Emocionados, Lula e Dilma acompanham velório de Alencar
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Emocionados, Lula e Dilma acompanham velório de Alencar

Lilian Venturini

30 de março de 2011 | 21h30

Eugênia Lopes e Leonêncio Nossa, de O Estado de S. Paulo

Em cerimônia na noite desta quarta-feira, 30, no Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou de forma emocionada homenagem a José Alencar, seu vice nos dois mandatos. Ao chegar ao velório de Alencar no Salão Nobre acompanhado da presidente Dilma Rousseff e da mulher, Mariza Letícia, por volta de 21h20, Lula, chorando, abraçou demoradamente o filho do ex-vice, Josué Gomes da Silva. Emocionado, o ex-presidente não conseguiu falar e permaneceu um bom tempo segurando a mão do empresário.

O momento de maior emoção ocorreu no momento em que Lula, ao lado do caixão e enxugando as lágrimas, segurou as mãos e beijou a testa do seu ex-vice. A mulher de Alencar, Marisa Gomes da Silva, e o filho Josué consolaram o ex-presidente. Lula fazia gestos com as mãos, demonstrando tristeza e desolação. Dilma se aproximou do caixão e se abaixou, em sinal de reverência. Lula e Dilma desembarcaram em Brasília meia hora antes, vindos de Portugal, onde o ex-presidente recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra.

Logo após a homenagem de Lula ao seu vice, o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara, iniciou um rito de recomendação de alma de Alencar. Em pronunciamento, Dom Dimas lembrou o otimismo e o esforço do ex-vice na luta contra o câncer. “Era impressionante o seu otimismo. Ele dizia: ‘Não tenho medo da morte. A minha vida está nas mãos de Deus”. Lula, sentado ao lado de Dilma e de Josué, olhava para o alto, sem esconder a desolação.

Nesta quinta-feira, 31, o corpo de José Alencar será levado para Minas Gerais. Segundo o governador mineiro, Antonio Anastasia (PSDB), o velório do ex-vice-presidente também será aberto ao público no Palácio da Liberdade, sede do governo, das 9 horas até as 13horas. Após o velório, o corpo de Alencar será cremado às 14 horas no Cemitério Parque Renascer, em Contagem.

Até as 18 horas, 4,5 mil pessoas haviam enfrentado pequenas filas e um forte esquema de segurança para ver de perto do corpo do ex-vice-presidente. Depois de 13 anos com um câncer no abdômen, Alencar morreu de falência múltipla dos órgãos na tarde de terça-feira, 29.

Em um carro do Corpo de Bombeiros, o corpo de Alencar chegou ao Planalto às 11 horas, pouco depois da esposa Mariza, dos três filhos e quatro netos. O caixão subiu a rampa do Palácio do Planalto e entrou no Salão Nobre, ornado com 132 coroas de flores, debaixo de aplausos de autoridades e funcionários. Na presença de ministros do Executivo e do Judiciário, governadores e parlamentares, Dom Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico do Brasil, celebrou uma missa e lembrou que Alencar dava coragem aos outros até o último momento. “Isso é o mais importante. Ele era um homem de uma fé inquebrantável em Deus”, disse o núncio.

A primeira parte do velório foi fechada e teve a presença apenas das autoridades e de familiares. Às 12h50, o velório foi aberto para os populares. O acesso ao público foi limitado por cordas. A cerca de um metro do caixão, cada pessoa podia apenas passar em frente ao corpo, sem permanecer no local. Mesmo assim, centenas populares aproveitaram para tirar fotos com seus celulares em frente ao corpo. Os visitantes também passaram por uma revista rigorosa e por detectores de metais.

Alterado às 22h18 para acréscimo de informações