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Em meio a crise, caciques tucanos afinam discurso em São Paulo

Armando Fávaro

06 de maio de 2011 | 07h00

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

SÃO PAULO – Prestes a realizar mais uma importante convenção sem um consenso claro sobre a divisão dos cargos na executiva estadual, caciques do PSDB de São Paulo procuraram demonstrar unidade por ocasião do lançamento de um livro em homenagem a Mário Covas nesta quinta-feira, 5, na capital. Apesar do impasse, os dirigentes utilizaram a mesma linguagem para assegurar que o partido está unido em torno de um projeto nacional.

Líderes de grupos antagônicos dentro do partido, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o ex-governador José Serra tinham na ponta língua os êxitos tucanos das eleições de 2010. Próximo a Serra, o senador Aloysio Nunes Ferreira também não deixou de fazer referência ao capital eleitoral do partido. Em todos os discursos, o subtexto era o mesmo: as disputas internas são um processo natural, que apenas fortalecem o PSDB.

A eleição de oito governadores, os 44 milhões de votos obtidos por Serra e a vitória em 11 estados do candidato tucano foram lembrados pelos três caciques, e reforçados por “peixes” menores que circularam pelo Museu da Casa Brasileira, onde foi realizado o evento. O objetivo era reforçar a ideia de que, apesar das divergências, o PSDB é um partido forte, de bons quadros e que sempre obteve vitórias no Estado.

“Nós elegemos o maior número de governadores do País. Oito governadores. Foi o partido que mais elegeu governadores. Nosso candidato à Presidência da República teve mais de 44 milhões de votos. Ganhou a eleição em 11 estados brasileiros”, afirmou Alckmin ao ser questionado sobre o momento turbulento por que passa a legenda. “Elegemos oito governadores, tivemos 44 milhões de votos. Representamos uma parcela grande da população brasileira”, disse Serra noutra ocasião.

“O PSDB de São Paulo é um partido vitorioso, que só ganha eleição, um partido que elegeu de novo o governador Alckmin, que me elegeu senador, que deu a vitória a Serra (no Estado) e que elegeu uma grande bancada de deputados”, reforçou Aloysio num momento distinto.

De acordo com um secretário de Alckmin, a ênfase nas vitórias da legenda não é mera coincidência. “Eles, evidentemente, afinaram o discurso”, assegurou.

Convenção. Apesar do tom de unidade, tucanos que participaram do evento admitiram que permanece incerta a composição do novo diretório estadual da sigla. Segundo membros do governo paulista, Alckmin e Serra trabalham nos bastidores para que o partido caminhe com uma chapa única para convenção do próximo sábado, 7. Não há nenhuma garantia, no entanto, de que o atual secretário-geral do partido, Cesar Gontijo, retire sua candidatura à reeleição para atender à reivindicação da bancada dos deputados federais, que quer emplacar um dos seus no cargo.

Enquanto os parlamentares argumentam que aceitam a indicação de seus colegas estaduais, que ungiram o deputado Pedro Tobias para a presidência, desde que o deputado federal Vaz de Lima seja apoiado para a secretaria geral, Gontijo trabalha para se manter no cargo. Nesta quinta, ele fez circular entre os integrantes do partido e-mail com pedido de votos para sua candidatura na convenção.

O próprio Alckmin não exigiu que Gontijo retirasse sua candidatura. “O governador não está fomentando a candidatura, mas também não falou para ele desistir”, disse um tucano próximo a Alckmin.