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Curiosidades das eleições: quem é o mais radical?

Camila Tuchlinski

26 Maio 2010 | 17h53

Por Roldão Arruda

Privatizar ou não privatizar? Esse tema ferveu nas eleições de 2006 e deve ganhar espaço no debate deste ano. É provável que o PT (Partido dos Trabalhadores) volte a esgrimir contra a chamada fúria privatista tucana. O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) tende a continuar dizendo que Estado mais leve é mais eficiente. O eleitor pode até imaginar um debate de leões. Curiosamente, porém, se ele comparar as propostas desses dois grandes partidos com as de alguns nanicos, poderá concluir que eles não passam de camundongos – de tão radicais que são os outros.

Pegue-se como exemplo a proposta do candidato Américo de Souza, do PSL (Partido Social Liberal), sobre a questão. Se eleito, uma de suas primeiras iniciativa será criar o Conselho Nacional de Desestatização, com a tarefa de privatizar todas as empresas e serviços controlados pelo Estado. Nada ficaria de fora, passando da poderosa Petrobrás ao posto de saúde da esquina.

Ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho e empresário do setor de imóveis, Souza pretende ser o liberal entre os liberais desta campanha e diz, sem prurido nenhum, que deseja ver tudo na mão da iniciativa privada.

No outro extremo encontra-se o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado). Se o seu pré-candidato a presidente, José Maria de Almeida, sindicalista mais conhecido como Zé Maria, for eleito e permanecer fiel ao programa do partido, o cenário empresarial no País mudará radicalmente. O programa propõe expropriar sem indenização todas as grandes empresas em operação no País, não importando se o capital é nacional ou estrangeiro.

Ele também advogada a reestatização de tudo que passou para a iniciativa privada no governo de Fernando Henrique, a começar pela gigantesca Vale. No eventual governo dele os bancos privados também desapareceriam e o Brasil passaria a ter um único banco, controlado pelo Estado a serviço das classes trabalhadoras.

Na esquerda, as propostas de Zé Maria só rivalizam com as de Rui Costa Pimenta, jornalista que disputa a cadeira de presidente pelo PCO (Partido da Causa Operária). Para se ter uma ideia do pensamento deste candidato, o site de seu partido na internet já disse que o PSTU fica no centro do espectro político e o PT, à direita. Lá também se encontra a afirmação de que Marina Silva, do PV (Partido Verde), é a candidata dos empresários e das privatizações.

Para quem teve palpitações de alegria ou ficou deprimido ao ler essas propostas, vale lembrar que nenhum desses candidatos tem chances de chegar ao poder agora. Na verdade, o PCO considera o processo eleitoral uma farsa e só entra em campo pela oportunidade de divulgar suas ideias. Zé Maria, do PSTU, nunca se elegeu para nenhum cargo além dos limites da vida sindical.

O aposentado Américo de Souza já foi deputado federal, mas lá nos anos 60. De lá para cá nunca mais se elegeu. Ocupou, sim, um cadeira no Senado, mas como suplente de José Sarney, quando ele deixou a Casa para ocupar a Presidência da República.