Ex-tesoureiro da campanha de Perillo fica em silêncio na CPI do Cachoeira
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Ex-tesoureiro da campanha de Perillo fica em silêncio na CPI do Cachoeira

Lilian Venturini

22 de agosto de 2012 | 09h31

Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo

Como já era previsto, os dois depoentes convocados para a sessão da CPI do Cachoeira desta quarta-feira, 22, ficaram em silêncio diante da comissão. Entre eles, estava o ex-tesoureiro da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), Jayme Rincón. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), manteve o procedimento adotado até agora, e dispensou os convocados. Até a semana passada, dos 32 depoentes convocados, apenas 13 falaram.

O segundo depoente era Aredes Correia Pires, ex-corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás. Segundo a Polícia Federal, Aredes teria recebido um dos aparelhos de rádio Nextel distribuídos pelo grupo de Cachoeira na tentativa de evitar “grampos” telefônicos. Já sobre Rincón, que convocado outras duas vezes apresentou atestados médicos, pesam acusações de ter recebido dinheiro do grupo de Carlinhos Cachoeira.

Contra Jayme Rincón, a PF afirma que o grupo de Cachoeira depositou R$ 600 mil na conta da empresa Rental Frota Ltda., que tem o ex-tesoureiro como um dos sócios, com 33% de participação. A Rental já confirmou o pagamento, mas diz que se refere à venda de 28 veículos usados. O governador Marconi Perillo também é citado nas investigações, mas negou ter vínculo com Cachoeira.

A CPI não realizará mais sessões nesta semana. Para a próxima, estão previstos os depoimentos do dono da empreitera Delta, Fernando Cavendish, apontado pela PF como integrante do esquema de Cachoeira. O empresário já acionou a Justiça para ficar em silêncio. No mesmo dia de seu depoimento, na quarta-feira, 29, está convocado também o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Ao Estado, ele afirmou que falará à CPI.

Procuradores. Na sessão dessa terça, 21, falaram à CPI os dois procuradores da República que participaram das operações da PF responsáveis por investigar os negócios de Carlinhos Cachoeira. Daniel de Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira defenderam a investigação das relações do esquema do contraventor com a empreiteira Delta Construções. Eles defendem também que a Justiça mantenha sequestro de bens de Cachoeira.

Com Agência Senado

Abaixo, os principais momentos da sessão:

11h07 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerrou a sessão. Nesta semana, a comissão não fará novas reuniões abertas. A próxima está prevista para terça-feira, 28.

10h59 – O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sugere que os parlamentares possam fazer perguntas aos depoentes antes que a presidência da comissão lhe dê o direito à fala inicial de 20 minutos.

10h56 – Deputados repetem discussões das sessões passadas e debatem a mudança do rito das sessões quando os depoentes ficarem em silência. Na última reunião, os parlamentaresm haviam acordado que, mudanças nesse sentido no atual estágio da comissão, atrasariam o andamento do trabalho. Mas quem é contrário à prática de dispensar o depoente sem que os parlamentares façam perguntas, voltou a se manifestar.

10h50 – O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), apresenta assuntos que teria interesse de abordar com os depoentes, em especial com o ex-tesoureiro Jayne Rincón. São questões que indicariam que agentes do governo de Goiás teriam beneficiado empresas ligadas a Carlinhos Cachoeira.

10h42 – Agora é convocado a entrar Aredes Correia Pires, ex-corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, que também fará uso do direito de ficar calado. Apesar das críticas dos parlamentares, o presidente da CPI manteve a prática de dispensar quem manifestasse o desejo de não falar.

10h38 – Jayme Rincón, ex-tesoureiro da campanha do atual governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é convidado a entrar na sala e terá o direito de fazer uso da palavra. “Estou aqui atendendo à convocação dessa CPMI. Atentendo à recomendação técnica do meu advogado, permanecerei calado”, limitou-se a dizer Rincón. Seguindo o rito já usado, o presidente da CPI dispensou o ex-tesoureiro, que já deixou a sessão.

10h30 – Presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), abre a sessão. Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) aproveita início da sessão para pedir a realização de uma reunião administrativa na semana que vem para a votação de novos requerimentos de quebra de sigilo de empresas envolvidas na investigação sobre os negócios de Carlinhos Cachoeira. “Não pode passar da semana que vem, se não não teremos tempo”, diz o senador tucano.

 

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