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Curiosidades das eleições: A expressão ditadura do proletariado caiu em desuso

Camila Tuchlinski

21 Julho 2010 | 15h52

Roldão Arruda

A expressão ditadura do proletariado caiu em desuso. Mas o conceito de luta de classes e da supremacia da classe trabalhadora no controle do Estado continua por aí. Enfraquecido, mas continua. Nas eleições deste ano é possível encontrá-lo de forma explícita em dois programas de candidatos à Presidência da República. O mais óbvio é o do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que ainda usa a foice e o martelo no logo da agremiação, costume do período anterior ao fim da Guerra Fria.

O PCB advoga o fim do regime capitalista e sua substituição pelo socialismo, sob controle da classe trabalhadora. O caminho para isso é a estatização dos principais meios de produção do país, das redes comerciais, das propriedades rurais e de todo o setor financeiro.

Esse PCB não tem influência nenhuma em movimentos sociais, sindicatos e organizações populares, que, teoricamente, seriam os condutores das mudanças. Seus poucos militantes não acreditam na eleição da qual participam e o programa de governo assemelha-se a uma declaração de princípios, alheia a todas as revelações já feitas sobre os fracassos do socialismo real na União Soviética e nos países do Leste Europeu.

O outro grupo político que propõe o controle dos meios de produção pelos trabalhadores é o do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). No manifesto que divulgou com suas propostas de governo, o partido defende a estatização do sistema financeiro e a reestatização das empresas que passaram para o controle da iniciativa privada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Leia-se Embraer, Vale, CSN e outras.

O PSTU já foi uma corrente trotskista dentro do PT. Saiu em decorrência de uma das várias disputas internas do petismo, quase todas elas decorrentes do movimento em direção ao centro do espectro político, abandonando a marca original de esquerda. Nesse movimento, as tendências de esquerda mais radicais foram desalojadas. O PSOL também saiu do PT.

Ao contrário do PCB, o partido do candidato Zé Maria atua no movimento sindical e popular e briga para manter a pequena fatia de organizações que ainda controla. Sua direção acusa o governo Lula de cooptar cada vez mais os líderes dos trabalhadores e não poupa nem o Movimento dos Sem Terra (MST).

Embora temido pelos ruralistas, que o acusam de extremista, o MST, segundo o PSTU, tornou-se um movimento moderado, que não critica os fracassos da reforma agrária no atual governo. Isso estaria ocorrendo, segundo texto divulgado no site do PSTU, “porque a sua direção, infelizmente, apoia o governo Lula”.

O PSTU quer a imediata expropriação (isso é muito diferente da atual desapropriação) das terras dos agronegócio e sua destinação para a reforma agrária. Mas ninguém precisa ficar assustado porque as chances do candidato Zé Maria tornar-se presidente do Brasil são mínimas.

O que ele pretende é usar o espaço da campanha para divulgar ideias e, indiretamente, fazer contraponto ao que disse o pensador e economista americano Francis Fukuyama. No final dos anos 80, após assistir à derrocada do socialismo real, marcada sobretudo pela queda do Muro de Berlim, ele afirmou que o regime liberal havia triunfado globalmente na política e na economia e que dali para a frente a história teria uma novo rumo, sem as oposições verificadas na guerra fria, sem a ideia de luta de classes.

Fukuyama foi um dos ideólogos do governo conservador de Ronald Reagan e o livro no qual expôs essas ideias levava o polêmico título de Fim da História.

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