Fim da reeleição divide tucanos no Senado
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Fim da reeleição divide tucanos no Senado

Lilian Venturini

17 de março de 2011 | 21h10

Lilian Venturini, do estadão.com.br

A decisão de acabar com a reeleição para cargos do Executivo mostrou que o assunto não tem consenso nem entre representantes do mesmo partido. Nesta quinta-feira, 17, os tucanos Aloysio Nunes Ferreira e Aécio Neves defenderam opiniões contrárias sobre o tema, durante reunião da Comissão de Reforma Política do Senado.

O representante mineiro do PSDB no Senado se posicionou com a maioria pelo fim da reeleição e pelo mandato de cinco anos. Já o paulista Aloysio Nunes Ferreira, ao lado de Francisco Dornelles (PP-RJ), defendeu o modelo atual. Na avaliação do senador, o eleitor deve ter a opção de reconduzir o governante ao cargo por mais um mandato se estiver satisfeito com a administração.

Dentro do PSDB, o posicionamento de Aloysio não se choca somente com a opinião de Aécio Neves, mas também com a do ex-presidenciável José Serra, seu aliado. O ex-governador defendeu publicamente inúmeras vezes o fim da possibilidade de o governante ficar oito anos no poder, inclusive durante a campanha eleitoral do ano passado.

As discussões sobre a reforma política ocorrem paralelamente no Senado, na Câmara e nos partidos. Dentro do PSDB, o o projeto não divide opiniões somente sobre a duração do mandato. Na semana passada, a assessoria de imprensa do PSDB informou que a legenda vem trabalhando internamente para elaborar uma proposta consensual, mas ainda não está fechado quando será finalizada. Se a legenda seguir o cronograma do Senado, o prazo é curto. Os membros da comissão querem fechar o texto final até o início de abril.

Voto obrigatório. Na reunião desta quinta, a comissão aprovou também a manutenção do voto obrigatório, mas nesse item não houve diferenças entre Aloysio e Aécio, ambos favoráveis ao modelo. Apenas Demóstenes Torres (DEM-GO), Itamar Franco (PPS-MG) e Francisco Dornelles (PP-RJ) defendiam o voto facultativo. Para Aécio, a não obrigatoriedade cria riscos ao sistema eleitoral. “Podemos ter governantes eleitos por uma minoria pouco expressiva”, considera.

As mudanças no sistema eleitoral aprovadas pela comissão do Senado ainda serão enviadas para votação no Congresso. Nessa terça-feira, 15, a comissão aprovou a redução de dois para um suplente e mudança da data de posse de governadores e presidente da República.