Em sessão tumultuada, Câmara de Vereadores de Campinas mantém prefeito Dr. Hélio no cargo
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Em sessão tumultuada, Câmara de Vereadores de Campinas mantém prefeito Dr. Hélio no cargo

Jennifer Gonzales

15 de junho de 2011 | 18h16

Jair Stangler, do estadão.com.br / CAMPINAS


Plenário da Câmara tomado por manifestantes pró e contra o prefeito. Foto: Jair Stangler/estadão.com.br

Em uma sessão tumultuada na Câmara Municipal de Campinas, os vereadores da cidade decidiram manter o prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), no cargo. Foram mais de três horas de discussão, muito barulho e até algumas brigas. No final, quando foi votado o requerimento do vereador Valdir Terrazan (PSDB), que pedia o afastamento do prefeito, a proposta do tucano recebeu 16 votos contra 15 – a proposta precisava de dois terços dos votos para ser aprovada.

O plenário, com capacidade para cerca de 350 pessoas, estava tomado. A maioria dos manifestantes pedia a saída do prefeito. Um pequeno grupo dentro do plenário da Câmara se manifestava a favor do Dr. Hélio e era hostilizado por pessoas do primeiro grupo e até por vereadores que os acusavam de receber dinheiro para apoiar o prefeito. Do púlpito, o vereador Antônio Francisco dos Santos (PMN), conhecido como “O politizador o Brasil”, puxava o coro: “Fora Hélio! Fora Hélio!”.

Do lado de fora, um grupo de pessoas acompanhava por um telão as discussões do plenário enquanto dois carros de som faziam um duelo. Um dos carros, do PDT, pedia “respeito” ao resultado das urnas e dizia que “já perderam uma vez e vão perder de novo” – tudo ao som da vinheta do plantão da TV Globo. No outro carro, oradores se revezam pedindo a saída do Dr. Hélio.

A administração do Dr. Hélio está em crise desde que surgiram as primeiras denúncias de corrupção na Sanasa, a companhia de saneamento da cidade. O esquema seria comandado pela primeira dama de Campinas, Rosely Nassim, que também era chefe de gabinete do Dr. Hélio. Outros secretários e autoridades também estariam envolvidos.

No dia 24 de maio, o vereador Valdir Terrazan (PSDB) propôs o afastamento do prefeito – no requerimento rejeitado pelo plenário na noite desta quarta-feira, 15. Antes, no dia 20 de maio, o vereador Artur Orsi (PSDB) protocolou pedido de abertura do processo de impeachment. A Comissão Processante que avalia o pedido de impeachment do Dr. Helio tem até o dia 21 de agosto para encerrar os trabalhos.

Veja como foi a sessão:

21h22 – 16 vereadores votaram a favor do afastamento, 15 votaram contra. Com isso, foi rejeitado o afastamento do prefeito, pois eram necessários votos de 2/3 dos vereadores de Campinas.

21h19 – Terrazan volta ao púlpito para reforçar que “a discussão não é jurídica. Queremos o afastamento temporário até que dure a Comissão Processante.” Segundo ele, o afastamento é para que não haja constrangimento para que se apure o caso.

21h17 – Elcio Batista (PSB) questiona Sellin: “O sr. pergunta qual a legalidade do requerimento? E eu pergunto: qual foi a legalidade quando meteram a mão na grana do povo?”

21h12 – Francisco Sellin (PDT), líder do governo, pede três minutos para defender a permanência do Dr. Hélio no cargo. Manifestantes voltam a pedir a saída do prefeito. Os poucos apoiadores do prefeito estão quietos.

21h07 – Requerimento que pede o afastamento do prefeito vai ser votado agora.

21h05 – Terrazan: “Não estou aqui para estar no palanque não. Estou aqui para denunciar atos de corrupção, atos gravíssimos! A Câmara ou sai daqui honrada ou sai daqui acabada!”

21h – Terrazan: “A barreira que estamos discutindo aqui é a barreira moral e ética, é a barreira jurídica. O presidente da Câmara já aceitou o requerimento, já está para ser votado. O advogado dele diz que eu não posso pedir afastamento em cima de lei municipal. Mas não foi em cima de lei municipal que eu pedi e não foi em cima de lei estadual. Foi em cima da Constituição! Não é em cima de lei orgânica, não é em cima de lei estadual. Talvez isso explique o desespero que está acontecendo aqui em plenário. Nós vamos discutir aqui o interesse público.”

20h56 – Vereador Valdir Terrazan (PSDB), autor do pedido de afastamento do prefeito que vai ser votado a seguir, está com a palavra.

20h52 – Segue a votação dos requerimentos e logo a votação do afastamento do prefeito deve entrar na pauta.

20h50 – Vereadora Leonice da Paz (PDT)  faz discurso inflamado a favor do prefeito e leva uma sonora vaia. Depois, a vereadora pede satisfações a pessoas do plenário que a vaiaram.

20h34 – “Agora nós sabemos porque a Sanasa aumentou tanto a tarifa de água. Foi para custear essa bandalheira na Sanasa”, diz o verador Artur Orsi, em aparte.

20h32 – A proposta de não pagar impostos ganhou aplausos no plenário. Apoiadores do prefeito não parecem se opor a proposta…

20h29 – Vereador Peterson Prado (PPS) cita “A Desobediência Civil”, de Henry Thoreau, e propõe que população pare de pagar impostos caso o prefeito não saia do cargo.

20h20 – Vereadores votam requerimentos.

19h56 – Sessão é retomada. Vereador Artur Orsi (PSDB), autor da proposta de impeachment do Dr. Hélio, defende proposta de aumento de 8% para servidor: “Se não tivessem roubado o dinheiro da administração pública, poderia ser de 20%, de até 30%!”

19h31 – Vereadores fazem uma pausa na sessão.

19h17 – Terrazan: “Nós não estamos pedindo cassação! Estamos pedindo o afastamento! Se, depois de tudo afastamento, ficar provado alguma coisa, aí sim nós cassamos. Mas por enquanto, nós pedimos o afastamento, para não ficar destruindo provas como estão fazendo. Espero que esta casa tenha juízo”

19h13 – Fala Valdir Terrazan (PSDB), autor do pedido de afastamento do prefeito: “Se nós não temos um executivo à altura da cidade, espero que tenha um Legislativo à altura. As pessoas que estão se manifestando tem todo direito de se manifestar, porque tem o direito de se manifestar, porque receberam lá as obras. Só que tem um detalhe: essas obras foram superfaturadas!”

19h09 – Élcio Batista (PSB): “Onde está o dinheiro do povo? Essa manifestação é espontânea!”

19h05 – Jairson Canário (PT) também defende o Dr. Hélio. Ouve um “Fora! Fora!” da parte dos que pedem a saída do prefeito. Segundo ele, “quando o Ministério Público apontar e provar, eu voto pela cassação. Mas enquanto isso, eu não vou cometer injustiça. Não tem prova contra o prefeito. Eu não sou piolho para votar com a cabeça dos outros.” “Piolho! Piolho!”, respondem os manifestantes.

19h – Josias Lech (PT) é o primeiro a falar a favor do prefeito. Diz que a proposta de afastamento do Dr. Hélio é inconstitucional. A defesa do prefeito se baseia no fato de que não há nenhuma acusação do Ministério Público “Eu não tenho medo de defender um projeto de sociedade. Que é o projeto de Dilma Rousseff e do Dr. Hélio aqui em Campinas.”

18h49 – É quase impossível entender o que dizem os vereadores, os manifestantes pró e contra o Dr. Hélio não param um minuto sequer. Os ânimos estão exaltados – por vezes há princípio de briga e  frequentemente o presidente da Casa precisa pedir silêncio ou tocar a campainha. A Guarda Municipal se posiciona para conter qualquer tumulto.

18h41 – Biléo Soares, líder do PSDB, em referência à acusação de pagamento para os apoiadores do Dr. Hélio: “Judas traiu Jesus Cristo por 30 moedas!”

18h39 – Vereador Élcio Batista (PSB) faz um aparte: “Corrupto a gente tem que por num camburão e mandar para o Mato Grosso”

18h36 – Sebá Torres (PSB) sobe ao púlpito para defender o afastamento do prefeito. “Dr. Hélio não é mais o prefeito de Campinas!”

18h31 – Arly de Lara Romeo (PSB) pede o afastamento do prefeito “pelo bem e moralidade de nossa cidade”.

18h25 – Houve um princípio de confusão, após o que o presidente da Casa, Pedro Serafim (PDT), ameaçou encerrar a sessão caso os manifestantes não se acalmassem.

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