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“Eleitor olhou para políticas públicas”, diz cientista político

Dennys Antonialli

28 de outubro de 2012 | 19h55

O Estado de S.Paulo

O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, destacou que, nestas eleições municipais, “o eleitor olhou para as políticas públicas”. “Há todo um rol de serviços, que talvez não sejam tão importantes para alguns setores da classe média mas que para a massa, são”, afirmou. Segundo Melo, esse fator foi decisivo para a repercussão do julgamento do mensalão não ter implicado a derrota do PT em São Paulo. “Não se trata de a questão do mensalão não ser importante, mas na eleição municipal, é importante discutir as políticas públicas; ninguém pode condenar o eleitor por votar de acordo com os seus interesses”, afirmou.

Para Melo, o apoio da presidente Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura de Fernando Haddad (PT) foi decisiva para que ele, inicialmente fraco nas pesquisas, chegasse ao segundo turno. No entanto, ultrapassada esta etapa, a rejeição de José Serra (PSDB) foi um dos fatores determinantes para a vitória do candidato do PT.

Melo atribuiu o alto índice de abstenção – de 20%, ou 1.626.841 votos – a um certo cansaço do eleitor paulistano da polarização entre PT e PSDB. Ao ser questionado sobre se o Brasil não tem vocação para seguir o modelo político polarizado, tradicional em diversos países desenvolvidos, como os EUA, o cientista político destacou que a democracia brasileira é muito jovem para que seja possível estabelecer este tipo de comparação. “Nossa série histórica é muito pequena; temos regularidade eleitoral de 1994 para cá”, disse.

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