Para oposição, foco da CPI do Cachoeira deve ser a Delta
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Para oposição, foco da CPI do Cachoeira deve ser a Delta

Lilian Venturini

15 de agosto de 2012 | 09h55

Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo – atualizado às 14h

A construtora Delta, apontada pela Polícia Federal como parte integrante do esquema ligado ao contraventor Carlinhos Cachoeira, tornou-se alvo principal de membros da CPI. Na sessão da comissão desta quarta-feira, 15, deputados e senadores sugerem que a investigação centre os trabalhos na atuação da empresa, a qual seria a responsável pelo esquema de fraudes e desvios de recursos públicos.

O coro à “CPI da Delta”, como sugeriu o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), foi alimentado em especial por parlamentares da oposição ao governo federal, após o depoimento da empresária Roseli Pantoja da Silva. Roseli seria sócia da Alberto & Pantoja, empresa que também faria parte do esquema de Cachoeira, segundo a PF. À CPI, entretanto, Roseli negou ter sociedade na empresa e afirmou que seu nome foi usado indevidamente.

De acordo com dados apresentados por parlamentares, a Alberto & Pantoja recebeu cerca de R$ 30 milhões da Delta nos últimos anos, o que reforçaria a tese de que se trataria de uma empresa fantasma. “A Delta repassava dinheiro, sim, com finalidade criminosa. E essa senhora Roseli Pantoja foi utilizada como parte de uma empresa fantasma. E que seu Carlinhos Cachoeira era um dos beneficiários”, afirmou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), para quem Cachoeira passou a ser “peixe pequeno” no caso.

A Delta aparece nas investigações da Operação Monte Carlo, da PF, que levou Cachoeira à prisão. A construtora foi beneficiária de inúmeros contratos de obras públicas, boa parte deles do governo federal. “Temos que apontar para a cabeça do esquema. E a cabeça é Delta, o senhor Cavendish”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), em referência ao principal acionista da empresa, que se afastou da presidência após o escândalo.

Cavendish deve comparecer à CPI no dia 28, mas deve ficar em silêncio.

Para o deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) destacar a Delta é uma tentativa de mudar o foco da CPI. “Temos que deixar muito claro quem são os agentes públicos que estão por trás do Cachoeira”, afirmou.

Silêncio. Além da empresária Roseli Pantoja da Silva, a CPI tentou ouvir  o ex-presidente do Departamento de Trânsito (Detran) de Goiás, Edivaldo Cardoso de Paula, e Hillner Braga Ananias, ex-segurança do ex-senador Demóstenes Torres. Ambos ficaram em silêncio.  Na sessão dessa terça-feira, 14, a CPI aprovou a reconvocação de Carlinhos Cachoeira, ainda sem data marcada. / Com informações da Agência Senado

Abaixo, os principais momentos da sessão:

13h52 – Hillner Braga Ananias afirma que fará uso do direito de ficar em silêncio. A sessão foi encerrada.

13h50 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP) agradece a contribuição da Roseli Pantoja da Silva e diz que ficou claro que ela não está envolvida no caso. “Vou pedir para a assessoria conversar com a senhora Roseli Pantoja e deixar todos os contatos necessários  para que, se houver qualquer tipo de ameaça, a senhora possa nos avisar.” Agora Paulo Teixeira chama o último depoente, Hillner Braga Ananias, ex-segurança do ex-senador Demóstenes Torres.

13h47 – Para o deputado Ronalda Fonseca (PR-DF) destacar a Delta é uma tentativa de mudar o foco da CPI. “Temos que deixar muito claro quem são os agentes públicos que estão por trás do Cachoeira.”

13h16 – Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP): “Temos que apontar para a cabeça do esquema. E a cabeça é Delta, senhor Cavendish.” “O senhor Cachoeira está bem guardadinho lá na cela da Papuda (penitenciária). Me parece que o senhor Fernando Cavendish deveria estar ocupando uma cela de igual porte. Até já sei o rito que ele deve proceder: deve se escorar no direito constitucional do silêncio.” “Essa CPI, a partir de hj, entra numa fase nova. A fase em relação ao senhor Carlos Cachoeira já está conclusa. Precisa saber agora quem é responsável pelo esquema milionário de desvio do erário público. E todas as investigações até agoram levam à empresa Delta ao senhor Fernando Cavendish.”

13h07 – Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) diz que agora deveria ser feita a “CPI da Delta”, destacando, a exemplo dos últimos parlamentares, o envolvimento da construtora nas investigações da PF e da CPI. “Carlinhos Cachoeira já é caso de Polícia. Daqui mais algum tempo, ele vai ter a sua sentença. E não vai ser leve, não. Vamos olhar a Delta.”

12h52 – Para o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), de acordo com as declarações de Roseli Pantoja da Silva, ficaria configurado que seu nome foi indevidamente usado para fraudar negócios. Deputado também endossa fala do deputado Vanderlei Macris de que o foco da CPI deve ser a construtora Delta. Sugere que as licitações de obras públicas vencidas pela empresa serviriam para abastecer os negócios irregulares, que seriam mascarados com os repasses a empresas fantasmas. A Alberto & Pantoja, por exemplo, segundo dados apresentados pelos parlamentares, teria recebido R$ 30 milhões da Delta. O deputado Domingos Sávio insiste na importância do depoimento do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, cujo depoimento está marcado para o dia 28. “Prende esse cidadão (Cavendish), é isso que nós temos que fazer. Não é Carlinhos Cachoeira só não”, disse o deputado.

12h20 – Deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) critica o fato de a PF não ter verificado dados ou ter feito cruzamento de informações adequadamente sobre possíveis envolvidos. Ele alerta para o papel da Delta no caso, construtora também apontada pela PF como integrante do esquema e responsável por várias obras públicas. De acordo com informações de sigilo fiscal, a Delta teria feito transações volumosas de dinheiro ligadas a empresas fantasma, entre elas a Alberto & Pantoja. “A Delta Repassava dinheiro, sim, com finalidade criminosa. E essa senhora Roseli Pantoja foi utilizada como parte de uma empresa fantasma. E que seu Carlinhos Cachoeira era um dos beneficiários”, diz o deputado, sustentando que Cachoeira passa a ser “peixe pequeno” e a Delta seria a mentora da organização.

12h13 – Parlamentares focam perguntas sobre as relações pessoais e profissionais de seu ex-marido na tentativa de verificar se ele teria ligações com o contraventor ou também possa ter tido o nome usado por pessoas ligadas a Cachoeira. Até o momento, Roseli citou o nome de um possível desafeto.

11h56 – A propriedade de uma das empresas com a qual Roseli teria ligação é também de sociedade de seu ex-marido.  Segundo Roseli, em 2011 ela deu uma procuração ao ex-marido para abrir uma empresa. O senador Álvaro Dias defende que o ex-marido, Gilmar Carvalho Moraes, seja convocado à CPI.

11h54 – Roseli Pantoja: “Não conheço essas pessoas, nunca estive nesses lugares. Não tenho dinheiro. Não pude deixar de pagar uma conta para ter um advogado aqui para me acompanhar”, responde ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ao questionar sobre sua relação com cinco empresas às quais ela seria sócia, segundo o relatório da PF.

11h51 – Roseli explica que não chegou a ir à Polícia Federal e apenas aceitou ir à CPI por ter sido procurada por funcionários do Senado. O relator da CPI não descarta que os dados de Roseli possam ter sido usados para criar empresas fantasmas, no caso a Alberto & Pantoja. “Mostra o nível de complexidade dessa organização criminosa. A empresa Alberto & Pantoja movimentou R$ 60 milhões”, diz o relator.

11h42 – Relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), começa a fazer as perguntas sobre as empresas ligadas a ela. Segundo Rosely, ela tem apenas uma loja de artigos de rock, e afirmou não conhecer Carlinhos Cachoeira. Ela nega ser sócia da empresa Alberto & Pantoja e alerta que seu nome é grafado com ‘i’ e não com ‘y’ como constam nas investigações e o número do CPF relacionado a Rosely Pantoja não é o mesmo que o dela. As informações provocaram risos entre os parlamentares e, na avaliação do relator, pode indicar novas fraudes na formação da empresa ligada a Cachoeira.

11h40 – Empresária Rosely Pantoja começa a falar aos parlamentares. “Não tenho nenhum envolvimento com essa quadrilha. Sei somente que meu nome foi usado e estou aqui para esclarecer”, afirmou.

11h36 – Sem avançar nas discussões, o rito da comissão foi mantido: quando o depoente se recusar a falar, será liberado da sessão. Nesse momento, é aguardada a chegada da empresária Rosely Pantoja, sócia da Alberto & Pantoja Construções, empresa considerada pela Polícia Federal como integrante do esquema de Cachoeira.

11h12 – Em razão do silêncio do depoente, parlamentares voltam a discutir como proceder quando essa prática é usada pela testemunha convocada. A discussão é recorrente, já que boa parte dos convocados fazem uso do direito constitucional de ficar calado. Para alguns parlamentares, a testemunha deveria permanecer na sala e ouvir as perguntas mesmo que se recuse a respondê-las. Outros, no entanto, entendem que isso pouco contribui para a CPI e fere o direito do depoente.

11h07 – O ex-presidente do Departamento de Trânsito (Detran) de Goiás, Edivaldo Cardoso de Paula, é convidado a falar. Ele teria 20 minutos iniciais, mas avisou que permanecerá em silêncio. “Peço que não seja interpretado como forma de menosprezar o trabalho (da comissão)”, afirmou.

10h42 – Parlamentares usam minutos iniciais para discutir requerimentos ainda não aprovados pela comissão que pedem informações de empresas apontadas como integrantes do esquema de Cachoeira e de novas convocações.

10h29 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), abre a sessão.

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