Dirceu afirma que ‘nunca fez parte nem chefiou quadrilha’
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Dirceu afirma que ‘nunca fez parte nem chefiou quadrilha’

Bruno Siffredi

22 de outubro de 2012 | 20h13

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) postou em seu blog há pouco um texto em que afirma: “Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.” Ele protesta contra a decisão tomada nesta segunda-feira, 22, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou por formação de quadrilha. “Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal de me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.”

Alega que sua condenação se deu com base em indícios, apenas. “Assim como ocorreu há duas semanas (quando condenado por corrupção ativa), repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.”

“Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos”, escreve José Dirceu. “Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.”

O ex-ministro afirma, ainda. “Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.”

“Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério”, afirma. “As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário. Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.”

Segundo ele, “o que está em jogo são as liberdades e garantias individuais”. “Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.”

José Dirceu disse que vai continuar sua luta. “Para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.”

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