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Ex-chefe de gabinete de Agnelo chora em depoimento à CPI

Lilian Venturini

28 Junho 2012 | 09h45

Ricardo Britto, da Agência Estado –  atualizado às 15h00

Em depoimento à sessão da CPI do Cachoeira nesta quinta-feira, 28, o ex-chefe de gabinete do governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, Cláudio Monteiro,  chorou no momento em que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) elogiou sua postura. “Hoje, eu diria que Vossa Senhoria sai daqui com a cabeça erguida, que a postura de Vossa Senhoria é a que se espera de alguém que tenha caráter”, disse, o que levou o depoente às lágrimas.

Sampaio decidiu não fazer perguntas ao ex-chefe de gabinete e considerou acertada a decisão dele de não falar sobre seu filho João Cláudio Monteiro, de 33 anos. Segundo ele, o filho era dono de uma empresa que tinha veículos para transportar resíduos no DF, um contrato que o governo local mantém com a Delta Construções. A empreiteira é suspeita de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Monteiro disse que seu filho, maior de idade, é quem tem que responder pelos atos dele. O deputado do PSDB disse que o ex-chefe de gabinete estava certo.

Mais cedo, o ex-chefe de gabinete admitiu ter tido três encontros com o araponga Idalberto Mathias, o Dadá. O primeiro foi a participação em uma feijoada durante a campanha de 2010 promovida por Dadá. Os outros dois encontros ocorreram, no ano passado, com o ex-diretor regional da Delta Construções Cláudio Abreu para tratar do contrato de limpeza urbana em Brasília. Dadá acompanhava Abreu.

Questionado se outra pessoa pode ter recebido propina do esquema de Cachoeira, Monteiro disse que não pode negar peremptoriamente. “Não posso afastar essa hipótese. Se isso ocorreu, foi sem meu consentimento, sem a minha aceitação”, afirmou.

Claudio Monteiro ainda afirmou que o governador Agnelo Queiroz jamais teve qualquer contato com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Posso lhe assegurar que o senhor Carlos Cachoeira nunca ligou para o gabinete do governador Agnelo Queiroz”, afirmou.

Monteiro reforçou, ainda, que ele e Cachoeira nunca tiveram qualquer contato ou telefonema. Questionado sobre o motivo pelo qual seu nome aparece em telefonemas trocados pelo grupo de Cachoeira, o ex-chefe de gabinete disse que as pessoas gostam de “vender prestígio”. “Eu vou fazer uma ilação. Na ilação é o seguinte. Seja quem quer que seja o ocupante do cargo público, alguém vai dizer que tem relação com esta pessoa para mostrar que tem prestígio”, afirmou. “Não existe uma única fala em que eu esteja dirigindo a essas pessoas”.

Contudo, Monteiro admitiu ter se reunido por duas vezes no ano passado com o ex-diretor regional da Delta Construções Cláudio Abreu para tratar do contrato de lixo do Distrito Federal. Sem se lembrar com detalhes dos encontros, ele disse que recebeu Abreu para discutir uma solicitação envolvendo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), estatal que cuida do lixo na capital. A conversa girou em torno da precariedade dos serviços prestados pela Delta.

O ex-chefe de gabinete disse que jamais recebeu um rádio Nextel para falar com integrantes do grupo de Cachoeira, suspeita levantada pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Monteiro disse que, em 475 dias de escuta, não há nenhuma fala pessoal com integrantes do esquema comando pelo contraventor. “Onde está o rádio? Qual a gravação que aparece em que está a minha voz?”, perguntou. E continuou: “Cadê o rádio? Cadê a propina? Cadê a facilitação da licitação? Cadê o tráfico de influência?”. Monteiro colocou à disposição os sigilos bancário, fiscal e telefônico pelo período que a comissão quiser.

Além de Cláudio Monteiro foram convocados o ex-assessor da Casa Militar Marcello de Oliveira Lopes e o ex-subsecretário de Esportes João Carlos Feitoza, que não deporam por estarem munidos de habeas corpus. Marcelo, também conhecido com Marcelão, estaria envolvido na tentativa de nomeação de um aliado de Cachoeira para o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do DF. O último depoente é João Carlos (Zunga), suspeito de receber dinheiro do grupo do empresário goiano.

Governador de GO. Particparam da sessão dessa quarta-feira, 27, pessoas ligadas ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), cujo nome é mencionado nas investigações da Polícia Federal. Apenas o jornalista Luiz Carlos Bordoni prestou depoimento e repetiu as acusações de que recebeu “dinheiro sujo” do governador como pagamento de serviços de campanha eleitoral. Parte do valor, segundo ele, teria vindo de empresas fantasmas, ligadas ao grupo de Cachoeira.

Acompanhe os principais momentos:

15h01 – Comissão é encerrada por hoje.

15h – João Carlos Feitoza, munido de habeas corpus, se reserva no direito de ficar calado e é dispensado.

14h59 –  O ex-subsecretário de Esportes João Carlos Feitoza é convocado.

14h58 – Marcello de Oliveira, munido de habeas corpus, diz que vai calado por instrução dos advogados e é dispensado.

14h56 – Claudio Monteiro é dispensado e o ex-assessor da Casa Militar, Marcello de Oliveira Lopes, é convocado para depor.

14h54 – Claudio Monteiro diz que quando encerrar sua convocação e depoimento “vai poder respirar fundo novamente”.

14h53 – Deputado Paulo Tadeu (PT-DF) parabeniza Claudio Monteiro pelo depoimento.

14h39 – Deputado Izalci Lucas (PR) diz que Claudio Monteiro contribuiu muito para CPI.

14h22 – Deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) pede que Cláudio Monteiro fale sobre a relação entre o policial João Dias Ferreira, que teria ido ao palácio do governo do DF para devolver R$ 200 mil que teria recebido de “emissário do governo”. Na ocasião, ele foi preso por ter agredido um policial e duas servidoras. O policial, meses antes, fez denúncias contra o Ministério do Esporte, pasta já comandada por Agnelo Queiroz. Cláudio Monteiro diz não ter contato com João Dias e acha que ele não deve agir racionalmente para fazer tais afirmações. O ex-chefe de gabinete voltou a dizer que o atual governo do DF, por ter rompido práticas irregulares e corruptas, ficou sujeito a esse tipo de situação e de ataques.

14h10 – Deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) aponta que Cláudio Monteiro traz fatos que colocam em dúvida parte do relatório elaborado pela Polícia Federal. Agora o questiona sobre a indicação do ex-assessor da Casa Militar Marcello de Oliveira Lopes. O ex-assessor, também conhecido como Marcelão, também foi convocado a depor, mas apresentou habeas corpus para ficar em silêncio. Ele estaria envolvido na tentativa de nomeação de um aliado de Cachoeira para o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do DF. Cláudio MOnteiro diz desconhecer o vínculo entre Marcelão e Cachoeira.

13h52 – Cláudio Monteiro: “Não se pega a vida de alguém e se rasga. Vinte e dois anos de vida pública… Não se rasgam com ‘suposta propina’. Não é só comigo, é com qualquer um.”

13h35 – Deputado Luiz Pietschmann (PMDB-DF) lê trechos do relatório da PF com conversas de integrantes do grupo de Cachoeira. Novamente Cláudio Monteiro não atribui o teor dos diálogos a ele. Afirma que faltam confirmações e procedência sobre as informações contidas nesses diálogos.

13h20 – Cláudio Monteiro: “(Um homem público) não está livre das insinuações e dos usos indevidos. Posso ter muitos erros, mas essas que me atribuem hoje, não. Essas não”, disse em resposta ao comentário do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que o elogiou por ter se disposto a falar. Os elogios do tucano fizeram o depoente chorar na sessão.

13h09 – Cláudio Monteiro repete que não recebeu dinheiro de Cachoeira ou de empresas ligadas a ele. “Respondo pelas ações que pratiquei. Se me pediram, houve a contrapartida? A empresa Delta não foi beneficiada. O senhor Carlos Cachoeira não foi atendido”. Ex-chefe de gabinete diz não ter atendido pedidos para indicação de pessoas ligadas a Delta para ocupar cargos no governo do DF. Segundo ele, os trechos em que integrantes do grupo de Cachoeira afirmam ter dado dinheiro podem se tratar de fatos que ele desconheça: “As pessoas às vezes se aproveitam para estabelecer relações sem o seu conhecimento. Espero que essa matéria toda seja esclarecida. Não posso afastar a hipótese (de que alguém tenha recebido dinheiro de Cachoeira em sua campanha sem seu conhecimento).”

13h01 – Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) faz perguntas sobre conversas entre representantes de Cachoeira e da empresa Delta e do governo do DF, nas quais dizem que a campanha eleitoral foi patrocinada a partir do Rio de Janeiro (onde a Delta tem sede). Senador lê trechos em que homens de Cachoeira se referem a Cláudio Monteiro para pedirem uma audiência, segundo os quais Cachoeira deu dinheiro a ele e por isso os membros do grupo contavam que seriam atendidos.

12h49 – Cláudio Monteiro nega ter recebido pedidos de Cachoeira (para tomar decisões ao seu favor no governo) ou dinheiro da Delta, ou do contraventor, em sua campanha política. Afirma ainda que Cachoeira não é pessoa próxima dele e que desconhece qualquer doação dele em sua campanha, cujas contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

12h43 – Agora o deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) faz perguntas a Cláudio Monteiro: “Se a verdade está ao seu lado, por que o senhor se demite?”, provoca. O deputado questiona a liberação de certas emendas e quer saber se ele já teve negócios com o senhor Dadá, ligado a Cachoeira, e com Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta. Pergunta também sobre possível influência de Cachoeira em uma campanha eleitoral de Cláudio Monteiro, informação que consta em gravações obtidas pela Polícia Federal.

12h33 – Cláudio Monteiro comenta sua relação com João Carlos Feitoza, ex-subsecretário de Esportes do Distrito Federal, teria recebido dinheiro do grupo de Cachoeira, também convocado a depor nesta quinta-feira. Cláudio diz conhecer Feitosa e afirma ter sido ele o autor da indicação para ocupar o cargo no governo do DF. Afirmou, no entanto, que foi surpreendido com as denúncias sobre seu envolvimento com Cachoeira.

12h27 – Cláudio Monteiro: “Não recebi doação da Delta (em campanha política). Mas se tivesse recebido, teria aceito e estaria na minha declaração.”

12h10 – A sessão é retomada.

12h05 – A sessão foi suspensa por alguns minutos em razão de uma pane no equipamento de vídeo e som da sala onde é realizada a oitiva. A sessão só pode voltar quando o problema for corrigido para que a sessão possa ser gravada, tal como é exigido pelo regimento.

11h51 – Cláudio Monteiro responde sobre a informação de que teria um rádio para se comunicar com integrantes do grupo de Cachoeira: “Não sei, não recebi, não usei e a prova que não o fiz, e que todos que usaram foram gravados, e eu não fui gravado. Ou apresentem essa prova”. Afirmou ainda ter recebido em seu gabinete, por duas vezes, representantes da Delta para tratar do contrato de limpeza do DF, mas para tratar somente de questões técnicas.

11h45 – O relator pergunta sobre a trajetória de Cláudio Monteiro na vida pública e no governo do DF. O ex-chefe de gabinete nega que já tenha estado com Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, seu nome é mencionado nas gravações de forma leviana, dando ideia de que, por ser integrante do governo, é natural ser mencionado como “contato” de várias pessoas. “Seja quem quer que seja ocupante de cargo público, certamente alguém vai dizer que tem relação com essa pessoa e vai querer mostrar prestigio. Não existe uma única manifestação minha.”

11h33 – Cláudio Monteiro encerrou sua fala e agora o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), fará perguntas.

11h30 – Cláudio Monteiro: “Estou aqui de peito aberto, pronto a responder todas as perguntas, enquanto testemunha, de fatos que tomei conhecimento ou que presenciei”.

11h22 – Cláudio Monteiro diz que ações de combate à corrupção adotadas pela gestão de Agnelo Queiroz no Distrito Federal causaram a revolta de algumas pessoas. “Fui obrigado a deixar um governo, primeiro por um princípio, segundo para não macular esse comportamento (do governo)”, diz ao fazer referência ao seu pedido de desligamento do cargo após as denúncias de envolvimento com Cachoeira. O ex-chefe de gabinete entregou também aos membros da CPI a quebra de dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de seus três filhos.

11h13 – Cláudio Monteiro: “Eu desejo falar. Sei que não estou na condição de indiciado, sei que estou na condição de testemunha. Mas é uma oportunidade singular”.

11h09 – Cláudio Monteiro começou sua fala agradecendo a oportunidade de dar explicações. O ex-chefe de gabinete de Agnelo negou que tivesse um rádio para conversar com Carlinhos Cachoeira. “Em qual gravação aparece minha voz?”, questiona. Qual foi a licitação que interferi, se não sou ordenador de despesas? Qual tráfico de influência que exerci?”, afirma. Segundo ele, assim que as denúncias surgiram ele entregou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. “Solicitei investigação sobre todos os meus atos. A mim me interessa uma apuração.”

10h58 – Presidente em exercício da CPI convida o ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro a entrar na sala. Cláudio participa da sessão na condição de testemunha e terá, se desejar, 20 minutos para falar.

10h53 – Parlamentares usam minutos iniciais para voltar a discutir rito usado pela comissão de liberar depoentes que não queiram falar, antes que os integrantes da CPI tenham a oportunidade de fazer perguntas. Apesar da discussão, nada será decidido nesse momento porque somente em sessões administrativas a CPI pode votar esse tipo de tema.

10h40 – Segundo o presidente em exercício da sessão, advogados do ex-chefe de gabinete do governador, Cláudio Monteiro, informaram que o cliente está disposto a falar, embora tenha habeas corpus que garante o direito a ficar em silêncio.

10h30 – É aberta a sessão. Quem vai presidir é o deputado Paulo Teixeira (PT-SP)

Colaborou Lilian Venturini