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Na TV, Campos e Marina se apresentam como ‘filhos da esperança’

Lilian Venturini

27 Março 2014 | 21h32

Isadora Peron e Ana Fernandes

Ex-ministros do governo Lula, Eduardo Campos e Marina Silva se apresentaram, nesta quinta-feira, 27, ao Brasil como os “filhos da esperança” durante o programa do PSB em rede nacional de rádio e TV. Como previsto, o pré-candidato à Presidência da República da legenda, o governador de Pernambuco buscou unir sua imagem à da ex-senadora, que teve mais de 20 milhões de votos na eleição presidencial passada e deve ser anunciada vice da chapa em abril.

A peça apostou em um formato em que Campos e Marina ficaram sentados frente a frente, em um ambiente montado como uma sala de estar. Os dois completaram as ideias e frases um do outro ao longo do programa, que durou dez minutos.

Desde o início, ficou clara a estratégia de ligar os dois, numa tentativa de transferir a intenção de voto de Marina para Campos. Hoje, ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Dilma e do senador tucano Aécio Neves.

“Marina, você sabe que você e eu somos filhos da esperança” – foi a primeira frase de Campos, na abertura, e repetida no início do bate-papo entre eles.

O programa alinhou as histórias pessoais, de Marina no Acre e de Campos em Pernambuco, e buscou aproximar os discursos que podem parecer antagônicos: o dela pela sustentabilidade e o dele pelo desenvolvimentismo.

O pessebista reverenciou a provável futura companheira de chapa, destacando que ela recebeu mais de 20 milhões de votos na última eleição presidencial e abrindo espaço para ela falar da sua legenda Rede Sustentabilidade.

Outro ponto central do programa partidário foi trazer críticas diretas ao governo Dilma Rousseff.Sem fazer críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos disseram que Dilma Rousseff não fez o que se esperava dela à frente do governo. A dupla faz críticas à política econômica adotada desde 2011 e à forma de Dilma governar.

Campos afirmou que o País “vinha melhorando” desde o governo Itamar Franco, que o governo Lula “cuidou de preservar” os avanços econômicos, mas que “de 2011 para cá, começamos a ver as coisas não darem certo”.

“Ela teve a oportunidade de chegar à Presidência da República, de receber um legado do presidente Lula, com quem nós trabalhamos, e ela poderia ter feito pelo Brasil aquilo que ela se comprometeu a fazer, que era seguir melhorando o Brasil, e não desmanchar o que estava feito”, disse Campos.

“Governante que não ouve, dá as costas para o povo”, complementou Marina em uma alusão direta ao perfil centralizador de Dilma e às críticas de pouco diálogo da presidente com políticos e com o mercado.

Campos afirma que ela é a responsável pela desvalorização da Petrobrás.”Eu que vi em 2010 a presidente Dilma dizer que ia defender a Petrobrás, que seu adversário ia privatizar a Petrobrás, e ver três anos depois ver a Petrobrás valer metade do que valia”, afirmou Campos.

Um tema caro à ex-ministra do Meio Ambiente também teve espaço na propaganda: a necessidade de se investir em meios de produção de energia renováveis. No vídeo, Campos afirma que é um contrassenso importar óleo diesel para abastecer as termoelétricas, quando poderia haver investimentos em energia eólica e solar. Marina, por sua vez, lembra que o País tem “uma das maiores áreas de insolação do mundo”.

Campos termina o vídeo usando uma metáfora futebolística para convocar o cidadão brasileiro a “entrar em campo” e ajudar a fazer um “Brasil campeão”. “O povo brasileiro já sabe o que quer. Quer mudar. Ainda não sabe que estamos juntos para ajudar nessa mudança”, disse.