As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ex-ministro lidera negociação paralela sobre royalties e irrita bancada do Rio de Janeiro

Redação

28 de setembro de 2011 | 15h05

Andrea Jubé Vianna, especial para Estadão.com.br

A bancada do Rio de Janeiro dividiu-se na negociação do novo modelo de distribuição dos royalties do petróleo da camada de pré-sal. Enquanto a maioria da bancada fluminense opõe-se à negociação com o governo e os Estados não-produtores, o deputado Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro da Igualdade Racial, abriu uma dissidência defendendo o diálogo. Santos foi confrontado numa reunião reservada da bancada do Rio de Janeiro realizada no final da manhã, num auditório da Câmara.

“É uma negociação paralela, ele não tem o apoio da bancada”, criticou o vice-líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). “Ou é posição da bancada, ou é pessoal”, emendou o coordenador da bancada fluminense, deputado Hugo Leal (PSC-RJ). Santos convidou apenas uma parcela da bancada, selecionada por ele, para uma reunião que acontecerá ainda hoje para ouvir a proposta do senador Wellington Dias (PT-PI), que ameniza as perdas do Rio de Janeiro em relação à Emenda Ibsen. A emenda que foi vetada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe a divisão igualitária dos royalties entre todos os Estados, produtores e não-produtores de petróleo, conforme os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O veto será colocado em votação no próximo dia 5 e deve ser derrubado.

Santos adotou uma postura mais flexível na reunião de ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em que este apresentou a proposta de acordo do Executivo. A postura dele contrastou com o tom incisivo que vem sendo adotado pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ). A dissidência foi anunciada pelo líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que alertou o colega Eduardo Cunha da posição de Santos. “O Rio está dividido. O Lindbergh (Farias) foi intransigente, mas o Edson Santos defendeu o diálogo”, disse Henrique a Cunha, ontem ao retornar da reunião com Guido Mantega. Irritado, Cunha reagiu na reunião desta quarta-feira, 28, confrontando Santos: “A bancada não pode ter uma posição divergente, isso fraquejou a gente”.

Em entrevista à Agência Estado, Edson Santos explicou que defende o diálogo. “Tem que ter abertura para negociar. A bancada não pode ficar assim, fechada em Copas. É possível chegar a um acordo”, disse Edson Santos. Ele contestou os colegas, alertando que não está sozinho nesta posição. Ele diz que o projeto de Wellington Dias não é o ideal, mas é possível avançar a partir dele.

Santos dividiu até o PT. Enquanto ele saiu isoladamente a favor do diálogo com o governo e os não-produtores, o senador Lindbergh Farias e o deputado Alessandro Molón (PT-RJ), não querem saber de nenhuma negociação. A petista Benedita da Silva (RJ) defende a posição de Santos e também se diz favorável à negociação. “Estou do lado do Rio, mas concordo que o petróleo é um bem nacional. Mas o Rio não pode perder o que já tem”, alegou. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) saiu em defesa de Santos, alertando os demais colegas de que a bancada não pode “se excluir desse processo (de negociação)”. Leite diz que é preciso conhecer a proposta de Wellington Dias para que eles possam “contra-argumentar”.