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Dirceu diz que apoio de Kassab ao governo ‘é bem-vindo’

Armando Fávaro

01 de março de 2011 | 18h11

André Mascarenhas, do estadão.com.br

O ex-ministro José Dirceu (PT) mostrou otimismo nesta terça-feira, 1º, com a possível migração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para a base aliada do governo federal, e disse ver as movimentações como legítimas e bem-vindas.

“Faz parte da vida dos partidos políticos. Se ele [Kassab] sair do DEM e constituir um partido que venha a apoiar o governo, é bem-vindo”, disse Dirceu ao ser questionado sobre os planos do prefeito de fundar um novo partido como fórmula para deixar o DEM sem incorrer em infidelidade partidária. Segundo interlocutores, Kassab tem por objetivo fundir seu novo Partido da Democracia Brasileira (PDB) ao PSB, aliado ao governo Dilma, para poder concorrer ao governo de São Paulo em 2014.

Para o petista, no entanto, o flerte do Kassab com o PSB não implica necessariamente em uma aliança do PT com o prefeito nas próximas eleições. Questionado se o PT comporia com Kassab, que planeja concorrer com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014, Dirceu foi enfático: “O Gilberto Kassab sabe que ter o apoio do PT em 2014 não é verossímil em 2011.”

Para ele, o PT tem condições de derrotar o PSDB na próxima eleição ao governo do Estado. “É improvável que o PT não tenha candidato a governador. Acredito que o PT terá todas as condições de eleger o governador”, argumentou o ex-ministro. “Quer apoiar o governo? Aí é outra questão”, acrescentou.

Ao defender a reforma política, Dirceu criticou a criação de uma janela de infidelidade para permitir a mudança de partido sem que a Justiça casse o mandato dos infiéis. O ex-ministro argumenta, entretanto, que o caso de Kassab é diferente. “O Gilberto Kassab, legitimamente, quer criar outra legenda, porque ele não consegue mais conviver dentro do DEM”, afirmou.

Respeito. Para Dirceu, Kassab não busca apenas acomodação política para 2014. “Criar partido, a legislação permite. E acho que ele [Kassab] está criando por divergências políticas e programáticas também. Não é só para buscar espaço político”, ponderou.

E, embora veja como inverosímil uma aliança com o prefeito, o ex-ministro não poupou elogios ao provável futuro companheiro de governo. “Conhecendo o Gilberto Kassab, não acredito que seja só isso [concorrer contra Alckmin]. Não podemos desqualificar o Kassab. Posso ter divergências, mas tenho o maior respeito por ele.”