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“Eu vou ser a mãe do povo brasileiro”, afirma Dilma Rousseff em Natal

Camila Tuchlinski

28 Julho 2010 | 18h08

Rodrigo Alvares, de Natal (RN)

Atualizado às 19h26

Depois de paralisar o centro de Natal (RN) na tarde desta quarta-feira, Dilma Rousseff voltou a discursar, para milhares de pessoas, que a oposição “mente” quando diz que não se contrapôs ao governo Lula. A presidenciável petista afirmou que “nós somos democratas, mas nós não convivemos com aqueles que nos atacaram por oito anos e agora vêm com pele de cordeiro”. Acrescentou: “Mas nós vemos as patinhas de lobo deles”. Ao final, Dilma pregou a continuidade do atual governo com a sua eventual eleição: “O presidente Lula me deixou um legado, que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro”.

Pouco antes de ser anunciada ao microfone para discursar, Dilma pegou uma “cola” com os assuntos que deveria abordar durante sua fala e saudou a multidão que enfrentou quase uma hora de caminhada sob sol escorchante pelas estritas ruas do centro da capital potiguar. “Qual é o futuro que espera o Nordeste?”, questionou Dilma. “Que País era aquele que pegamos lá atrás? Um País que tinha deixado os brasileiros sem esperança. Em oito anos, nós mudamos esse País. Todo mundo sabe que o Nordeste é a região que mais cresce no Brasil”, afirmou.

Para a petista, o programa Bolsa Família foi melhorado na região graças à parceria com as prefeituras. ” Tem uns aí dizendo que não fizeram oposição. Não só fizeram como ela foi pessoal, raivosa contra o presidente Lula, contra nós”, disse. “Por que fizeram menos quando estavam no governo? Eles criticaram a transposição do rio São Francisco, falaram que era uma coisa absurda. Esquecem que as pessoas precisam de água para viver”.

A ex-ministra reafirmou sua condição como indicada do presidente Lula para sucedê-lo no Planalto: “Eu fui a mão esquerda e direita dele nos melhores e nos piores momentos”. Depois, pediu votos para os candidatos da coligação no RN: “Não me deixem sozinha em Brasília. Elejam nossos senadores e deputados. Os partidos que estão comigo nesse palanque dão uma lição de ‘maduridade’ política”.

Apenas o candidato a vice na chapa da petista, Michel Temer (PMDB-SP) discursou na praça Getúlio Ferreira. Para ele, não seria “pelo entusiasmo do povo, mas que Dilma será a próxima presidente do País para dar continuidade ao governo Lula. Tenho certeza de que o doutor Ulysses Guimarães estaria aplaudindo você, Dilma”.

Pouco antes de chegar à praça na caminhonete F-200 que o levava, Temer comentou com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, a reação da multidão que acompanhava a fila de carros de som. O petista acenou positivamente com a cabeça e falou para o peemedebista: “Tá muito bom”, gritou Dutra.

Caminhada

“A presidente que apoiou todos os programas sociais do governo Lula, meu povo”, exclamou o animador do principal carro de som da campanha. “Vamos transformar essa caminhada no maior evento político da história de Natal. Também queremos pedir desculpas aos comerciantes da região pela confusão no trânsito”.

Por volta das 15h30, cerca de 40 carros de som saíram da rua Presidente Sarmento – próxima ao Mercado Público – em direção à praça. Milhares de pessoas que estavam concentradas ali começaram o séquito. “É o povo que vem espontaneamente às ruas apoiar a primeira mulher presidente do Brasil”, disse o animador. Nos ônibus, parados em decorrência da caminhada, passageiros ficavam transtornados com a gritaria, o foguetório e o calor.

No meio do percurso, alguns organizadores orientaram a multidão para parar e correram para uma rua transversal. Era onde Dilma, Michel Temer, Dutra, Moreira Franco, e os candidatos ao governo apoiados pelo PT – o atual governador, Iberê Ferreira (PSB) e Carlos Eduardo (PDT) – respectivamente, estavam. O veículo foi cercado assim que adentrou a avenida.

Atrás do carro, uma senhora pediu a um assessor de Dilma que vigiava a traseira do veículo que a candidata viesse cumprimentar sua filha. Logo que foi avisada, a petista parou de acenar e se virou em direção à menina. Murmurou algumas palavras e ficou com os olhos marejados. “Isso que é a Dilma. Imagina se fosse o Lula, fechava Natal”, comentou um dos simpatizantes.

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