Curiosidade das eleições: mulheres que disputaram a Presidência
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Curiosidade das eleições: mulheres que disputaram a Presidência

Camila Tuchlinski

09 de junho de 2010 | 10h54

Por Roldão Arruda

O Brasil já realizou cinco eleições – desde o início da redemocratização em 1985 – para escolher presidentes da República. Em três delas apareceram nomes de mulheres nas listas de candidatos do primeiro turno. Em nenhuma, porém, elas conseguiram chegar à etapa seguinte. O segundo turno foi, até agora, território exclusivo de homens. O ano de 2010, com o sexto pleito presidencial, deve ser o ano de ruptura desse padrão.

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Foto: Sérgio Dutti/AE – 24.11.2009

As mulheres entraram em cena já na eleição presidencial de 1989 – a primeira pelo voto direto desde 1960. Naquela ocasião apareceram 22 candidatos no primeiro turno – o maior número registrado até agora.

Na longa lista, na qual figuravam com destaque Fernando Collor de Mello, Luís Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola, aparecia uma advogada mineira de nome com ares aristocráticos, Lívia Maria Ledo Pio de Abreu, que concorreu pelo Partido Nacionalista (PN). Como não existem registros da presença de mulheres nos pleitos presidenciais anteriores à ditadura, pode-se dizer que foi a primeira mulher a concorrer à Presidência da República do Brasil.

Naquela disputa encarniçada, Lívia Maria não fez feio. Ficou em 16º lugar, com quase 190 mil votos – o correspondente a 0,25% do colégio eleitoral da época. Mais tarde ela tentou se eleger deputada federal em duas ocasiões, mas não teve sucesso em nenhuma delas.

Nas eleições de 1994 e 2002 as mulheres não foram representadas. Em 1998, Thereza Tigreiros Ruiz, do PTN, figurou sozinha numa lista de 12 homens. Teve menos apoio dos eleitores que sua antecessora do PN. Foram 166 mil votos – 0,24% do eleitorado.

O salto ocorreu em 2006. Dos 8 candidatos do primeiro turno daquele ano, dois eram do sexo feminino.
Foi o ano de Heloísa Helena, a senadora alagoana que rompeu com seu partido o PT, após o chamado escândalo do mensalão, ajudou a fundar o PSOL, lançou-se candidata a presidente e saiu discursando pelo País afora contra a corrupção. Ganhou 6,5 milhões de votos – quase 7% do colégio eleitoral brasileiro. Até hoje foi a mulher que mais teve votos numa disputa presidencial.

Com o sucesso de Heloísa Helena, que neste ano volta a disputar uma cadeira no Senado pelo seu Estado, pouca gente reparou na outra mulher que estava na disputa, a cientista política Ana Maria Rangel, do PRP. Ela também lançou-se na arena com um discurso anticorrupção, mas sem sucesso. Saiu com 126 mil votos, correspondentes a 0,1 3% do total, o pior resultado obtido por uma mulher até agora.

O ano de 2010 deve registrar um novo salto. Novamente são duas mulheres na arena, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Mas essa é a primeira vez que uma delas é apontada como franco favorita para passar ao segundo turno, com chances até de chegar à Presidência.

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