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Eleição em São Paulo tem maior abstenção desde 1992

João Coscelli

28 de outubro de 2012 | 20h29

Felipe Tau e Luciano Bottini Filho, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O segundo turno para prefeito de São Paulo teve o maior índice de abstenção desde que a eleição municipal passou a ter dois turnos, em 1992, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um total de 1.722.880 eleitores deixou de comparecer às urnas, o equivalente a 19,99% do eleitorado. O último recorde foi no primeiro turno de 2012, com 18,48% do eleitorado ausente. Antes das eleições de 2012, o máximo de abstenção já registrado foi no segundo turno de 1996, com 18,11%. Na época, havia 6.765.407 eleitores na cidade de São Paulo, contra 8.619.170 atualmente.

Até 1996 não havia urna eletrônica em todos os municípios do Brasil, de acordo com o TSE, e os índices de abstenção são mais fiéis a partir das eleições para prefeito em 2000, quando todas as cidades do País contavam a tecnologia.

Insatisfação. Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), a taxa recorde de abstenção reflete o descontentamento do eleitor com a histórica polarização entre PT e PSDB na cidade de São Paulo.

“Acho que é muito mais um recado de insatisfação do eleitor com as duas candidaturas do que simplesmente o fato de que o eleitor não quis votar. Tem aí, creio eu, uma certa insatisfação que já se detectou no primeiro turno, quando você teve aquele susto com o Russomanno (Celso Russomanno, do PRB, liderou as pesquisas de intenção de voto durante boa parte da campanha e caiu de forma acentuada a uma semana do pleito). O eleitor acabou não ficando satisfeito com a polarização e resolveu se eximir do processo eleitoral”, acredita Teixeira.

Brancos e nulos. As eleições deste domingo, 28, na cidade de São Paulo, tiveram também o segundo maior número de votos nulos e brancos desde que começou a série histórica, em 2000. Nesse ano, os votos brancos passaram a ser excluídos da relação de votos válidos, como ocorre hoje. O maior porcentual já registrado seguindo esse padrão foi no primeiro turno deste ano, com 5,43% de votos em branco e 7,35% de nulos. No segundo turno, foram 4,34% em branco e 7,26% nulos.

O maior número de votos em branco em uma eleição municipal em São Paulo foi verificado em 1988, com 12,90%, e de nulos , em 1992, com 11,16%. Desde uma lei de 1997, os votos em branco deixaram de ser incluídos entre os votos válidos, passando a ficar de fora como os votos nulos. O maior número de votos em branco foi em 1988, com 12,90% e de nulos, em 1992, com 12,55%.

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