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Eleições em SP: ‘Não usaremos o mensalão’, diz presidente do PSDB-SP

Lilian Venturini

13 Janeiro 2014 | 11h49

Pedro Venceslau

Definida como a principal prioridade do PT em 2014 depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, a disputa pelo governo paulista promete ser um capítulo à parte na história das eleições deste ano.

Os prováveis operadores da disputa pelo governo paulista em 2014, os presidentes estaduais do PT, PSDB e PMDB prometem não usar na campanha os casos do mensalão, esquema de compra de apoio parlamentar no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, e as investigações sobre o cartel no metrô paulista em gestões tucanas.

Abaixo, trechos da entrevistas com Duarte Nogueira, presidente do PSDB-SP:

Essa será a eleição mais difícil do PSDB em São Paulo?
Não acho que será a mais difícil. O PSDB já enfrentou momentos mais difíceis no período do Mário Covas e na eleição do Geraldo Alckmin em 2002. Naquele ano o PT estava na crista da onda, mas nos últimos 12 anos o partido se desgastou muito. Está em um baixo astral.

O PSDB está no poder há 20 anos. Isso não causa fadiga de material?
Democracia não é rotatividade. São Paulo sempre foi melhor a cada eleição que escolheu o PSDB. Isso não aconteceu com o PT nacionalmente, nem na prefeitura paulistana. O eleitor escolheu um poste, mas acabou elegendo o aumento do IPTU e o caos municipal.

Com quais partidos o governador deve contar em sua campanha pela reeleição?
É claro que até junho todo mundo vai conversar com todo mundo, mas já temos mais de uma dúzia de partidos alinhados com o governador Geraldo Alckmin. Não tenho dúvida que ele terá o maior número de alianças.

Como estão as conversas com o PP do Paulo Maluf?
Estão indo muito bem. Conversamos longamente com os três deputados que assumiram o comando partidário. Eu mesmo falei com o presidente (nacional do PP) Ciro (Nogueira) recentemente. Estamos conversando. Há um sentimento de muito empenho e vontade da direção partidária em São Paulo de caminhar com o governador Geraldo Alckmin.

A presença do ex-governador Paulo Maluf no palanque atrapalha ou ajuda na campanha?
Ele próprio sinalizou que abriu o espaço para que uma nova geração toque o PP. Ele deve ser alinhar com o que o partido decidir

Quais são os pontos fortes e fracos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), eventual adversário de Alckmin em 2014?
Na política a gente não avalia ou escolhe adversários. Não farei julgamento prévio de um potencial adversário nosso.

Teme que as denúncias de formação de cartel no Metrô de São Paulo e as suspeitas de propina para dirigentes do sejam usados contra o PSDB na campanha no Estado?
Esse caso será usado por nossos adversários. Ele foi criado por eles com o aparelhamento do Estado e o apoio do ministério da Justiça e do Cade, que é presidido por um petista. O PSDB e o governo paulista são vítimas de um eventual cartel. O partido já enfrentou dossiês falsos lá atrás. A população saberá separar o que é luta política e o que são fatos concretos.

O julgamento do mensalão estará presente na publicidade eleitoral do PSDB em 2014?
O caso do mensalão foi o maior escândalo de corrupção que o Brasil, mas o PSDB não o está usando como bandeira política para caricaturar adversários, como nossos adversários fazem. Não usaremos o mensalão como instrumento a nosso favor.

O caso do mensalão mineiro preocupa?
Não há nenhum problema que o PSDB não possa enfrentar, doa a quem doer. Se companheiros filiados ao nosso partido cometeram irregularidades, eles serão julgados com a mesma lei que deve caber para qualquer pessoa.

A eventual presença intensa do ex-presidente Lula na campanha do Padilha em 2014 preocupa o PSDB?
Muito pelo contrário. Se um candidato precisa tanto do apoio de um ex-presidente para se viabilizar é porque não estão tão forte. Ele fez muita campanha quando presidente para a prefeita Marta Suplicy, mas ela perdeu a eleição. O peso do Lula não é tão grande quanto se imagina.

Espera que o governador seja o alvo de todos os candidatos na campanha em 2014?
Em 2010 eram seis contra Alckmin, mas ele venceu.

O que acha do programa Mais Médicos, que deve ser uma “vitrine” da campanha de Padilha em São Paulo?
Acho um programa, mas ele isoladamente não melhora em nada a vida do Brasil. A tabela SUS está defasada, fecharam 3.500 leitos nos últimos três anos. As Santas Casas e entidades filantrópicas estão todas abandonadas.

O PSDB está muito próximo de fechar uma aliança em são Paulo com o PSB do governador Eduardo Campos, provável candidato ao Palácio do Planalto em 2014. Isso não pode criar uma situação difícil para o senador Aécio Neves?
É cogitado que o PSB esteja na nossa chapa majoritária. Não vejo problema algum. Conversei recentemente com o senador Aécio. Ele também não acha isso nem um cavalo de batalha. Essa engenharia pode acontecer em outros estados. Quem é do PSDB faz campanha para o Aécio, que é do PSB faz para o Campos.

Espera que a candidatura do Paulo Skaf, presidente da Fiesp, ao governo paulista, será muito crítica ao governador Alckmin?
O avanço da candidatura dele depende do fracasso da candidatura do PT.