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Sócia de gráfica que imprimiu panfletos anti-Dilma em SP é filiada ao PSDB

Camila Tuchlinski

18 de outubro de 2010 | 15h21

Rodrigo Alvares

Atualizado às 20h03

Em coletiva convocada nesta segunda-feira para falar sobre os panfletos anti-Dilma apreendidos ontem pela Polícia Federal em São Paulo, o secretário-geral nacional do partido, José Eduardo Cardozo, afirmou que “há indícios veementes de que esses panfletos tenham sido feitos pela campanha do nosso oponente”. O coordenador acrescentou que cerca de 20 milhões de panfletos estavam para ser distribuídos. Além disso, o presidente do PT-SP, Edinho Silva, afirmou que a oposição tem organizado ações de telemarketing contra Dilma Rousseff desde o último sábado, em Minas Gerais.

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Jose Eduardo Cardozo e Edinho Silva durante coletiva sobre o panfleto que criticava a candidata Dilma Rousseff. Foto: Marcio Fernandes/AE

Dos 20 milhões de panfletos, 1,1 milhão foi impresso na gráfica Pana Editora. Arlety Satiko Kobayashi detém 50% dos ativos da empresa e é irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de José Serra, Sérgio Kobayashi. Arlety é também filiada ao PSDB desde 1991, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, e funcionária da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Cardoso anunciou uma ofensiva jurídica no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar a autoria  da publicação dos panfletos, que divulgavam nota de segmentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  que são contra a candidatura de Dilma Rousseff. A direção nacional do PT enviou petição hoje ao TSE, juntando documentos que comprovariam a ligação política de Arlety Kobayashi e Alexandre Ogawa, donos da gráfica Pana, com o PSDB.

O material impresso já foi apreendido  pelo TSE por se tratar de propaganda irregular.  Em outra frente, o PT elaborou outra petição pedindo ainda que a Justiça Eleitoral apure uma propaganda feita por telemarketing, em Minas Gerais, em que o eleitor é questionado se votou em Marina Silva (PV). Quando a resposta é afirmativa, inicia-se um discurso contra a campanha de Dilma Rousseff.

“É indiscutível a relação com a campanha de José Serra. É evidente que não poderíamos deixar de entrar com uma ação pública. Os fatos são graves. A central de calúnias que vem atingindo a nossa candidata começa a ter seus autores identificados. É uma coisa tão articulada que não pode ter sido feita por amadores”, disse Cardozo.

Para ele, “é uma propaganda eleitoral manifestamente ilegal. Vamos entrar com ação também contra um telemarketing que pergunta se alguém na casa votou em Marina Silva e então começam a pedir votos para Serra. Há de se perguntar quem tem recursos para uma ação cara como a do telemarketing. A ética não serve só para ser evocada em arroubos. Não agiremos da mesma forma”.

Edinho Silva falou que a denúncia chegou aos petistas através de um cidadão. “Não pode ser coincidência. eu peço que a campanha do outro candidato se manifeste a respeito disso”, pediu o presidente do PT-SP. “Existe uma logística para distribuir 20 milhões de panfletos. Esperamos que as respostas sejam dadas, como quem financiou”.

Cardozo e Edinho destacaram que os documentos apreendidos pela PF foram encomendados por Paulo Ogawa. Segundo eles, Ogawa foi nomeado por Serra, em 2000, para trabalhar no Ministério da Saúde.

Outro lado

Ogawa negou vínculos com o PSDB e de que tenha sido assessor de José Serra no Ministério da Saúde. “Eu não conheço Serra pessoalmente. O PT está querendo procurar pelo em ovo. Nunca tive vínculo político. Sou totalmente apartidário, tenho aversão a políticos. Nunca pedi uma nomeação que seja. É mais uma lorota. É brincadeira.”

O empresário disse que nessa campanha também produziu jornais de candidatos do PT, Paulo Teixeira e Simão Pedro, reeleitos deputados federal e estadual. Também prestou serviços para a Mulher Pera, que candidatou-se a deputada pelo PTC.

Ele confirmou que sua mulher, Arlety Kobaiashi, é tucana, filiada ao partido desde 1992. “Ela nunca foi militante, só filiou-se ao PSDB a pedido do irmão Paulo Kobaiashi, ex-presidente da Assembleia Legislativa e da Câmara municipal.”

Colaborou Fausto Macedo

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