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Eleições em SP: PSDB e PT têm ‘calcanhar de Aquiles’, diz presidente do PT-SP

Lilian Venturini

13 Janeiro 2014 | 11h42

Pedro Venceslau

Definida como a principal prioridade do PT em 2014 depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, a disputa pelo governo paulista promete ser um capítulo à parte na história das eleições deste ano.

Os prováveis operadores da disputa pelo governo paulista em 2014, os presidentes estaduais do PT, PSDB e PMDB prometem não usar na campanha os casos do mensalão, esquema de compra de apoio parlamentar no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, e as investigações sobre o cartel no metrô paulista em gestões tucanas.

Abaixo, trechos da entrevistas com Emídio Souza, presidente do PT-SP:

O governador Geraldo Alckmin espera contar com o maior arco de alianças em sua campanha pela reeleição. Quantos partidos devem estar no palanque de Alexandre Padilha em 2014?
De 2010 para cá, o Alckmin perdeu o (Gilberto) Kassab, o PMDB e outros aliados importantes. Nossa base em São Paulo é a mesma da Dilma nacionalmente, com respeito às individualidades do PMDB e do PSD. Fora esses dois, estamos conversando com todos os demais: PR, PP, PDT, Pros, PCdoB. Estamos conversando inclusive com os partidos da base aliada da Dilma que estão no governo do Alckmin: PRB e PTB.

A eleição de São Paulo será a segunda prioridade do PT nacional em 2014?
Será. A eleição é importante em si e também para a eleição nacional. Portanto está elevada ao grau de prioridade dentro do partido. Os anos do PSDB em São Paulo chegaram ao nível do esgotamento. Os números falam por si.

Quais números?
Não podemos nos conformar com um Estado que constrói 1,7 km de metrô por ano. Também não podemos aceitar os níveis de violência de São Paulo. Não conseguiremos superar os problemas do Estado sem uma mudança de concepção. O PSDB se esgotou aqui. Pegue o exemplo do caso do Rio Tietê. Faz 20 anos que eles começaram a despoluição. Consumiram alguns bilhões de reais. O que isso significou. Essa decantada eficiência do PSDB à frente do Estado não existe.

Acredita que o julgamento do mensalão será explorado pelos adversários?
Nós já vencemos eleições depois do mensalão. As pessoas sabem que o PT é um partido que chegou no poder e fez mudanças importantes na vida das pessoas. Fizemos em um década. Não tivemos duas, como eles tiveram em São Paulo. São Paulo é um Estado veloz, mas o PSDB é lento no governo. O governador não exerce a liderança que devia no plano nacional.

O PT pretende explorar o caso Siemens, sobre a formação de cartel no Metrô e CPTM?
As denúncias são problema de polícia. O Ministério Público precisa agir em São Paulo com o mesmo rigor que agiu em relação ao PT, mas a campanha do Padilha não será para denunciar ninguém. O caso do cartel pode prejudicar o PSDB assim como a Ação Penal 470 (mensalão) pode nos prejudicar. O PSDB tem o calcanhar de Aquiles deles e nós temos o nosso.

O PT e o PMDB, que lançará Paulo Skaf ao governo, farão um pacto de não-agressão na campanha?
Da nossa parte não haverá agressão a ninguém, muito menos em relação a um partido aliado como o PMDB. Temos diferenças em relação a ele e vamos apresentá-las.

Paulo Maluf é um aliado desejável na campanha?
Todos que estão na aliança da presidente Dilma são aliados desejáveis. Ele ajudou na campanha da Dilma e do Fernando Haddad. Esperamos que ajude do Padilha a ser governador do Estado. Já estivemos juntos em outras ocasiões.

A decisão do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de aumentar o IPTU pode prejudicar a campanha do Padilha? Ele está isolado no partido?
Haddad está no primeiro ano de mandato. É uma pessoa séria. Não queremos confronto com ele.

Quais são os pontos fortes e fracos da candidatura do Padilha?
O ponto forte é ser um sujeito jovem, astuto, ousado e dinâmico. O paulista é assim. O ponto fraco é o desconhecimento. O povo de São Paulo ainda não conhece ele.

E do Geraldo Alckmin?
O ponto forte é ele estar na máquina há muito tempo. O ponto fraco é estar há tanto tempo sem resolver os problemas. É a lentidão.

E do Paulo Skaf?
O ponto forte é estar no comando da Fiesp, que tem junto dela uma grande estrutura. O fraco é a capilaridade, que ele não tem. Skaf também pode ser o candidato de uma nota só: reduzir imposto, reduzir imposto…Precisamos de gente com visão mais completa.

O Mais Médicos será mote de campanha?
Sim, mas não só isso. Padilha sempre manteve uma relação boa com os prefeitos.

O PT aceitará que Dilma e Lula subam em outros palanques aliados em São Paulo ou apenas no do Padilha?
É natural que a presidenta suba em palanques de candidatos que apoiam ela. Temos compreensão e maturidade para isso. Já o Lula não é candidato a nada.

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