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Grupo protesta no Twitter contra salário mínimo por decreto

Jennifer Gonzales

21 de fevereiro de 2011 | 17h13

Jair Stangler

Um grupo de internautas criou a hashtag #AbaixoDecreto no Twitter para protestar contra o projeto de lei que prevê a definição do salário mínimo por decreto até 2015. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados na última quarta-feira, 16, quando os deputados também aprovaram o valor de R$ 545 para o mínimo. Na próxima quarta-feira, 23, será a vez do Senado votar tanto o valor como a proposta de definição do mínimo por decreto até 2015.

De acordo com os idealizadores do #AbaixoDecreto, não se trata de um movimento partidário. “Quero esclarecer q o movimento #AbaixoDecreto não é de forma alguma partidário, somos todos cidadões (sic) que querem um brasil (sic) com #DignidadeJá”, dizia um Tweet postado na tarde desta segunda-feira, 21. Em outro tweet: “Não queremos uma ditadura, que tanto já foi criticada. Queremos ter escolha!” Em outro tweet, o #AbaixoDecreto afirma que a ideia é impedir “qualquer tentativa de avanço sobre nossa Constituição. A hashtag chegou a aparecer nos Trending Topics do Twitter.

Os participantes estão chamando para um protesto no dia 26 de fevereiro, às 9h, que deverá acontecer simultaneamente em São Paulo, Rio, Brasília, Recife, Goiânia e Manaus. Eles também chamam para um tuitaço com as hashtags @AbaixoDecreto e #26FevDiaD marcado para iniciar às 20h da terça-feira, 22, para se estender até a quarta-feira, 23, após o final da vaotação no Congresso.

A página do Twitter do movimento anuncia ainda as adesões dos deputados Jorge Pinheiro (PRB-GO), Roberto Freire (PPS-PE) e Augusto Coutinho (DEM-PE), do ex-senador Artur Virgilio (PSDB-AM) e da senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).

Inspiração no Egito

Segundo o estudante Djean Axt Alves Ramos, 17, que criou os sites do #AbaixoDecreto na internet e é um dos organizadores do movimento, a ideia do protesto surgiu de conversas no Twitter e se inspirou nas manifestações que estão acontecendo no Oriente Médio e no norte da África.

“Acredito que depois das manifestações no Egito serem planejadas pela internet, o povo brasileiro passou a ver o Twitter mais a sério, como uma ferramenta de manifestação. O salário mínimo é o nosso foco, dai vem a tag #AbaixoDecreto, pois não concordamos com o salario mínimo ser definido por decreto, o que é inconstitucional”, explica.

Djean diz que a ideia de fixar o mínimo por decreto funciona satisfatoriamente em alguns países nórdicos, mas que o grupo entende que “nossa democracia não parece ser madura o suficiente para esse instrumento de regulação.” Ele cita ainda como argumentos contra o decreto que o atual valor não representa o mínimo necessário à subsistência dos trabalhadores. Além disso, lembra, a Constituição define que o salário mínimo é atribuição das Câmaras. Ele destaca ainda que o custo de vida do brasileiro poderá ter menor peso no cálculo do reajuste e que, em cenário de baixo crescimento do PIB, o mínimo ficaria praticamente estagnado.

Djean diz se considerar ‘de centro’ e afirma que não tem preferência por nenhum partido. “Ainda não achei um partido que me agradasse, ou melhor, que cumprisse de forma satisfatória suas ideologias”, afirma.

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