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Oposição tem que dizer ‘o que é contra e o que é a favor’, afirma FHC

Bruno Siffredi

05 de dezembro de 2011 | 21h32

Bruno Siffredi, do estadão.com.br

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o seu partido, o PSDB, deve dizer “o que é contra e o que é a favor” para marcar suas posições em relação governo federal, em entrevista nesta segunda-feira, 5, ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Durante sua participação no programa, FHC falou sobre política, economia e a sociedade brasileira, entre outros temas. Ele admitiu que seu partido não soube “deixar uma marca” nas políticas sociais, apesar dos esforços do seu governo nessa área, e atribuiu a isso a imagem mais associada às parcelas ricas da população.

FHC lembrou também que, durante a sua Presidência, ocorreram algumas crises econômicas e “a situação da população era objetivamente pior”. “A política depende muito das circunstâncias”, observou.

Ao ser questionado o slogan em inglês “Yes, we care”, que sugeriu para o PSDB em recente evento partidário, FHC esclareceu que não pretendia ser interpretado literalmente. “Imagine se eu iria falar isso pro povo. Só se fosse um débil mental”, disse.

O ex-presidente comentou a atual situação da economia nacional, que avançou muito nos últimos anos, e afirmou que, segundo ele, “o Brasil está saindo de uma fase de escassez para um começo de prosperidade”. Sobre a nova classe média, ele disse que hoje ela é apenas uma “classe de  renda”. FHC prevê que no futuro, a nova classe vai superar a busca pelo acesso e vai querer mais qualidade. “É essa hora que entra a questão do valor.”

Além do jornalista Mario Sergio Conti, que apresenta o programa, participaram da bancada o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour; o editor-executivo do jornal Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila; o colunista do jornal O Globo, Ancelmo Góis; a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, e a historiadora e antropóloga, professora titular de Antropologia da USP, Lilia Schwarcz.

Redes sociais. FHC destacou mais de uma vez durante o programa o papel importante que atribui às novas formas de comunicação, como os sites de relacionamento e outras plataformas da internet. “Acho que hoje em dia que está fora do Facebook não está na vida real”, disse logo no início da transmissão.

“Esse mundo me fascina”, admitiu o ex-presidente, que aos 80 anos estreou nesta segunda-feira sua página na rede social criada pelo norte-americano Mark Zuckerberg. FHC destaca que não é “usuário habitual” desses meios, mas já apresenta uma  visão pessoal sobre sua utilização. O ex-presidente criticou a exposição pessoal através da rede e disse não achar que o espaço deve ser usado para dizer “fiz isso, fiz aquilo, estive com fulano”.

Veja como foi:

23h43 – Termina o programa Roda Viva.

23h40 – Ao comentar sua estreia no Facebook, FHC afirma que “o mundo novo é um mundo que tem essa discussão direta” e admite: “Esse mundo me fascina.” Ele diz não ser “usuário habitual” das redes sociais, mas afirma ter “interesse pelo que acontece”. O ex-presidente critica a exposição de si mesmo através da rede e diz que não achar que o espaço deve ser usado para dizer “fiz isso, fiz aquilo, estive com fulano”. Para resumir seu sentimento sobre os novos meios, afirma: “Tem muita coisa boa no mundo.”

23h32 – Estimulado a comentar a criação da Comissão da Verdade pelo governo Dilma, FHC afirma ser “totalmente favorável” ao projeto. “As vitimas têm o direito de saber o que aconteceu”, ressalta. Ele diz ter sido vítima da ditadura e ter visto pessoas que foram torturadas. “Pra mim não é uma questão retórica, é uma questão existencial.” Ele conclui indicando que acredita que o modo como a Comissão da Verdade foi feita é “equilibrada”.

23h25 – Gandour questiona se o modelo chinês seria perigoso, por unir desenvolvimento econômico e falta de democracia. Para FHC, pode ser uma tentação para “atrasar” determinadas ações. Ele afirma que o governo “hesita  entre modelos” e cita como exemplo a privatização dos aeroportos. “Não se assume.”

O ex-presidente afirma que considera a Educação um setor “essencial”. “O mundo mudou muito e nos continuamos ensinando a mesma coisa”, afirma. “Acho que tem que ir mais fundo, não adianta só dar mais.” Ele diz se assustar com um dado sobre as escolar: “A evasão escolar estava ocorrendo pela falta de interesse do aluno no que estava sendo lecionado.”

Sobre a economia, diz que o mundo “só vai sair” da situação atual quando “abrir novas frentes de investimento”. Segundo FHC, “tanto a China como os Estados Unidos sabem disso e estão se preparando”.

23h10 – Após pergunta pré-gravada do ex-governador de São Paulo José Serra sobre as diferenças entre o governo FHC e o governo Lula, o tucano destaca a atual situação da economia. “Pela primeira vez a definição de desindustrialização cabe”, diz o ex-presidente. “Quando saí, a indústria era 60% e a os commodities 40%, e agora se inverteu”, afirma FHC, que atribui a mudança ao cenário externo.

O ex-presidente critica a criação de cargos de confiança e diz que há clientelismo demais no governo federal. É um “botim do Estado, vou repartir o Estado e assim tenho uma maioria”, diz FHC ao descrever a mentalidade atual. Ele afirma que, se pudesse dar um conselho à presidente Dilma Rousseff, diria que “não precisa de uma maioria tão grande”. “Se você quiser uma maioria  absoluta, 80%, você vai ter que negociar com todo mundo.”

22h59 – Sobre a crise europeia, FHC afirma que faltou capacidade política e que isso é “preocupante”. O ex-presidente aponta a “falência dos partidos” europeus como uma das causas da crise política que acompanhou os problemas econômicos. Ao ouvir uma comparação com o Plano Real, ele diz que a Europa terá que fazer os seus sacrifícios e se reorganizar, como ocorreu no Brasil para superar a hiperinflação. FHC destaca que a falta de punição aos grandes banqueiros norte-americanos é um problema. “Houve crime, mas não houve castigo.”

22h49 – Ricardo Gandour lembra que ele tem escrito sobre a predominância do mercado e pergunta se, no âmbito econômico, não é mais difícil fazer oposição devido aos avanços do País nos últimos anos. “Na pratica hoje, o que orienta é o mercado”, responde FHC. “Está todo mundo obcecado com o mercado.” Ele diz que, na Europa, os governos “de esquerda e de direita” caem porque o mercado “está lá embaixo”.

Para o ex-presidente, a crítica à corrupção pode ser vista como um “estilo UDN”, mas destaca que os jovens “nem sabem o que é UDN hoje em dia”. O partido tem que dizer “o que é contra e o que é a favor”, opina. Questionado se foi isso que faltou na campanha de 2010, ele responde. “Não posso falar da ultima, mas falta em geral.” Segundo o ex-presidente, nas redes sociais não existe “individualismo possessivo” e as pessoas “querem ser pessoas, querem opinar”.

Sobre as novas classes médias, ele diz que hoje são apenas “classes de  renda”. FHC prevê que no futuro, a nova classe vai superar a busca pelo acesso e vai querer mais qualidade. “É essa hora que entra a questão do valor.”

22h39 – Lilia Schwarcz lembra de posição sobre a ação afirmativa e compara àquela expressa pelo ex-presidente sobre a descriminalização da maconha. “Equidade é o principal problema para mim. É preciso ter equidade”, diz FHC sobre as ações afirmativas para negros.

Sobre a questão das drogas, ele diz que a “preocupação veio pela desmoralização das instituições”. FHC cita número de mortos na guerra contra o narcotráfico no México e compara aos mortos dos EUA no Vietnã. “O país que mais progrediu nesta matéria foi Portugal, que conseguiu diminuir o consumo e descriminalizar.”

FHC diz que, com base em estudos que leu, sabe que “a maconha faz menos dano do que o álcool e do que o cigarro” e pergunta: “Porque não fazer com a maconha o que fizeram com o cigarro?”

22h34 – Após ouvir pergunta pré-gravada do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre o grande número de partidos no País, FHC diz que temos “legendas, não partidos”. O ex-presidente lembra que as “poucas tentativas” de alterar esse quadro, “como a cláusula de barreira”, foram derrubadas na Justiça.

22h28 – Maria Rita Kehl lembra declarações de FHC sobre a impossibilidade de incluir todos na economia e sobre “quebrar a espinha” dos petroleiros em greve durante seu governo. Sobre a primeira, FHC diz: “Nos vivemos no regime capitalista. O regime capitalista raramente dá pleno emprego.” Ele destaca que não queria dizer que era “impossível” a inclusão de todos, mas que naquele momento não ocorreria. O ex-presidente lembra que, durante seu governo, havia a hiperinflação e diz que na atualidade “dá pra incluir”.

“O Brasil está saindo de uma fase de escassez para um começo de prosperidade”, analisa FHC. Sobre a segunda declaração, o ex-presidente  afirma que a greve era política e a frase foi “uma força de expressão”. Ele lembra que, na década de 1980, participou das greves no ABC e do início da Força Sindical. Sobre a greve na refinaria, diz que os grevistas queriam “criar condições de inviabilidade do governo”.

22h19 – Conti lembra critica de FHC a Lula, na qual o compara aos stalinistas. O ex-presidente afirma que é um exagero, mas destaca que o Congresso perdeu importância durante o governo petista e diz que Lula tem um discurso que deixa a entender que “começou tudo”.

22h15 – Sérgio Dávila lembra do slogan “Yes, we care” e pergunta se acha que isso funciona. “Imagine se eu iria falar isso pro povo. Só se fosse um débil mental”, responde FHC. Ele diz que usou a expressão em inglês em evento político para exemplificar o que acredita ser o discurso certo para o partido, mas ressalta que não espera que o slogan seja usado em inglês.

22h13 – FHC destaca o papel das novas tecnologias e diz que falta ao partido a capacidade de se apresentar nesses meios. “O povo muda”, diz ele, indicando que o partido deve seguir essas mudanças.

22h10 – Ao iniciar o programa, o apresentador lembra de uma pesquisa que mostra que o PSDB é um partido mais identificado com os ricos e o PT, com os pobres. Ele pergunta se é um problema de comunicação. Para FHC, “dizer que não consegue se comunicar é colocar toda a culpa na comunicação”. O ex-presidente afirma que seu partido não soube “deixar uma marca” nas políticas sociais e apresentar os esforços do governo nesta área. FHC lembra que, durante sua presidência, ocorreram crises e “a situação da população era objetivamente pior”. “É muito difícil para quem melhorou e antes economicamente era pior que antes era melhor.” O ex-presidente conclui que “política depende muito das circunstâncias”.

22h00 – Antes do início do programa, Mario Sérgio Conti lembra que Fernando Henrique Cardoso lança nesta segunda-feira, 5, o seu perfil no Facebook. Ao ser questionado sobre o motivo da adesão à rede social, afirma: “Acho que hoje em dia que está fora do Facebook não está na vida real.”

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