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Leitura do relatório final da CPI fica para quinta-feira

Lilian Venturini

21 de novembro de 2012 | 09h12

Eugênia Lopes e Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo – atualizado às 13h04

Depois de muita discussão entre os parlamentares, a leitura do relatório final da CPI do Cachoeira foi adiada para esta quinta-feira, 22. Durante a sessão, integrantes da comissão cobraram a prorrogação dos trabalhos. O prazo final para a conclusão da CPI é o dia 22 de dezembro.

Nesta quarta, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG) faria o relatório final da comissão. Parte dos membros, no entanto, afirma que as investigações devem continuar e defendem que o Carlinhos Cachoeira seja novamente convocado a prestar depoimento. O contraventor foi liberado do presídio da Papuda, em Brasília, na madrugada desta quarta.

O deputado Silvio Costa (PTB-PE) foi o primeiro a manifestar contrariedade à leitura do relatório antes de decidir se Carlinhos Cachoeira será novamente ouvido. “Esse relatório deixa muito a desejar. Temos que ouvir Cachoeira, antes de concluir os trabalhos”, afirmou. Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a comissão avançou pouco. Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) concordaram com Taques e também pediram adiamento da leitura. O Vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-RS), defendeu o trabalho realizado pela comissão e o documento elaborado pelo relator. “(O relatório) não poupa nem peixes pequenos, nem grandes”, disse. Após a apresentação do documento do relator, a comissão fará reuniões para leitura, discussão e votação do relatório.

Conforme antecipou o Estado, o documento elaborado pelo relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG), vai pedir a investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O deputado afirma que Gurgel suspendeu “sem justificativa” as investigações da Operação Vegas, ação da Polícia Federal iniciada em 2009 que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, entre eles o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Cunha pede ainda o indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e de assessores do governo do Distrito Federal e goiano. Ele poupa, no entanto, os governadores do DF, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). A comissão investigou a participação de parlamentares e agentes públicos nos negócios do contraventor, que nesta madrugada deixou o presídio da Papuda, em Brasília.

Até o início da noite dessa terça, 20, o relator também mantinha a determinação de pedir o indiciamento de todos os depoentes que foram à CPI, mas ficaram calados. Foi o caso, por exemplo, de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Para evitar críticas de que blindou a Delta, Cunha também deverá mostrar em seu relatório que a sede da construtora no Rio e, não apenas a regional Centro-Oeste, utilizou o esquema de empresas fantasmas. No relatório, Cunha vai ressaltar ainda a descoberta da CPI de que empresas e pessoas ligadas a Carlinhos Cachoeira movimentaram aproximadamente R$ 84 bilhões nos últimos dez anos.

Os deputados do chamado grupo dos “independentes” da CPI vão apresentar relatório paralelo propondo o indiciamento, entre outros, do governador do Rio. “Vamos sair da CPI e entregar o nosso relatório à Procuradoria-Geral da República”, avisou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Com informações da Agência Senado

Abaixo, os melhores momentos da sessão:

13h – Sem consenso sobre a leitura, o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), encerrou a sessão. Ficou decidido que nesta quinta-feira será lido o documento.

12h40 – O vice-presidente afirma que, como há um pedido de vistas coletivo do relatório, os parlamentares terão prazo maior para a leitura e avaliação do documento, antes de sua votação pela comissão.

12h34 – O vice-presidente, que conduz a sessão no momento, sugere convocar uma sessão extraordinária para esta quinta-feira, 22, para leitura de um resumo do relatório e permtir que os demais membros tenham acesso ao documento. O deputado Miro Teixeira pondera que esta quinta-feira não é uma data adequada, já que há eventos oficiais no Congresso e a posse do ministro Joaquim Barbosa como novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

12h30 – O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), sugere que a leitura comece nesta quinta-feira para que os parlamentares possam ter acesso ao relatório. “É claro que eu entendo que tenho que submeter (o texto) às vossas excelencias. Aqui só há minha opnião sobre os fatos vistos. Temos que estabelecer minimamente um roteiro. (…) Entendo que o relatório é do conjunto. Não há de nossa parte nenhuma tentativa de atropelar o debate”, afirmou.

12h26 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), tenta passar a palavra ao relator, mas os parlamentares contrários à leitura do relatório se irritam e querem a garantia que o documento não seja lido antes que se decida sobre a prorrogação.

12h02 – Deputados e senadores ainda divergem sobre o momento correto de se fazer a leitura do relatório. Parte defende que o documento seja lido (são cerca de 4 mil páginas) e outra parte, que sejam avaliados primeiro os pedidos de prorrogação maior dos trabalhos.

11h47 – Senador Randolfe Rodrigues (PSOL – AP) afirma que, pelo regimento, os membros da comissão deveriam ter tido acesso ao relatório 48 horas antes da leitura.

11h37 – O senador Pedro Taques (PDT-MT) diz que CPI está se transformando numa “farsa” por acreditar que nada foi investigado. Segundo ele, a comissão limitou-se a usar as informações do Ministério Público e da Polícia FEderal. Ele também defende que a CPI tente reconvocar Carlinhos Cachoeira e que os trabalhos sejam prorrogados por mais 180 dias.

11h24 – O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sugere que antes da leitura do relatório final seja decidido o prazo de prorrogação da CPI e a votação de um novo requerimento para convocar Carlinhos Cachoeira.

11h13 – O foco da sessão é a apresentação do relatório, mas vários deputados e senadores inscreveram-se pedindo direito à palavra. O início da leitura só pode ser feito quando todos falarem.

11h05 – Os integrantes da comissão devem pedir “vistas” do relatório. Parte dos parlamentares criticaram o fato de a imprensa ter tido acesso a partes do documento antes da sessão. O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defende o trabalho realizado pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), e afirma que o documento está imparcial.

11h – Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ): “A pizza é maior que o forno”, diz. Para ele, a comissão não avançou o necessário nas investigações sobre os negócios do contraventor e o envolvimento de políticos e agentes públicos.

10h50 – Deputados cobram que a CPI convoque novamente Carlinhos Cachoeira, já que ele cumprirá pena em regime semiaberto. O contraventor já foi convocado pela comissão em maio, mas ficou em silêncio.

10h40 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB – PI) abre a sessão.

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