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Para acomodar ‘bloquinho de esquerda’, Kassab pode mexer em secretariado

Armando Fávaro

22 de novembro de 2010 | 15h20

André Mascarenhas

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, almoçou hoje com líderes do PSB, PC do B e PDT para discutir seu futuro político e o apoio desses partidos à consolidação de uma “terceira via” política no Estado que se contraponha à polarização entre PT e PSDB. Para acomodar os novos aliados, Kassab teria sinalizado com uma reformulação em seu secretariado a partir de janeiro.

As assessorias do deputado federal Aldo Rebello (PC do B) e dos presidentes paulistas do PSB, Márcio França, e do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, confirmaram a reunião, sem dar detalhes do encontro. O próprio prefeito paulistano, ao ser questionado sobre o compromisso, desconversou e disse que discutiria “assuntos da cidade” com os líderes partidários.

Conforme afirmou um interlocutor do grupo político – que pediu para não se identificar -, para escapar da polarização entre PSDB e PT em São Paulo, Kassab estaria não só disposto a liderar políticos de PSB, PC do B e PDT como também adiantou que se filiará ao PMDB no ano que vem.

De acordo com outra fonte com acesso ao teor das conversas, o almoço de hoje é o primeiro de uma série de encontros programados para os próximos meses. Nele, Kassab deixou clara sua disposição em compor um bloco de centro-esquerda com os três partidos com vistas às eleições de 2012 e 2014. Ainda segundo a fonte, Kassab garantiu estar com “um pé no PMDB” e disse esperar uma “reforma política” no início do ano que vem para mudar de partido sem correr o risco de ter o mandato cassado por infidelidade partidária.

O prefeito afirmou ainda que está “equidistante” com relação a PT e PSDB, o que lhe capacitaria a recompor forças com mais facilidade. “É uma mudança que certamente vai chacoalhar muitas prefeituras no Estado”, observou França, prevendo uma debandada de quadros do PSDB e do DEM para um futuro PMDB com Kassab.

Câmara Municipal. Segundo interlocutores do prefeito ouvidos pelo Radar Político, a discussão do futuro político de Kassab passa pela disputa da Mesa Diretora da Câmara Municipal, que esquentou nos últimos dias depois que Kassab anunciou apoio ao candidato do PSDB, vereador José Police Neto. Com a manobra, Kassab deve conseguir viabilizar o tucano, para desespero de membros de seu atual partido, o DEM, que articulam o nome do vereador Milton Leite para o cargo.

“É para discutir o futuro dele [Kassab], o que inclui a Mesa Diretora da Câmara”, disse um aliado do prefeito em relação às conversas de hoje com líderes dos três partidos. De saída do DEM, Kassab tenta com o apoio ao candidato do PSDB fazer uma demonstração de força política e, ao mesmo tempo, ter alguém de sua confiança na presidência da Câmara. O PC do B, de Aldo Rabello, já teria fechado apoio ao prefeito.

Nos bastidores, o que se calcula é que a vitória de Milton Leite tornaria a vida de Kassab na Câmara mais difícil. Embora o vereador seja do mesmo partido do prefeito, a relação de Kassab com o DEM se deteriorou nas últimas semanas, depois que vieram à publico suas articulações para ingressar no PMDB. Além disso, Milton Leite é o candidato do chamado “centrão”, grupo que acumula grande poder dentro da Câmara Municipal e que poderia impor derrotas ao prefeito na Casa.

“É melhor para o Kassab lidar com esse grupo do que com o grupo do centrão. Eles são muito duros”, disse um interlocutor de tucanos na Câmara, em referência à aproximação entre Kassab e os partidos de esquerda.

Nas últimas semanas, o prefeito tem articulado sua saída do DEM com o objetivo de se viabilizar candidato ao governo de São Paulo em 2014. Pelos cálculos do prefeito, sua permanência no DEM tornaria esse plano inviável, já que o vice do governador eleito Geraldo Alckmin, candidato natural à reeleição, é Afif Domingos – uma das principais lideranças do DEM em São Paulo.

Colaborou Rodrigo Alvares

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