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Delator acusa ONGs ligadas ao PDT de desviar dinheiro do Ministério do Trabalho

Redação

04 de novembro de 2011 | 15h58

estadão.com.br

Uma das testemunhas do inquérito que investiga fraudes no Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, Geraldo Nascimento, envolveu o nome de duas ONGs ligadas ao PDT no desvio de recursos públicos. De acordo com reportagem do portal iG, Nascimento afirmou em depoimento que sua empresa, JG Alimentos, recebia os valores destinados às ONGs, emitia a nota fria e, então, repassavam o dinheiro às organizações. As declarações de Nascimento apresentadas à reportagem não tiveram a origem informada pelo portal.

Uma dessas entidades é a Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae). Segundo informa a reportagem, Nascimento, que fez acordo de delação premiada com a Justiça, admitiu que era o responsável por sacar o dinheiro conseguido com o uso de notas fiscais de empresas de fachada. Outra reportagem do portal mostrou ainda que a entidade é ligada ao PDT.

“Eu só ia na última reunião, ia na licitação, ganhava a licitação e (depois) só ia no dia de sacar. A gente não entregava nenhum produto”, apontou Nascimento. “A Conae tem em Goiânia também. Inclusive, esses dias para trás, fui sacar em Goiânia. Sacar dinheiro para o pessoal da Conae”, completou.

A Conae, que firmou contrato de R$ 663,2 mil com uma empresa em nome de Geraldo, a JG Alimentos Preparados, negou qualquer irregularidade e disse que recebeu os lanches comprados da companhia. O reverendo Hélio César Araújo Júnior, presidente da entidade, afirmou que os R$ 3,3 milhões recebidos do governo em 2008 foram aplicados no programa para capacitar 1850 jovens para o mercado de trabalho.

De acordo com o MP, a JG está no nome de Geraldo mas, na prática, é de Miguel Santos Souza, que operava uma série de empresas de fachada que emitiram notas para as ONGs do PM João Dias, delator das fraudes no programa Segundo Tempo, que levaram à queda de Orlando Silva.

A assessoria do Ministério do Trabalho informou ao iG que algumas inconsistências foram encontradas na documentação de contas da Conae mas ainda está sob análise do Ministério.

Mais uma ONG envolvida. Nascimento acusou ainda outra ONG ligada ao PDT de desvio de dinheiro, ainda segundo o portal iG. De acordo com ele, representantes da Fundação Oscar Rudge, dirigida por uma pedetista, também teriam recebido recurso desviado dos contratos com o governo.

“A Oscar Rudge eu fui lá no Rio de Janeiro sacar dinheiro, sai de Brasília às 5h da manhã, cheguei no Rio de Janeiro às 9h. Às 11h saquei, às 14h estava de volta. Fazia esse percurso, ia num dia e voltava do Rio de Janeiro para sacar dinheiro para esse povo. Saques altos”, disse o delator em gravação.

A Oscar Rudge é sediada no Rio de Janeiro e presidida por Clemilce Carvalho, filiada ao PDT desde 2005. No convênio com o Ministério do Trabalho, firmado em 2007, a ONG recebeu R$ 8,1 milhões para promover qualificação profissional de jovens no Rio de Janeiro. Para fornecer lanches aos alunos do projeto, a entidade contratou por R$ 1 milhão a empresa de Nascimento, JG Alimentos Preparados, sediada em Brasília.

Segundo o Ministério do Trabalho, toda a documentação comprovando a realização dos cursos foi entregue à pasta. Disse também que as metas de contratação de jovens formados foram batidas. A reportagem informa que a ONG não se manifestou sobre o caso.

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