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Em reunião da executiva, PSDB defende permanência de Guerra à frente do partido

Armando Fávaro

18 de novembro de 2010 | 12h03

Carol Pires, de Brasília

Atualizado às 14h49

Em reunião esvaziada – a primeira depois da eleição na qual José Serra foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) na corrida pela presidência da República –  o PSDB decidiu que é preciso reorganizar o partido e movimentar as bases eleitorais. A meta do partido é chegar à eleição municipal de 2012 com o candidato à eleição presidencial de 2014 escolhido.

“É salutar que o em 2012 nosso candidato de 2014 já circule o país”, resumiu o deputado federal reeleito Bruno Araújo (PE), ao deixar reunião da Executiva Nacional do partido, nesta quinta-feira, em Brasília.

A primeira ação do partido será atualizar o cadastro de filiados. O PSDB calcula ter registrado 230 mil filiados, mas a cúpula admite que esta militância não está ativa. “Queremos montar o partido em todos os municípios do Brasil”, afirma o Luiz Paulo Veloso Lucas, presidente do Instituto Teotônio Vilela.

O objetivo é ter esse cadastro refeito e conseguir novos filiados até março, quando haverá eleição para os diretórios municipais. A eleição deve ocorrer até 20 daquele mês. As eleições dos diretórios regionais e nacional também já estão agendadas. Os Estados farão a escolha dos novos dirigentes até 17 de abril, e a eleição do presidente do partido será até 29 de maio.

No entanto, a maioria dos tucanos que participou da reunião da Executiva Nacional nesta quinta-feira fala em reconduzir ao cargo atual presidente, senador Sérgio Guerra (PE). “Ele tem o respeito de todo o partido”, afirma Bruno Araújo.

Nova rodada de reuniões

A reunião da Executiva Nacional do PSDB ficou esvaziada, e apenas dois governadores eleitos viajaram a Brasília – Teotônio Vilela, de Alagoas, e Anchieta Júnior, de Roraima. O senador eleito Aécio Neves, continua em viagem, e os líderes do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM) e Álvaro Dias (PR) não participaram do encontro por problemas de saúde.

Nas próximas semanas, haverá duas novas reuniões do partido. A primeira está sendo organizada pelo governador eleito Teotônio Vilela. Ele quer reunir todos os governadores eleitos pelo PSDB na próxima sexta-feira, em Maceió. “Se ainda tiver alguém viajando, vou esperar”, pondera.

Uma das pautas do encontro entre os governadores será o posicionamento do partido em relação à recriação de um imposto para financiar investimentos em saúde. Teotônio Vilela admite que a recriação de um imposto nos moldes da extinta CPMF seria vantajosa para os investimentos em saúde em Alagoas, mas pondera que seria “uma incoerência” do partido defender a criação de um novo tributo enquanto a campanha tucana teve como bandeira a redução da carga tributária.

Caberá ao líder do PSDB na Câmara dos Deputados, João Almeida (BA), organizar uma segunda reunião, entre as bancadas antigas e novas de deputados e senadores do partido. O encontro está sendo organizado para a primeira semana de dezembro.

Saldo da eleição

Após cerca de duas horas de reunião, a cúpula tucana evitou fazer um balanço crítico sobre o desempenho do PSDB na campanha. O presidente da legenda, Sérgio Guerra, avaliou que, apesar de o partido ter eleito um número menor de parlamentares em comparação com a eleição passada, a qualidade da bancada continua forte. “Perdemos o Arthur Virgílio [AM], mas ganhamos o Aécio Neves [MG]”, emenda Márcio Fortes, secretário do partido.

Sérgio Guerra garante que, apesar do enxugamento da oposição, o partido manterá um posicionamento firme durante o governo da presidente eleita Dilma Rousseff. “A oposição perdeu vagas no Congresso e terá de ser mais combativa do que foi. E não nos faltará vozes para isso”.

O presidente informou ainda que, dos R$ 140 milhões gastos na campanha de José Serra à presidência, o PSDB conseguiu arrecadar pouco mais de R$ 130 milhões. Pouco menos de R$ 10 milhões em dívidas ficaram para o partido.

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