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Dirceu diz que Casa Civil ‘é ilha’ de profissionalismo no serviço público

Armando Fávaro

01 de março de 2011 | 17h28

André Mascarenhas

Em seminário com economistas e executivos em São Paulo, o dirigente petista José Dirceu defendeu nesta terça-feira, 1º, a reforma política e do Estado brasileiro como alavancas para o crescimento do País. Para o ex-ministro da Casa Civil, “qualificar o serviço público, transformar o serviço público em serviço de carreira, remunerar o serviço publico cada vez mais” são a única forma de garantir a governabilidade.

“Se o Brasil não tem uma burocracia civil e um serviço público capaz de planejar o País, dirigir, executar, controlar, não tem uma estrutura de gestores e assessores altamente qualificados, evidente que nosso [presidente] não vai ser capaz de dirigir ou governar o País”, disse Dirceu.

Deputado cassado por conta do escândalo do mensalão, desencadeado quando ainda ocupava a Casa Civil, o ex-ministro classificou a pasta como uma das “ilhas” de excelência no serviço público federal. “Os núcleos estratégicos do Estado, como o BC (Banco Central) é exemplo, o MP (Ministério Público) é exemplo, o ministério da Fazenda, o Itamaraty, a Casa Civil, foram transformados em ilhas, mas precisam consolidar isso”, afirmou.

Além do mensalão, a Casa Civil, sob o governo Lula, protagonizou pelo menos outros dois escândalos, como o caso Waldomiro Diniz e a articulação de lobby por parentes da ex-ministra Erenice Guerra. Saiba mais aqui.

Reforma política. Dirceu também defendeu no seminário a reforma política, com voto distrital, em lista ou distrital misto, além do financiamento público de campanha. Segundo ele, “o poder econômico cada vez mais dirige” o sistema político brasileiro.

“O Brasil não tem opção: ou adota o voto em lista, ou o voto distrital misto”, disse ele, que acrescentou defender “historicamente dentro do PT o voto distrital misto”.

O ex-ministro apontou ainda uma saída para o domínio do poder econômico sobre o político: o financiamento público de campanha. “O financiamento publico custa R$ 1 bilhão. Podem ter certeza que vai custar 10% do que custa hoje. Vai ficar bem mais em conta”, disse. “O Brasil é único pais em que cada candidato [a deputado] faz uma campanha. Cada campanha custa três, quatro ou cinco milhões de Reais. Se tem mil candidatos, é só fazer as contas.”

Reulação da mídia. Como tem feito em seu blog e em outras palestrar, Dirceu voltou defender nesta terça-feira a regulação dos meios de comunicação. “Por que é necessária a regulação da mídia? Porque ela é poder politico”, afirmou o ex-ministro. “O Brasil precisa ter coragem para discutir essa questão da mídia.”

Citando como exemplo os Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, Dirceu afirmou que o Brasil é o “único país desenvolvido” que “não tem sua mídia regulada”. E argumentou que a regulação não implica censura à imprensas. “Faz parte da democracia. Ninguém está propondo a censura ou a imprensa estatal, mas que haja regulação, pluralismo e democratização da informação, como há em todos os países”, asseverou. “Estamos propondo que o Brasil discuta [a regulação] sem medo, sem o preconceito de que é censura. Não é censura, até porque nós lutamos contra a censura.”

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