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Dilma reforça que ‘estadista não faz acusação a outro país sem provas’

Camila Tuchlinski

28 Maio 2010 | 13h26

Por Evandro Fadel, de Chapecó (SC)

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, insistiu hoje, em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, que não é atitude de estadista atribuir responsabilidade ao governo boliviano pela produção e tráfico de cocaína. “Um estadista não faz isso”, afirmou. “Incriminar um governo é diferente de dizer que da Bolívia vem droga.”

O pré-candidato do PSDB, José Serra, havia especulado que o governo boliviano poderia ser “cúmplice” no tráfico de droga e, anteontem, ressaltou que estava se referindo à quantidade de droga que vem do país e que não via nenhuma atitude da Bolívia para contê-lo.

De acordo com Dilma, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça estão colaborando “intensamente” com a Bolívia. Ela disse ter conversado anteontem (27) com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que informou sobre uma atuação conjunta que culminou com o fechamento de uma fábrica de cocaína, o que há muito tempo não acontecia na Bolívia. “É preciso que haja conversa entre os ministérios da Justiça”, propôs. E repetiu: “É prudente não atribuir, sem informações e provas, responsabilidades ao governo boliviano, não é papel de um estadista fazer isso.”

TESOUREIRO – Ao final da entrevista coletiva, concedida fora do salão principal do Parque de Exposições Tancredo Neves, onde se reuniram cerca de 6 mil agricultores familiares, segundo a coordenação do 2º Encontro Nacional de Habitação da Agricultura Familiar, e em meio a forte fumaça que vinha da churrasqueira, a pré-candidata aparentemente não ouviu um questionamento sobre a condenação do seu provável tesoureiro de campanha e ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior.

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que ele devolva recursos que podem alcançar R$ 2,1 milhões por ter, quando prefeito, contratado sem licitação o escritório do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. A pergunta foi feita em meio a muito burburinho e quando ela já estava saindo.

DEM – A pré-candidata recusou-se a comentar a propaganda em favor de Serra feita pelo DEM durante horário eleitoral gratuito, anteontem. “Não vou fazer comentário sobre o programa de televisão porque não é do meu feitio”, justificou-se.

Pouco antes de chegar ao pavilhão, onde os agricultores estavam reunidos, Dilma concedeu entrevista à Rádio Super Condá, em que criticou Serra, citando-o como aquele que “provavelmente será meu adversário” por, na condição de ministro do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso, não ter feito superávit primário. “Nós jamais fizemos déficit em oito anos de governo”, assegurou.

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