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FHC e sociólogos discutem as ciências sociais na TV Cultura

Jennifer Gonzales

21 Julho 2010 | 20h11

Moacir Assunção

Alunos das três universidades públicas paulistas – USP, Unicamp e Unesp – terão a oportunidade rara de assistir a um interessante debate protagonizado pelos sociólogos Fernando Henrique Cardoso, Brasilio Sallum e Maria Arminda Arruda. Trata-se do programa Cientistas do Brasil, da Univesp TV – um braço universitário da TV Cultura – que pretende oferecer aos universitários conhecimentos sobre os principais cientistas brasileiros de todas as áreas de saber.

O colóquio entre o ex-presidente, no qual ele somente fala de passagem de questões atuais, e seus colegas foi esclarecedor e ajudou a mostrar quem está na cabeça do homem que governou o País por oito anos. O programa, gravado na semana passada, irá ao ar na quinta-feira, dia 29, às 23 horas na Cultura.

O cientista político e filósofo alemão Karl Marx, o também cientista alemão Max Weber e o francês Émile Durkheim, não necessariamente nesta ordem, foram, segundo ele próprio, as grandes influências de FHC pouco após ele prestar o vestibular na Faculdade de Filosofia da USP – então no Colégio Caetano de Campos, na Praça da República – e ficar em segundo lugar. A primeira colocada foi Ruth Cardoso, sua futura mulher.

“Desenvolvi o sentido de disciplina lendo O Capital, de Marx, um catatau de mais de 300 páginas. Alexis de Tocqueville, tido como um pensador conservador, por sua vez, me ensinou o valor da democracia. O curioso é que ambos escreveram seus livros no mesmo ano, em 1848”, explica.

Depois dos clássicos, alguns professores, entre eles Roger Bastide e Florestan Fernandes – este um dos fundadores do PT, principal rival do seu PSDB – foram fundamentais para o gosto pelas ciências sociais. “Foi o Florestan, em uma conversa num bar perto dos Correios na Avenida São João, que me fez ir para as sociais”, revela. Até hoje, o ex-presidente diz que não escreveu a “teoria da dependência”, tema de uma dos seus principais estudos. “Na verdade, não existe a teoria da dependência. O que fiz foi uma teoria do capitalismo”, esclarece.

Naquela ocasião, de acordo com ele, começou-se a discutir algo que está hoje na ordem do dia: a globalização. “Ainda não existia a expressão e nem mesmo o conceito do que chamamos hoje de multinacionais. Nós falávamos de trustes, que era a expressão em voga na época”, conta. No doutorado, na década de 1960, o futuro cientista social pesquisou a escravidão no Brasil meridional e teve acesso a um jornal extinto, o Floresta Aurora, escrito por intelectuais negros ainda durante o Império. Para construir sua pesquisa, usava o método funcionalista, de Durkheim.

Futuro. E o que o sociólogo, que ocupou por oito anos a presidência, imagina para o futuro do País? FHC afirma que não há dúvidas de que o Brasil tem experimentado um grande crescimento econômico, com aumento real no salário mínimo. Pondera, entretanto, que é necessário discutir de que forma os frutos deste crescimento serão distribuídos. “Precisamos pensar que tipo de País queremos no futuro”, diz.

Não há dúvidas, para ele, que o País está em ótimas condições para crescer. “Ao contrário da maior parte dos chamados emergentes, o Brasil tem um sistema financeiro próprio, além da capacitação dos seus centros de conhecimento, o que constitui uma enorme vantagem”, afirma.

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