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Escolha do vice será mais decisiva para Serra, diz cientista política

Redação

10 de junho de 2012 | 01h00

Felipe Frazão – O Estado de S. Paulo

No cenário eleitoral em que apenas dois pré-candidatos a prefeito de São Paulo já definiram seus vices, os partidos concentram esforços em articulações para alinhavar as alianças e apresentar um bom nome para ocupar o posto nas chapas lançadas. O prazo para definição termina dia 30. Mas, com mais pré-candidatos este ano (e de partidos que possuem tempo significativo de TV e em 2008 não concorreram com candidato próprio como o PRB, o PDT, o PTB e o PMDB) os planos de algumas legendas terão de mudar.

Quem tem mais opções, por enquanto, é o ex-governador José Serra (PSDB) – justamente o que anunciou mais aliados (PV, PSD, DEM e PR). São cinco nomes (Alda Marco Antonio, Alexandre Schneider e Miguel Bucalem, do PSD; Eduardo Jorge, do PV e Rodrigo Garcia, do DEM), fora a possibilidade de selecionar outro tucano para a disputa.

A escolha de um bom candidato a vice será mais preponderante para Serra, dos que para os adversários, na análise da professora titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp Rachel Meneguello. Pesa no histórico do tucano, o fato de ele ter abandonado os dois últimos mandatos exerceu no Executivo.

Na opinião da pesquisadora, a saída de Serra da Prefeitura para concorrer ao governo do Estado em 2006 (deixando o mandato com o então vice, Gilberto Kassab, do PSD) e a renuncia ao Palácio dos Bandeirantes (que ficou sob o comando do vice Alberto Goldman, do PSDB) para disputar as eleições presidenciais em 2010, serão lembradas pelos adversários. E apesar de agora ele prometer novamente cumprir o mandato inteiro, deve influenciar a nomeação do vice. Leia a entrevista.

Qual a importância da escolha do vice para a formação de coligações?

As coligações são formadas com uma perspectiva de dupla natureza. A primeira é eleitoral – e, na verdade, a mais importante, porque vislumbra a disputa, sobretudo o tempo de TV na campanha. A segunda é o potencial apoio na Câmara, caso haja a eleição da chapa. Essa variável pesa em todos os níveis de disputa política, mas, ainda assim, o cenário da competição prevalece para a escolha do vice.

Como os partidos escolhem o vice e o que pesa? Quem escolhe, aliás, é o partido ou o candidato a prefeito na cabeça de chapa?

Em termos de procedimentos, todo partido define candidatos somente através das convenções, mas o processo que antecede a apresentação de nomes às convenções varia. Em linhas gerais, ocorrem escolhas entre pequenos grupos de lideranças onde, em boa medida, o candidato a prefeito tem a voz mais alta.

Por que a definição do vice costuma ser feita na véspera das convenções partidárias?

Aqui não há uma causa ou explicação especifica, mas esse tempo da escolha está associado ao tempo de avaliação da competição, durante o qual se avalia os contendores, a capacidade eleitoral dos possíveis nomes a escolher, onde acertos entre lideranças locais amadurecem, e ainda, a avaliação da própria força eleitoral do candidato a prefeito, tomada, por exemplo, através das pesquisas. Não é sem motivo que Serra cogita lançar uma chapa pura do PSDB. Na pesquisa IBOPE de maio ele contava com 31% das preferências. E isso, em sua avaliação, pode justificar uma chapa fechada no partido.

Por que os partidos das coligações lutam para indicara o candidato a vice? Isso é visto com mais importância do que receber outros cargos em secretarias e empresas municipais quando formam alianças?

A busca por cargos em nível local depende do volume de importância dos lugares a preencher. No caso de São Paulo, há empresas e autarquias com um grande volume de recursos políticos e financeiros, que interessam tanto quanto secretarias estratégicas. Assim, as coligações em São Paulo têm muito espaço para negociação, para além da vice-prefeitura.

O eleitor é influenciado por causa do vice? Deixaria ou passaria a votar em algum candidato por causa de seu vice?

A política municipal é muito próxima do eleitor. Nosso sistema de escolha personaliza a campanha e as referências que o eleitor toma em conta, levando a que a figura do candidato a prefeito, em geral, prevaleça na decisão do voto.

O candidato a vice deve ter ou não identidade política e ideológica com o candidato a prefeito que ocupa a cabeça de chapa? Eles necessariamente tem de ser parecidos ou é melhor apostar em alguém diferente que tenha diálogo com outro eleitorado? Como o eleitor percebe essas nuances, se forem de partidos ideologicamente opostos?

É muito difícil que haja combinações esdrúxulas em uma chapa eleitoral, mas o centro político-partidário paulistano é amplo, o arco de possibilidades de articulação é largo, e isso significa que os discursos e diálogos são muito semelhantes. É possível que candidatos de chapa atinjam eleitorados distintos. Mas isso se deve menos a distinções ideológicas e mais ao campo de ação dos políticos envolvidos, redutos específicos, categorias profissionais, segmentos sociais etc.

Como o fato de José Serra (PSDB) ter deixado o cargo de prefeito para concorrer ao Estado em 2006 e renunciado depois em 2010 para se candidatar a presidente da República aumenta as especulações sobre quem será o vice dele? Pode ser uma escolha mais decisiva do que em eleições passadas?

A questão será certamente lembrada durante a campanha pelos seus opositores, apontando o descompromisso com o voto do eleitor. No caso do Serra, a figura do vice será certamente mais central que para os demais, e é possível cogitar que uma chapa pura peessedebista esteja no cálculo do partido, por causa dessa possibilidade (de deixar o cargo). São Paulo – Estado e capital – são territórios políticos que o PSDB não pode e não quer perder.

Qual o papel do vice-prefeito durante a gestão? É um cargo “decorativo”, apenas de articulação política?

O que imprime o papel do vice é a natureza da gestão do prefeito eleito, o caráter centralizador, a importância conferida a determinados territórios da política local.

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