Governo comemora pesquisa e oposição aposta em desejo de mudança
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Governo comemora pesquisa e oposição aposta em desejo de mudança

Estabilidade no quadro eleitoral animou campanha de Dilma; Aécio comemorou oportunidade de segundo turno e campanha de Campos espera propaganda de rádio e TV

Redação

22 de julho de 2014 | 23h01

Vera Rosa, Tânia Monteiro, Daiene Cardoso, Ricardo Brito

Brasília – A pesquisa Ibope, contratada pelo Estado e a TV Globo, foi festejada pelo comando da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), líder na sondagem, por mostrar estabilidade do quadro eleitoral em um momento de economia estagnada. Na oposição, a pesquisa foi comemorada pelo candidato Aécio Neves (PSDB), em segundo na corrida ao Palácio do Planalto, por apontar para a realização de um segundo turno e mostrar um “sentimento de mudança”.

Terceiro colocado, Eduardo Campos (PSB) avalia que a situação deve mudar a partir do início da propaganda de rádio e TV, em meados de agosto, quando ele começará a ser mais conhecido dos eleitores. No governo, a pesquisa provocou alívio. Dois ministros disseram ao Estado que o levantamento coincide com pesquisas em poder da equipe de Dilma, mostrando estabilidade do quadro eleitoral.

O governo e o PT temiam uma queda de Dilma justamente em uma hora ruim para a economia. Não só isso não ocorreu, avalia-se no governo, como Dilma venceria Aécio Neves em eventual segundo turno.

Embora o cenário atual seja de estabilidade, a pesquisa Ibope revelou um forte desejo de mudança, que aumentou de 65% para 70%. A coordenação da campanha de Dilma aposta, porém, que a propaganda na TV, a partir de 19 de agosto, será fator importante para reverter esse quadro.

Aécio Neves comentou a pesquisa Ibope: “É mais uma pesquisa que aponta para a realização do segundo turno. E a minha percepção é de que o sentimento de mudança no Brasil é crescente”. Para ele, o desejo por transformações é “ampliado a cada dia pelos preocupantes resultados na economia e pela incapacidade do governo de dar respostas às questões fundamentais que afetam a vida do brasileiro”.

Com o maior tempo no horário eleitoral gratuito – cerca de 11 minutos por bloco -, a propaganda de Dilma vai comparar as mudanças dos 12 anos do PT no governo, incluindo a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, padrinho de Aécio. Candidato a vice na chapa tucana, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) afirmou que a indicação de um segundo turno mostra que Aécio Neves “está trabalhando com o vento a favor, tanto nas intenções de voto quanto na campanha com aliados”.

Os aliados de Eduardo Campos afirmam que a candidatura do ex-governador de Pernambuco ainda não deslanchou porque ele ainda é desconhecido de boa parte do eleitorado. “Ninguém pode crescer a galope. Ele não é conhecido como os outros e vai crescer na hora certa”, disse o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS).

Na opinião dele, sem a exposição da mídia eletrônica “é difícil ter mudanças” no cenário das pesquisas. “Quem está com a máquina é que tem que estar preocupada por estar empacada nas pesquisas”, afirmou, em referência a Dilma.

Completando a chapa do primeiro turno, o pastor Everaldo (PSC) é escolhido por 3% dos eleitores, mesmo patamar anterior. Luciana Genro (PSOL), José Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 16% e indecisos, 9%. Na pesquisa de junho, brancos e nulos eram 13% e indecisos, 8%.

Pesquisa. O levantamento mostrou que a presidente Dilma Rousseff (PT) soma 38% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, de 15 de junho, Dilma tinha 39%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, tem 22% das intenções de voto, ante 21% do levantamento anterior. O candidato do PSB, Eduardo Campos, tem 8% das intenções de voto – eram 10% na pesquisa anterior.

As oscilações estão todas dentro da margem de erro. Nas simulações de segundo turno, Dilma venceria tanto Aécio quanto Eduardo, por 8 pontos e por 12 pontos, respectivamente.

Desejo de mudança. Aumentou do desejo de mudança do eleitorado em relação à pesquisa anterior. No levantamento de maio, 65% diziam que gostariam de mudar tudo ou quase tudo no governo. Agora, os mudancistas são 70%. Eles se dividem em dois grupos: 29% gostariam que o próximo presidente mudasse totalmente o governo do País (eram 30% em maio), e outros 41% querem que o próximo governante mantenha alguns programas mas mude muita coisa – ante 35% na pesquisa anterior.

Segundo 18% dos eleitores, o próximo presidente deveria fazer poucas mudanças e manter muitas coisas – ante 21%. Para 10%, a próxima gestão deveria dar total continuidade ao atual governo. Os que queriam total continuidade eram 9% em maio.

A cúpula da campanha de Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República avaliou que o resultado da pesquisa Ibope divulgada nesta noite deve mudar a partir do início da propaganda de rádio e TV, em meados de agosto. O levantamento apontou que Campos segue em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, atrás da presidente Dilma Rousseff (38%) e do tucano Aécio Neves (22%).

Embora o candidato do PSB tenha perdido dois pontos porcentuais, o discurso no núcleo da campanha é de que a campanha mal começou, que ainda não há cobertura diária dos veículos de comunicação e que a avaliação real do cenário só poderá ser realizada depois do dia 19 de agosto, início da propaganda diária no rádio e na TV. “Estamos agora iniciando um processo, saindo de um período de Copa do Mundo e as pessoas estão começando a se ligar que haverá uma eleição nos próximos meses”, concluiu Bazileu Margarido, um dos coordenadores da campanha de Campos.

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