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‘Então morra’, diz prefeito de Manaus para moradora de área de risco

Armando Fávaro

21 de fevereiro de 2011 | 17h16

Liege Albuquerque

MANAUS, 21 – O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), discutiu nesta segunda-feira, 21, com uma moradora de uma comunidade onde, no domingo, 20, uma mulher e duas crianças morreram soterradas sob um barranco que desabou.

O prefeito dizia, em entrevista a uma rede de TV local, que as pessoas na comunidade Santa Marta, zona norte da capital, ajudariam a prefeitura “não fazendo casas onde não devem”, ao que uma moradora não identificada interrompeu: “Mas a gente está aqui porque não tem condição de ter uma moradia digna”. O prefeito respondeu: “Minha filha, então morra, morra”.

Depois, a moradora disse que, se era assim, “então vamos morrer todos”, ao que o prefeito questiona sua origem. Quando ela responde ser do Pará, ele encerra a discussão dizendo: “Então pronto, está explicado.”

A discussão foi ao ar na íntegra no jornal do meio-dia da TV Amazonas, repetidora da TV Globo.

A reportagem foi em busca da moradora que aparece no vídeo no início da tarde desta segunda. Moradores da comunidade afirmaram que ela, identificada como Maria, tinha saído para o trabalho e só deveria voltar à noite. A reportagem procurou, ainda, a assessora de imprensa da prefeitura, Celes Borges, que não retornou o telefonema. A assessoria da prefeitura informou, contudo, que a Defesa Civil Municipal está contando as pessoas na área de risco para providenciar casas alugadas.

Em 26 de novembro do ano passado, durante visita a Manaus do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mendes foi vaiado durante sua fala. “Nunca na minha vida sofri esse tipo de constrangimento. Se o Amazonino não tiver a aprovação do povo, vocês vão ter outro prefeito, porque eu vou sair. Eu vou mandar fazer uma pesquisa e se for negativa eu renunciarei o meu mandato”, disse o prefeito depois da vaia.

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