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Defesa de Cachoeira usa Demóstenes para pedir anulação de processo

Redação

24 de abril de 2012 | 08h11

Estadão.com.br

A defesa do contraventor Carlinhos Cachoeira pretende usar o vínculo com o senador Demóstenes Torres (sem partido) para tentar anular na Justiça a investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Pelos argumentos dos advogados de Cachoeira, a investigação envolve um parlamentar e por isso deveria passar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, por Demóstenes ser congressista e ter foro privilegiado, as provas obtidas com autorização da Justiça de 1ª instância não teriam validade. O parlamentar responde por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, é a primeira manifestação oficial do contraventor no caso. No pedido protocolado na 11ª Vara Federal de Goiás, além de pedir a anulação das provas, a defesa de Cachoeira contesta as acusações do Ministério Público. O documento é assinado pelos dois advogados de Cachoeira, Marcio Thomaz Bastos e Dora Cavalcanti.

A manifestação que Cachoeira usa é a mesma de Demóstenes para anular a investigação. Caso seja bem sucedida, a manobra da defesa de Cachoeira pode representar obstáculos para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) recém criada para investigar os tentáculos do contraventor, já que as interceptações telefônicas que evidenciaram ligações diárias entre Demóstenes e Cachoeira são o principal fator que motivou a criação da CPI.

O Ministério Público trabalha para evitar a anulação das provas sustentando que Demóstenes não era o objeto de investigação e que seu nome surgiu por acaso. A defesa, no entanto, diz que em agosto de 2011, o juiz pediu à PF um relatório com o envolvimento de políticos com foro privilegiado.

No exterior. Na investigação, a PF diz ainda que o grupo de Cachoeira tinha empresas no exterior para a prática de lavagem de dinheiro. O grupo teria criado um site de jogos online em sociedade com o argentino Roberto Coppola, que auxiliou o grupo a criar empresas no Uruguai e na Argentina. A PF identificou um esquema para cadastrar clientes de bingos clandestinos em Brasília para jogar nesse site. A comissão para cada jogador cadastrado daria ao interceptador 40% do arrecadado. Um navio cassino ancorado em Palm Beach, na Flórida, também seria usado no esquema de jogos ilegais.

A PF encontrou também indícios de uso de empresas fantasmas em Foz do Iguaçu (PR) para a lavagem de pelo menos US$ 500 mil em 2010. A fonte pagadora era a Alberto e Pantoja, empresa que recebia recursos da Delta.

 

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