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Ex-guerrilheiro, Genoino aceita convite para assessorar Jobim

TANIA MARIA BARBOSA MARTIN

12 de janeiro de 2011 | 18h55

Christiane Samarco e Leonêncio Nossa, da Sucursal de Brasília

O deputado e ex-guerrilheiro José Genoino (PT-SP) aceitou convite para assumir um cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, pasta que comanda as ações das Forças Armadas. Em conversa com o ministro anteontem, Genoino lembrou que tem com Jobim uma “relação muito boa e muita amizade” e que os já trabalhavam juntos em projetos voltados aos militares. “Vamos concretizar isso em fevereiro”, disse Genoino, que cumpre mandato de deputado federal até 31 de janeiro e só depois de se desligar da Câmara poderá assumir a assessoria na Defesa.

Capturado em abril de 1972 nas matas do Araguaia por uma equipe policial que atuava junto com o Exército na localização da guerrilha comunista, José Genoino construiu nos últimos anos uma relação sólida com os militares. Na Câmara, ele defendeu lobby das Forças Armadas por reajuste salarial e projetos de infraestrutura e compra de equipamentos. Ele é um dos poucos sobreviventes da matança do Araguaia que se enveredaram pelo caminho da política partidária após a redemocratização.

No final dos anos 1970, logo deixar a prisão, Genoino viajou pelo País para pretar solidariedade e informações às famílias dos colegas mortos pelo Exército no Araguaia. A história de Genoino na guerrilha foi revelada pelo Jornal da Tarde e pelo Estado numa série especial em 1979.

O envolvimento de Genoino, o guerrilheiro Geraldo, no conflito no Araguaia foi alvo de setores conservadores das Forças Armadas e da própria esquerda. A ex-senadora Heloísa Helena acusou Genoino de delatar companheiros. Em 2006, de olho no eleitorado de Genoino em São Paulo, o petista e concorrente a uma cadeira na Câmara Luiz Eduardo Greenhalgh tentou, emplacar na imprensa, de maneira sigilosa, a versão de que Genoino foi um delator no Araguaia. Os papéis de Greenhalgh não provavam nada. As acusações contra Genoino são consideradas improcedentes por pesquisadores. No momento em que Genoino era interrogado e torturado, em abril de 1972, os três destacamentos da guerrilha já tinham sido desmontados e os seus integrantes dispersados na mata. Três meses antes, o Exército já tinha álbum com fotos da maioria dos guerrilheiros.

A grande queda de Genoino após o Araguaia ocorreu em 2005, quando, na presidência do PT ele se envolveu no esquema do mensalão. O escândalo levou Genoino e outros 39 políticos e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o banco dos réus no Supremo Tribunal Federal.
Genoino nunca teve espaço no governo petista.

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