanto castigo. A cidade apresenta suas marcas de tortura, suas sequelas, seus traumatismos profundos. A eleição de 2012 será nossa Comissão da Verdade. Os coronéis voltaram, e todo o tipo de maldade, com distinção de classes, foi feita contra um povo, principalmente contra os mais frágeis. Cidade Limpa! Limpa sim, de pobres, de pretos e de periféricos, cidade higienizada, cidade ariana”, disse Juliana, ao ler uma carta de apoio a Haddad, arrancando aplausos da plateia.

Para os petistas, a pré-candidatura de Haddad ganha força dentro da militância do partido, uma vez que o ministro tem participado das caravanas do PT nos bairros e tem se aproximado dos militantes. Segundo Haddad, ele tem participado das plenárias do partido às sextas-feiras, sábados e domingos. Até agora foram realizados 18 dos 35 encontros realizados pelo Diretório Municipal.

“Qualquer um aqui é escolhido pela militância do PT. Você (Haddad) é o candidato do Lula e da Dilma sim, mas é o candidato das bases do partido. No processo de debate interno, você tem convencido que você é o melhor candidato”, disse o vereador Chico Macena, que pertence à corrente Construindo um Novo Brasil, mas foi um dos petistas que trabalhou para atrair o apoio do Novo Rumo ao ministro.

“No início, muita gente achava ‘ih, esse não vai chegar a lugar algum’. Mas quando começamos a conhecê-lo de perto, começamos a analisar que o Lula está com a razão”, emendou o suplente de vereador Paulo Reis. Ele acrescentou que, em 2010, Lula indicou a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e que muitos petistas achavam que ela não tinha viabilidade eleitoral. Agora, de acordo com Reis, Lula acerta ao apontar para um candidato que simboliza a renovação. “Mais uma vez o Lula está com a razão”, afirmou.

Para Haddad, independentemente da discussão sobre a realização de prévias, os militantes precisam buscar a união do partido em 2012. Em seu discurso, ele afirmou que Marta foi a melhor prefeita que São Paulo já teve e ressaltou que pretende trabalhar por qualquer candidato que venha a ser escolhido pela sigla. “Com prévias ou sem prévias, vamos construir a vitória do PT”, disse o ministro.

Aos jornalistas, Haddad afirmou que não trabalha hoje com a hipótese de acordo, mas sim de disputar o voto dos militantes nas prévias. “Não vejo como um problema o fato de haver prévia”, respondeu. Sobre o apoio da maioria dos vereadores e do Diretório Municipal, o ministro disse que o mais importante neste momento é manter a aproximação com a militância. Durante o discurso, Haddad pediu que os militantes se esforcem para reconquistar a administração da cidade. “É para honrar a nossa trajetória que eu vou fazer o possível e o impossível para ser um elemento de unidade pela vitória, para construir um plano de governo e para governar com o coração se eu for eleito. Temos de ganhar o coração desta cidade”, afirmou o pré-candidato.

Embora Haddad diga não temer prévia, Emídio, um dos caciques do PT no Estado, disse estar confiante num acordo que evite a eleição interna entre os senadores Marta e Eduardo Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. “Estou confiante que vamos chegar ao final deste movimento sem prévia”, disse.