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Ex-vice-prefeito e ex-vereador de Santos desfiliam-se do PSB: ‘partido não se diferencia do caráter fisiológico reinante’

TANIA MARIA BARBOSA MARTIN

06 de junho de 2011 | 12h51

O jurista Sérgio Sérvulo, ex-vice-prefeito de Santos pelo PSB, um dos advogados de acusação no processo de impeachement do ex-presidente Fernando Collor, e o ex-vereador Celio Nori, anunciaram em carta aberta a desfiliação do Partido Socialista Brasileiro. Filiados na década de 1980, eles afirmam que hoje  “a legenda perdeu a sua identidade política, apesar de ostentar o vocábulo socialista que, para ela, nada significa”. Dizem ainda que o PSB não se diferencia do caráter fisiológico reinante na política partidária brasileira.

Leia a íntegra da carta:

“Desfiliando-nos, neste momento, do Partido Socialista Brasileiro, queremos ratificar, publicamente, nosso compromisso com o socialismo democrático. Foi por causa desse compromisso que nos filiamos ao PSB, há muitos anos, é por causa dele que agora nos desfiliamos.

Partidos políticos são canais da representação popular, locais de encontro nos quais, mediante o confronto de ideias, se assentam propostas de políticas públicas, programas consensuais de governo e ações para a conquista e exercício do poder político.
Sempre entendemos que a condição de filiado a um partido político representa clara opção política e compromisso  com  determinada visão de mundo. Por tais razões, escolhemos o Partido Socialista Brasileiro para nos filiar na década de 80 e nos integrar a outros companheiros que comungavam solidariamente o ideário do Socialismo Democrático.
Após a vitória sobre a ditadura militar, a promulgação da Constituição de 1988 e a conquista do Estado de Direito, reuníamos a expectativa de que, finalmente, os partidos brasileiros passariam , de fato, a representar forças políticas distintas, capazes de dar sustentabilidade à democracia brasileira, recém emergida dos escombros de um dos mais terríveis períodos da história do país.
Ledo engano. À medida em que o tempo avançava e os governos se sucediam, mais e mais os partidos foram se transformando em meros cartórios eleitorais para a concessão de legendas, sob a influência crescente do poder econômico sobre as instituições políticas.
É grande a diferença entre um partido e uma facção. A facção é um ajuntamento de interesses, onde prevalecem as ambições pessoais. A convivência democrática é característica do partido, o autoritarismo a marca da facção.
A crise da democracia representativa faz que os partidos – mesmo os mais ciosos de sua identidade – degenerem em facções. Tendo lutado no PSB pela manutenção de sua identidade partidária, nada mais temos a fazer, agora, dentro dele. A legenda perdeu a sua identidade política, apesar de ostentar o vocábulo socialista que, para ela, nada significa.
Constatando que o PSB não se diferencia do caráter fisiológico reinante – visto assumir sem nenhum pudor a lógica do  pragmatismo político-eleitoral, sendo incapaz de responder a si mesmo e muito menos à sociedade sobre o que significa nos tempos atuais o Socialismo Democrático – é chegada a hora de  tomar  a sofrida decisão de nos desfiliarmos  do Partido Socialista Brasileiro, sem contudo abdicar da luta política, como dever e prerrogativa do cidadão.”

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