Dilma comemora um milhão de bolsas no ProUni e exalta realizações de Haddad na Educação
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Dilma comemora um milhão de bolsas no ProUni e exalta realizações de Haddad na Educação

Lilian Venturini

23 Janeiro 2012 | 14h33

Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro, Andrea Jubé Vianna e Jair Stangler

Em um discurso recheado de elogios ao ministro da Educação, Fernando Haddad, a presidente Dilma Rousseff afirmou que “a combinação de programa de distribuição de renda com garantia de acesso à educação é o caminho correto para o Brasil mudar de patamar”. Ela definiu a milionésima bolsa concedida pelo programa Universidade para Todos (ProUni) como um “marco na história recente do País” e arrematou reafirmando o compromisso com “a prioridade da educação”.

Na solenidade que marca a despedida de Haddad do cargo, a fim de se dedicar à pré-campanha à Prefeitura de São Paulo como futuro candidato do PT, a presidente não apenas elogiou o ministro, como aproveitou para fazer a defesa do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A prova foi alvo de erros e problemas – como o vazamento de questões – e transformou-se em marca negativa da gestão de Haddad no ministério. “É a forma mais democrática de acesso dos jovens brasileiros ao ensino universitário”, afirmou Dilma sobre o Enem. “É um exemplo da determinação do ministro Fernando Haddad no sentido de assegurar uma transformação e uma deselitização do ensino universitário no nosso País”, defendeu.

Ainda sobre o ProUni, a presidente o classificou como um instrumento de “distribuição de renda”, porque ao garantir o acesso à educação, torna possível construir um “modelo de desenvolvimento sustentável para o País”. Dilma lembrou que, durante a campanha eleitoral, visitou uma estudante de medicina cujos pais viviam com salário mínimo. “Era uma coisa estranha, não era usual. Esse é o grande feito do ProUni: trata-se de milhões jovens superando uma barreira quase intransponível que é a barreira da oportunidade”, definiu a presidente.

No final, a presidente aproveitou para citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que “foi preciso um metalúrgico que não teve acesso ao ensino universitário para saber como é importante para as pessoas o ensino universitário”. Dilma também corrigiu Fernando Haddad que, em seu discurso, chegou a afirmar que o ProUni seria um programa que não traria gastos ao governo federal. Ela lembrou que por se tratar de um programa que concede bolsas em troca de isenção fiscal das faculdades particulares, o Ministério da Fazenda está abrindo mão de receita. Mas completou dizendo que é um investimento no futuro do País. “Esses tributos estão sendo destinados para financiar a educação da juventude brasileira”, justificou.

Autoelogio

Antes de Dilma, Haddad, que na terça-feira, 24, entrega o cargo ao ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), também destacou suas realizações e chegou até a elogiar o comportamento da oposição, que teria contribuído para algumas realizações do ministério.

“Em 2004 (ano de criação do programa) não li nenhum artigo defendendo o ProUni nos jornais, nenhum, absolutamente nada. Guardadas as proporções, é que nem o Enem hoje, apanha todo santo dia. Só que são essas realizações, ProUni, Reuni (programa de reestruturação e expansão das universidades federais), Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Fies (fundo de financiamento estudantil), são essas realizações que promovem maior avanço e acesso democrático às instituições de ensino superior”, discursou o ministro.

“Tudo é muito difícil de realizar e colocar de pé, mas os anos vão se passando, os programas vão se consolidando, sendo aperfeiçoados, vão mostrando os resultados. Imaginem vocês, sair de 3 milhões de matrículas e atingir 6,5 milhões de ensino superior em 2010. Nós mais que dobramos as matrículas em educação superior.”

“As reformas na educação básica e na educação profissional não foram menos importantes, há um conjunto de realizações que contaram inclusive com o apoio da oposição”, destacou.

Na quarta-feira passada, a presidente Dilma Rousseff participou de um evento de inauguração de uma creche em Angra dos Reis (RJ) que serviu para exaltar a imagem de Haddad, a quem chamou de “um dos grandes ministros deste país na área de educação”.

Veja como foi:

16h25 – Dilma encerra agradecendo a Dra. Laís por seu compromisso ao integrar o Programa Saúde da Família. Ela também desejou sucesso ao novo ministro, Aloizio Mercadante, e a Fernando Haddad, que irá disputar a Prefeitura de São Paulo.

16h17 – Dilma destaca o programa “Ciência sem Fronteria”, do Ministério da Ciência e Tecnologia e defende o Enem: “Forma mais democrática de acesso dos jovens brasileiros ao ensino universitário. O Enem é um exemplo da determinação do ministro Fernando Haddad para democratizar o acesso e garantir uma deselitização do ensino universitário”. A presidente diz que opor ensino básico ao ensino universitário, como se fazia, “era rebaixar por baixo”. Ela mesma ironiza sua gafe: “Rebaixar por baixo é dose”, e atribui a gafe ao cansaço acumulado de uma série de reuniões nos últimos dias.

16h09 – “Trata-se de milhões de jovens, brasileiros e brasileiras, superando uma barreira, que é a barreira da oportunidade. Nós temos de medir uma sociedade pelo grau de oportunidades que ela oferece”, afirma. “O ProUni é um dos instrumentos de distribuição de renda no nosso País”, destaca. “Com a educação se constrói também um modelo de desenvolvimento sustentável para o País. Se nós não queremos um País em que os 10% mais ricos concentrem oportunidades. Esse programa fala da felicidade. É muito importante essa questão do sonho realizado. Foi preciso um metalúrgico sem ensino universitário para saber como é importante o ensino universitário. Muitas pessoas preconceituosas diziam: ‘Mas como? Um presidente e um vice que não são universitários valorizam a educação?’ Valorizam sim!”, continua. “Eu assisti o compromisso do presidente com o ProUni, com todas essas questões da educação. Ao cumrpimentar a dra. Laís e a todos os estudantes, queria agradecer ao Congresso, que teve sensibilidade para entender a questão.”

16h02 – Depois da matrícula do bolsista de número um milhão, Dilma assume a palavra e cumprimenta todos os ministros que estão no evento – presentes em grande número. “Essa cerimônia para mim é um marco na história recente do nosso País. Ao celebrar este um milhão de bolsas concedidas, nós estamos enfatizando a importância que é para o nosso País esse processo que levou milhões de pessoas a ter acesso à educação”, afirma. Dilma lembra que na campanha visitou uma mulher com uma história parecida com a de Karla Laís Ribeiro da Costa. “Para Lorene Laiane, como para seus pais, para seus vizinhos, ser estudante de medicina era uma coisa que não era usual. Esse ‘como é que será que ela conseguiu’ é que é o grande feito do ProUni. Porque é como os vizinhos entendem que eles também podem estudar medicina”.

15h56 – “Chegar a esse resultado (um milhão de bolsas) não é fácil. O processo é complexo. Mas conseguimos levar as matrículas de 3 milhões para 6 milhões em uma década. Hoje, todas as pesquisas socioeconômicas revelam que a educação teve papel fundamental para o momento vivido pelo País. “amos ter que investir ainda mais em educação. Caberá ao Aloizio abrir novas frentes, né Aloizio”. Admite que os projetos aprovados que permitiram a melhora da educação foram feitos com a ajuda da oposição. “Meus cumprimentos ao Congresso Nacional, pela aprovação unânime, meus cumprimentos ao setor privado, que entendeu a importância desse programa. Meus cumprimentos aos estudantes, que foram assimilando, à Ana Estela Haddad, que se sensibilizou com uma carta de uma mãe desesperada”.

15h49 – O ministro Fernando Haddad, que se despede do cargo, lembra a gênese do ProUni. Lembra que foi a Brasília como assessor de Guido Mantega. Lembra que sua mulher, Ana Estela Haddad assessorava o ministro da Educação da época, Cristovam Buarque, havia sugerido um sistema de bolsas semelhante a sistema que fora tentado na prefeitura de São Paulo. Segundo ele, quando Tarso Genro assumiu o ministério, em 2004, o convidou para ser seu secretário-executivo e logo eles apresentaram um programa para criar 100 mil vagas no setor privado. Segundo Haddad, quando Tarso anunciou o programa, “todo mundo foi contra, menos o presidente Lula”. Para ele, o ProUni era como o Enem hoje: “Apanha todo santo dia”.

15h44 – Iliescu defende que o Brasil invista mais em educação e diz que o evento desta segunda é um reconhecimento ao ministro Fernando Haddad. “Queremos desejar boa sorte na sua caminhada”, afirma. Segundo ele, um milhão de bolsas “é bom, mas ainda é pouco”. Conclui dizendo querer a bolsa número 2 milhões para o ProUni.

15h41 – Para Iliescu, o crescimento econômico do Brasil está sustentado sobre a educação.

15h38 – O presidente da UNE, Daniel Iliescu, define o ProUni como “o maior programa de inclusão social da América Latina”.

15h31 – A médica do Programa Saúde da Família Karla Laís Ribeiro da Costa, formada há um ano, fala representando os estudantes. Ela conta sua história de vida. “Tínhamos casa própria e um carro, e eu estudava em colégio particular. Depois desse período as coisas começaram a mudar. A empresa que o meu pai trabalhava faliu, tivemos que vender o carro. Minha mãe começou a costurar para fora. Eu e meu irmão fomos estudar em escola pública, minha irmã mais nova pôde estudar e depois ainda veio mais um irmão”. Segundo ela, ela só pôde estudar com a ajuda do Prouni. “Em nome de um milhão de alunos, eu quero agradecer ao governo Lula e agora ao governo Dilma.”

15h24 – Tem início a cerimônia do evento para comemorar a oferta de 1 milhão de bolsas em universidades particulares pelo Prouni.