As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gabeira defende ‘trabalho pedagógico’ com Bolsonaro

Jennifer Gonzales

30 de março de 2011 | 13h36

Jair Stangler, do Estadão.com.br

O jornalista e blogueiro do Estadão.com.br Fernando Gabeira defendeu nesta quarta-feira, 30, um ‘trabalho pedagógico’ para o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Na noite da segunda-feira, 28, Bolsonaro apareceu no programa CQC e fez uma série de declarações polêmicas.

Veja também:

Bolsonaro diz que errou, mas que não quer voto de ignorante

Assista à entrevista polêmica de Bolsonaro ao CQC

Parlamentares ameaçam ir ao Conselho de Ética contra Bolsonaro

Ao ser questionado pela cantora Preta Gil o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, o deputado afirmou que não ensina ‘promiscuidade’ a seus filhos. Para Gabeira, que foi deputado federal entre 1994 e 2010, “um trabalho pedagógico com ele pode ser mais eficaz do que realmente puni-lo com perda de mandato”.

“Acho que dessa vez ele perdeu completamente o tom e realmente fez uma declaração racista”, diz Gabeira. “Ele agora procura mostrar que não era bem o que ele queria dizer. Porque ele foi surpreendido, segundo ele, com a imagem da Preta Gil. E achou que a Preta Gil ia perguntar se o filho dele casaria com gay, não com uma negra. Mas ele escapa de um preconceito para o outro. Na verdade, ele continua preconceituoso”, continua.

O jornalista, que atuou na luta contra a ditadura, conta que Bolsonaro sempre pedia a sua prisão quando Gabeira chegou à Câmara. “Até que um dia eu falei: ‘Ô Bolsonaro, se você vai pedir a minha prisão, me avisa antes para eu poder escapar, porque eles podem levar a sério’. Ele nunca mais pediu a minha prisão”. E completa: “Mas ele continua falando coisas que são muito desagradáveis.”

Liberdade de expressão e imunidade parlamentar

Gabeira também vê no episódio uma oportunidade para se discutir a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar. “As declarações são consideradas quase que sagradas quando se trata de um deputado. O deputado tem imunidade parlamentar e a imunidade parlamentar sempre foi defendida para a voz e o voto. A gente que usa a imunidade parlamentar até para atropelar o outro”, afirma.

“Rigorosamente a imunidade parlamentar se deve à voz e ao voto”, acrescenta Gabeira. “Nesse caso específico o que ele falou infringe a lei. Então entrou agora em um momento em que a declaração é problemática, porque ela vai contra a lei brasileira. Evidentemente que você pode dizer o que quiser, mas você não pode falar alguma coisa que a lei proíba. Na verdade, essa história do Bolsonaro pode suscitar um bom debate sobre liberdade de expressão. Quais são os limites da liberdade de expressão? Um dos limites que vem se acentuando desde a segunda guerra é o racismo. Você é livre para se exprimir como quiser, mas não é livre para se exprimir como racista”, conclui.