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CPI do Cachoeira: Operação da PF revelou uma máfia, diz procuradora

Lilian Venturini

21 de agosto de 2012 | 09h32

Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo

A forma de atuação do grupo liderado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira se assemelha a de uma máfia, na avaliação da Procuradora da República Léa Batista de Oliveira. Durante sua fala à CPI do Cachoeira, na manhã desta terça-feira, 21,  a procuradora detalhou as investigações das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, responsáveis pela investigação dos negócios de Cachoeira. O procurador  Daniel Rezende Salgado, que também atuou nas operações, afirmou ser necessário investigar o caminho do dinheiro obtido pelo grupo por meio da exploração de jogos ilegais.

” [A operação] desvelou uma máfia, uma sociedade bem estrutura, mais lucrativa que uma grande empresa, montado para o cometimento de crimes de natureza grave”, disse Léa Batista de Oliveira. A Operação Monte Carlo foi responsável pela prisão de Carlinhos Cachoeira e revelou o envolvimento de agentes públicos e privados em um suposto esquema de jogos ilegais.  em sua fala inicial. “O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas, quando um membro de grupo, com seu silêncio, quer defender o grupo e ser leal ao chefe”, complementou a procuradora.

Na avaliação do procurador Daniel Rezende Salgado, a ineficiência da atuação das autoridades públicas no combate ao jogo ilegal contribui para o grupo manter as atividades. “Para desbaratar de vez essa organização é preciso sufocá-la financeiramente”, completou Salgado, que defendeu a manutenção do confisco dos bens do grupo de Cachoeira, que já totalizam R$ 167 milhões.

Para frustração dos parlamentares, os procuradores não revelaram informações sobre a atuação de agentes públicos e privados ou de políticos no caso. Embora sustentem que há interferência de servidores e policiais no esquema, não detalharam o grau de atuação. Segundo eles, esses dados foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República, responsável por repassar para autoridades competentes e dar sequência ao caso.

Léa Batista de Souza defendeu que, apesar da prisão de Cachoeira, o grupo continua em atuação. Segundo ela, as ameaças sofridas por ela e por outros membros do Judiciário são indícios de que a organização não foi desarticulada.

Cachoeira. Na semana passada, a CPI decidiu reconvocar Carlinhos Cachoeira, mas ainda não marcou data para o novo depoimento. Na primeira vez que foi à comissão, em maio, o contraventor ficou em silêncio. Nesta quarta-feira, 22, estão previstos os depoimentos do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, e o ex-corregedor da Polícia Civil de Goiás Aredes Correia Pires. Rincón foi tesoureiro da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo, e é sócio de empresa que teria recebido R$ 600 mil reais do grupo de Cachoeira.

Com informações da Agência Senado

Abaixo, os principais momentos da sessão:

15h25 – O senador Vital do Rêgo agradece a presença de Léa e Salgado, elogia seu trabalho como procuradores, lembra a importância da CPMI nas investigações e encerra a sessão desta terça-feira.

15h20 – Léa diz que alguns diálogos indicam a relação de Cachoeira com alguns jornalistas. Ela, porém, diz que não pode confirmar a existência da troca de favores entra o contraventor e políticos. Salgado diz que “houve cooptação” de algumas pessoas que poderiam passar informações à população. “Um dos membros da organização teria pagado alguém ligado à imprensa para falar mal do trabalho desenvolvido pela força nacional”, diz o procurador.

15h16 – “Agi em conformidade com a lei, como pode qualquer cidadão brasileiro”. Ele pede que Léa explique melhor a “influência de órgãos de imprensa” e a “troca de favores entre a organização criminosa e outras pessoas”, ambas citadas pela procuradora em seu pronunciamento.

15h14 – Fernando Collor de Melo toma a palavra. O parlamentar diz que fez requerimentos sobre informações das agendas de ambos os procuradores que compareceram nesta terça-feira ao Congresso.

15h11 – Léa detalha o apoio da PF às operações. A procuradora diz que eram poucos, mas que os agentes, membros do MPF e os delegados conseguiram seus objetivos graças a seus esforços pessoais. “Se a estrutura fosse maior, não seria revelada somente a ponta do iceberg”, diz ela, argumentando que tanto a PF quanto o MP precisam de mais agentes e de melhorias em suas estruturas para combater integralmente o crime organizado.

15h07 – Fala agora o delegado Protógenes Queiroz, deputado pelo PC do B de São Paulo. Ele defende que os procuradores tenham sim proteção pelo tempo que seja necessário. “O crime não pode intimidar o poder do Estado brasileiro”, diz

14h56 – Toma a palavra o senador Randolfe Rodrigues. Ele questiona Léa sobre as ameaças sofrida pela procuradora. “Houve alguma investigação policial sobre a tentativa de acesso a sua residência? Foi possível identificar quem tentou entrar no apartamento?”. Ela diz que isso está sendo investigado pela PF, com base nas imagens do circuito interno do prédio onde Léa mora. A investigação é a mesma que dá conta dos emails enviados, mas não há suspeitos sobre quem teria tentado a invasão. Segundo Léa, o invasor é uma senhora, cuja imagem foi registrada pelas câmeras.

14h49 – Ele pergunta se a quadrilha levou o crime organizado a um novo patamar no Brasil, citando até o livro Gomorra, do italiano Roberto Savignano, sobre a máfia italiana. Salgado diz que, segundo o MPF, a quadrilha de Cachoeira é a maior e mais difícil organização criminosa com que trabalharam, porque havia a presença de pessoas envolvidas na segurança pública. “Houve e há notícias de organizações semelhantes em outros Estados que foram desarticulados. Mas na nossa experiência, foi o grup criminoso mais complexo para desarticular”, diz o procurador.

14h43 – Fala agora o deputado Emiliano José. “Essa quadrilha talvez tenha elevado o crime organizado brasileiro a um novo patamar. Seguramente é uma das quadrilhas mais perigosas e articuladas. A quadrilha controlou coronéis, secretários de segurança, jornalistas”, diz.

14h37 – Fala agora o deputado Carlos Sampaio. Ele apenas lembra algumas afirmações feitas na sessão, como a de que “a investigação do braço financeiro é fundamental para quebrar a espinha dorsal do crime organizado”. Sampaio faz parte do MP de São Paulo, mas agora exerce seu cargo como parlamentar.

14h33 – A deputada questiona sobre a segurança daqueles que denunciam os crimes. Salgado diz que houve a quebra de sigilo telemático, o que deu informações sobre a origem dos emails que denunciavam as ações. Segundo o procurados, o Ministério está trabalhando para obter a identidade dos autores. Até o final do mês, é possível que haja informações. Léa lembra que existe, sim, estrutura de segurança, mas não garante as mesmas condições para daqui dois anos.

14h28 – Íris pergunta se houve apoio do governo de Goiás às investigações do Ministério Público visando interromper as ações dos agentes públicos envolvidos o esquema. Segundo Salgado, houve a instauração de procedimentos contra policiais, mas nas investigações em si, não.

14h24 – A deputada Íris de Araújo diz que o Estado de Goiás está “traumatizado” com o caso Cachoeira. Ela questiona se é normal que ocorram “declarações de amor” em ambientes de investigação e se pode ser tomada alguma providência, citando o depoimento de Cachoeira, que disse amar sua esposa. Léa diz que se trata de uma situação inusitada, “um deboche a todas as autoridades presentes e à sociedade brasileira”.

14h19 – O deputado Rubens Cardoso questiona Léa e Salgado sobre os transportes marcados. O parlamentar diz que vai pedir para que as informações da CPI e do Ministério Público sejam compartilhados. Vital do Rego lembra que o compartilhamento já ocorre, assim como as quebras de sigilo.

14h05 – Deputado Vanderlei Macris questiona qual era o papel de Idaberto Araújo, o Dadá, no caso. Como já era sabido, ele é apontado pela PF como o responsável pelo repasse de informações sigilosas ao grupo. “Era um informante que gozava de extrema confiança de Carlinhos Cachoeira porque ele tinha acesso a várias autoridades”, explicou a procuradora.

13h56 – A sessão foi retomada. O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) tem a palavra e pergunta sobre as formas de organização do grupo de Cachoeira.

13h44 – A sessão foi suspensa por 5 minutos.

13h24 – Os parlamentares insistem em perguntar sobre o envolvimento de políticos ou agentes públicos. Os procuradores repetem que esse não era o alvo do trabalho realizado por eles.

13h09 – O senador Fernando Collor aproveita seu tempo para questionar a demora do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para abrir abertura de inquérito no supremo Tribunal Federal, assim que recebeu as informações da PF, em 2009. À CPI, em maio, o procurador-geral informou que o tempo foi o período necessário para dar sequência ao caso.

12h50 – Deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) pergunta qual a avaliação que a procuradora faz sobre a prática de os depoentes ficarem em silêncio e qual sua opinião sobre a estratégia de as testemunhas serem liberadas. “Esse silêncio orquestrado está bem claro pra gente. Na ação penal, esse código de silêncio não vai interferir na condenação porque foi uma investigação muito bem feita, temos filmagens. Eles podem exercer o direito constitucional, mas isso não vai influenciar na ação penal. Esse silêncio orquestrado é típico [desse tipo de organização]. Ninguém quer colaborar”, avalia. Para ela, liberar a testemunha sem fazer perguntas, é uma estratégia válida.

12h38 – O senador tucano Álvaro Dias pergunta se os procuradores poderiam citar nomes de políticos eventualmente envolvidos. “Essa parte não é de nossa atribuição. O que nós fizemos foi apenas isolar esses diálogos [que citem agentes públicos] e encaminhar às autoridades competentes. Não houve qualquer ato de investigação”, respondeu o procurador Daniel Rezende Salgado.

12h32 – Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pergunta sobre a participação da construtora Delta nos negócios de Cachoeira. O procurador Daniel de Rezende Salgado repete que as investigações pouco avançaram nas ligações do contraventor com outras empresas. Há informações de reuniões e encontros, mas nada que possa afirmar com certeza a atuação da Delta. O procurador explica que as investigações em curso mantém o foco na atuação de Cachoeira nos jogos ilegais.

12h27 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), também faz perguntas sobre a menção de governadores de Estado nas investigações. “Todo o material foi encaminhado ao procurador-geral de República”, respondeu o procurador Daniel Rezende Salgado. Agora o deputado abre para perguntas dos demais parlamentares.

12h17 – Segundo o procurador, o Ministério Público Federal pediu pena superior a 30 anos para Carlinhos Cachoeira. O tempo é resultado da soma de todos os crimes pelos quais o contraventor é acusado. O procurador não quis precisar qual o período exato da pena solicitada. De acordo com a lei atual, no entanto, se condenado, Cachoeira ficaria no máximo 15 anos preso. Atulamente, o contraventor está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, desde fevereiro.

12h10 – A procuradora explica que o material das operações que mencionassem a participação de agentes públicos e privados não foi avaliado em profundidade. Segundo ela, o trabalho ficou focado nas pessoas diretamente ligadas às atividades da organização comandada por Cachoeira. O teor desse material foi encaminhado para CPI e precisaria ser melhor avaliado.

11h57 – O relator pergunta para onde o dinheiro obtido com os jogos eram enviados. Mas o procurador afirma que esse caminho não foi aprofundado nas investigações das quais eles participaram. “Nosso trabalho está focado nisso, de se quebrar a espinha dorsal financeira”, explicou Daniel Rezende Salgado. Segundo ele, o vazamento de informações das investigações dificultou o avanço dos trabalhos sobre essa questão.

11h46 – Procurador relata trabalhos que foram feitos para tentar evitar o vazamento de informações da investigação por próprios membros da Polícia Federal.

11h33 – O procurador Daniel Rezende Salgado afirma que a ineficiência das autoridades públicas no combate aos jogos ilegais contribui para a manutenção das práticas de grupos como o de Carlinhos Cachoeira. Salgado já concluiu sua fala. O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG) fará perguntas.

11h28 – Procurador relata dificuldades da realização das investigações em razão da participação de policiais no grupo de Cachoeira, o que obrigou antecipar a divulgação dos resultados obtidos antes de se aprofundarem nas investigações de outros envolvidos no esquema.

11h20 – Procuradora Léa Batista de Oliveira conclui sua fala e agora terá a palavra o procurador Daniel Rezende Salgado. Ele adianta que o trabalho por eles desempenhado foi focado na atividade do grupo ligado a Cachoeira, em especial da exploração dos jogos ilegais.

11h16 – Para a procuradora, Carlinhos Cachoeira ampliou os negócios de jogos ilegais e usava laranjas para viabilizar as práticas. Policiais civis, militares e federais teriam sido cooptados pelo grupo para transferirem informações importantes que pudessem impedir a atuação do grupo. “A quadrilha dispunha também de armamentos (…) para sedimentar seu domínio territorial”, afirmou, lembrando que mesmo após a prisão de Cachoeira a atividade não cessou. Léa Batista relembrou as ameaças que recebeu.

11h12 – Procuradora relata informações das investigações da Operação Monte Carlo: “[A operação] desvelou uma máfia, uma sociedade bem estrutura, mais lucrativa que uma grande empresa, montado para o cometimento de crimes de natureza grave. Ficou clara de existência de uma estrutura hierarquizada com distribuição da renda entre os membros. (…) E para se perpetuar por anos a fio, a atividade criminosa conectou-se a agentes de Estado”, disse a procuradora afirmando que agentes federais, estaduais e municipais tinham participação.

11h02 – Os dois procuradores entram na sala onde é realizada a sessão. Falará primeiro a procuradora Léa Batista de Oliveira.

10h56 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), abre a sessão.

 

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