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Em entrevista, Dilma diz que o Irã ‘controla armas nucleares’

Camila Tuchlinski

12 Maio 2010 | 11h25

Por Bruno Siffredi

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu nesta quarta-feira, 12, a posição do Brasil em relação ao Irã, mas cometeu uma gafe ao afirmar que o país islâmico “controla armas nucleares”. A ex-ministra lembrou que o governo brasileiro se opôs à invasão do Iraque e disse que, além da questão humanitária, existe também um interesse estratégico brasileiro em relação ao Irã.

Dilma participou nesta quarta-feira do Painel RBS, em Porto Alegre (RS), onde lembrou que, no Iraque, “não havia armas de destruição em massa”, argumento utilizado pelos EUA para justificar a operação militar no país, “e hoje você tem uma região conflagrada”. Segundo a petista, Lula justificou na época sua oposição à invasão norte-americana afirmando que “sua guerra era contra a fome”.

“A posição do Brasil de prudência em relação ao Iraque se mostrou acertada”, observou Dilma. A ex-ministra então explicou que, no caso do Irã, além da preocupação com a  questão humanitária, a “civilização” iraniana tem características diferentes da iraquiana.

“O Irã não é uma civilização como a iraquiana, é um país com mais de setenta  milhões (de habitantes), controla armas nucleares e tem de fato um posicionamento internacional que naquela região é expressivo.”

Em seguida, a petista elogiou os esforços internacionais contra a proliferação armas nucleares, mas defendeu o uso de energia atômica para fins pacíficos. “Abandono das armas e uso pacífico da energia nuclear é bom para o mundo inteiro.” Dilma disse também que o governo não apoia “o posicionamento do Irã sobre o extermínio dos judeus”. “Você conversa com uma pessoa e não necessariamente precisa adotar o ponto de vista dela”, explicou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Irã no próximo dia 16. Ele embarca nesta quarta-feira, às 18 horas, para a viagem de uma semana, na qual vai visitar também Rússia, Catar, Espanha e Portugal.

Os EUA e seus aliados suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas secretamente, apesar do governo de Teerã insistir no caráter pacífico das suas atividades de enriquecimento de urânio.

Combate às drogas

A pré-candidata do PT excluiu a possibilidade de utilizar as Forças Armadas no combate ao narcotráfico, mas disse que “o combate tem que ser duro”.

Referindo-se principalmente ao crack, Dilma disse que a Polícia Federal e as forças de segurança públicas têm que “identificar o território da guerra”. Segundo a petista, esse território vai “do atacadão pro varejinho”. A ex-ministra  também defendeu campanhas de prevenção, porque a situação é “dramática”

“Você desmantela o crack, prende o viciado e, depois de solto, ele volta para a droga”, observou.

 

Update 19h43:  À noite, o site oficial da candidata omitiu o trecho em que ela fala que o Irã controlar armas. No site, a declaração dela ficou assim: “Assisti à questão do Iraque e lembro que, naquela época, o presidente [Lula] disse: a minha guerra é contra a fome e não concordo com guerra no Iraque. A prudência do Brasil se mostrou acertada. Não havia armas de destruição em massa. O Irã tem mais de 70 milhões de pessoas, e naquela região ele tem papel significativo. A posição do Brasil é que não é bom quando se isola uma pessoa, um país ou um movimento social. Deve-se estabelecer um canal de diálogo, e isso ajuda a colocar algumas exigências. Vi duas manifestações do presidente contra as armas nucleares e contra a posição do Irã de extermínio dos judeus”.

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