No Senado, Demóstenes pede desculpas: ‘atuei em nome do desenvolvimento do meu Estado’
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No Senado, Demóstenes pede desculpas: ‘atuei em nome do desenvolvimento do meu Estado’

Lilian Venturini

02 de julho de 2012 | 14h46

Ricardo Brito, da Agência Estado, e estadão.com.br– atualizado às 17h00

A uma semana de ser julgado pelos colegas, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) fez nesta segunda-feira, 2, o primeiro de uma série de discursos que programou na tentativa de salvar o seu mandato. Na tribuna, ele pediu desculpas nominalmente a cada senador presente argumentando que é vítima de injustiça por parte da Polícia Federal e do Ministério Público. Novamente, ele negou vínculo com Cachoeira. “Nada fiz para merecer a desconstrução de minha honra. Fui amigo de Cachoeira e conversava frequentemente por telefone com ele, mas nunca tive negócios com ele.”

Chamando Cachoeira de insistente pela demora de alguns diálogos divulgados, Demóstenes disse que foi delineado como vilão e que atuou em nome do Estado de Goiás. “Atuei em nome do desenvolvimento do meu Estado o que inclui apoiar as empresas (…) nunca procurei qualquer senador para legalização de jogos (…) vocês são provas que nossas conversas eram republicanas”.

Demóstenes diz ainda que a PF usou de uma estratégia de vazamento dos áudios em pílulas para conseguir incriminá-lo e arruinar a sua conduta. “Cheguei a cair, fui ao fundo do poço, graças a Deus voltei, me reegui, levantei a cabeça e vencei a maior das guerras.”

Ele finaliza o discurso com um pedido desculpas aos senadores. “Não tive oportunidade de falar e quando tive, fiquei com vergonha. Peço perdão pelos constragimentos que causei. Quem está aqui hoje é o mesmo homeme daquele dia, deprimido, esgotado, mas que sente a injustiça corroendo seu peito (…) estou de peito aberto pedindo perdão aqui.”

Interceptações da PF realizadas durante a Operação Monte Carlo expuseram a relação de proximidade do senador Demóstenes Torres e do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Desde então, Demóstenes passou a responder um processo de cassação, que será votado na próxima quarta-feira, 11. O senador pretende usar o plenário do Senador todo dia para fazer um discurso. “Achamos que é hora dele falar”, afirmou nesta segunda o advogado do senador Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Fora o plenário, ele só fez sua defesa no Conselho de Ética. No primeiro discurso de Demóstenes aconteceu no dia 6 de março, uma semana após a Polícia Federal deflagrar a Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira e expôs publicamente a relação entre os dois.

Na semana passada, por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou o pedido de perda de mandato de Demóstenes por usar o mandato na defesa dos interesses de Cachoeira. Nesta quarta-feira, 4, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisará se o processo feriu algum preceito legal ou constitucional. O senador Pedro Taques (PDT-MT), relator na CCJ, sinalizou que votará a favor de levar adiante o processo.

A votação no plenário ocorrerá em sessão secreta, provavelmente no dia 11 de julho. Para cassar o mandato de Demóstenes, serão necessários pelo menos 41 votos favoráveis dos senadores, a maioria absoluta da Casa.

Acompanhe abaixo o minuto a minuto do discurso de Demóstenes Torres:

16h37 – Ele termina seu discurso: “Tenho uma certeza sou inocente”

16h37 – Ele diz que citou cada um que está presente no Plenário e diz rogar pela compreensão de todos. “Estou ciente e seguro das injustiças das acusações”.

16h35 – Demóstenes lê o nome de cada senador e senadora da Casa e pede desculpas a cada um.

16h34 – Ele finaliza pedindo desculpas aos senadores e diz que já apresentou a sua tese de desculpa. “Não tive oportunidade de falar e quando tive, fiquei com vergonha. Peço perdão pelos constragimentos que causei. Quem está aqui hoje é o mesmo homeme daquele dia, deprimido, esgotado, mas que sente a injustiça corroendo seu peito (…) estou de peito aberto pedindo perdão aqui.”

16h31 – “Há necessidade de jogar para os leões o corpo que sangra nas manchetes há 125 dias. ”

16h29 – Ele diz que não se deve tirar o mandato de um senador “É inaceitável por causa da expressão que “te pega”, dita ao Cachoeira sobre a lei que tornava ilegal o jogo no Estado.

16h28 – “São 180 segundos que vão derrubar um senador (…) mais de 12 milhões de votos desperdiçados (…) por causa de uma interpretação.”

16h27 – Ele novamente se diz vítima da PF: “Inúmeras reportagens foram produzidas com 60 vezes menos o que a polícia gravou. E porquê? Porque a PF selecionou apenas os trechos que interessavam à denúncia. (…) são 250 mil horas de gravação”.

16h26 – Chamando Cachoeira de insistente pela demora de alguns diálogos divulgados, Demóstenes disse que foi delineado como vilão. “O que pulsiona contra mim são as providências tomada pela PF e o MP antes da divulgação: a edição, montagem e divulgação do diálogo”.

16h23 – Demóstenes critica a investigação da PF e dos policiais que o investigavam. “O resultado que conseguiram é fraquíssimo (…) a dor é insuportável, meu coração não tem espaço para magoás e não tenho mais lágrimas e derramar”.

16h22 – Ele diz que o vazamento arruinou a sua conduta. “Cheguei a cair, fui ao fundo do poço, graças a Deus voltei, me reegui, levantei a cabeça e vencei a maior das guerras.”

16h21 – Ele fala sobre a investigação do MP e a estratégia de vazamento em pílulas: são papeis que deveriam estar sob segredo de Justiça. Ele sustenta que há ilegalidade ao pegar as provas. “Temos exemplo de áudios cortados e editados (…) trechos descritos de forma errada”

16h19 – “Asseguro que nãofaltei com a verdade no meu pronunciamento. Nada fiz para merecer a desconstrução de minha honra. Fui amigo de Cachoeira e conversava frequentemente por telefone com ele, mas nunca tive negócios com ele.”

16h18 – Houve um pequeno serviço de um perito em nome do meu advogado. Ele encontrou disparidade no que estava escrito (na investigação da PF) e nos áudios.

16h18 – “Atuei em nome do desenvolvimento do meu Estado o que inclui apoiar as empresas (…) nunca procurei qualquer senador para legalização de jogos (…) vocês são provas que nossas conversas eram republicanas”.

16h16 -“Minha rotina é acordar diarimente e ver meus nomes de maneira perojaritiva nos blogs e jornais.”

16h15 – “Não há situação mais angustiante do que olhar nos olhos dos filho e ver a pergunta: quando vai acabar?”

16h14 – Demóstenes inicia o discurso o Plenário.

 

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