As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Devastação, ameaças de morte e medo dominam Anapu, no Pará

Bruno Siffredi

06 de julho de 2011 | 21h22

Carlos Mendes, de Belém
Especial para O Estado de S.Paulo


Extração ilegal de madeira, ameaças contra assentados e policiais que combatem a devastação florestal. A área onde atuava a missionária norte-americana naturalizada brasileira, Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005 em Anapu, no centro do Pará, sofre o assédio diário de madeireiros. O delegado Melquesedeque da Silva Ribeiro, que está atuando desde fevereiro passado no município e investiga crimes ambientais na região, não escapa do medo de sofrer represálias.

No final de junho passado, Ribeiro prendeu o madeireiro José Avelino Siqueira, o Júnior da Semente, reincidente na prática de retirada de madeira do Projeto de Desenvolvimento Sustentado (PDS) Esperança. O acusado continua na cadeia e teria prometido vingança contra os responsáveis por sua prisão. Ele tem recebido apoio e visita de pessoas influentes em Anapu, inclusive de políticos.

O atual prefeito do município é Chiquinho do PT, acusado por movimentos sociais da região de ter passado para o lado dos madeireiros. Ele tem como vice o fazendeiro Délio Fernandes, citado em investigações policiais como um dos combatentes da atuação de Dorothy Stang contra a grilagem de terras e a exploração madeireira em áreas destinadas ao PDS pelo governo federal.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem cobrado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) operações em Anapu para reprimir a invasão dos lotes dos assentados por empregados e caminhões de madeireiras. Como o Ibama pouco se faz presente na área, a tarefa coube à polícia. Na semana passada, os madeireiros arrebentaram as correntes de uma guarita localizada na estrada de acesso ao PDS Esperança e entraram no local, retirando grande quantidade de madeira.

Segundo a missionária Jane Dwyer, a madeira é a mesma que havia sido apreendida em ação do Ibama e Polícia Federal em janeiro deste ano e que estava na Vicinal 1 do PDS. Identificado como um dos madeireiros envolvidos na atividade ilegal, Júnior da Semente foi intimado pela polícia e obrigado a assinar um documento dizendo que não entraria mais no PDS. Ele não cumpriu a promessa, por isso foi preso por Ribeiro.

O Estado ouviu dois madeireiros de Anapu, mas ambos disseram que só falariam ao jornal se não tivessem os nomes divulgados. Um deles afirmou que depois da morte de irmã Dorothy, a “agitação” no município passou a ser liderada pelo padre Amaro Lopes. Para eles, a “paz” na região estaria ligada à saída do padre de Anapu.

Lopes figura em uma lista da CPT de pessoas marcadas para morrer no Pará. Ele tem o apoio de dezenas de entidades para permanecer na região e continuar a luta em defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores rurais. O bispo do Xingu, dom Erwin Krautler, também já figurou na lista dos ameaçados.

Tudo o que sabemos sobre:

AnapuDorothy StangParáviolência

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.