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Conselho convida marido de Jaqueline Roriz e deputados já defendem colega

Armando Fávaro

04 de maio de 2011 | 16h23

Eduardo Bresciani, do Estadão.com.br

O Conselho de Ética da Câmara aprovou um convite para que Manoel Neto, marido da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), preste depoimento sobre o caso. Manoel Neto está junto com Jaqueline no vídeo de 2006 em que ela aparece recebendo um pacote de dinheiro de Durval Barbosa, o delator do mensalão do DEM. A sessão teve ainda as primeiras defesas públicas da parlamentar no Conselho. Os deputados Mauro Lopes (PMDB-MG) e Wladimir Costa (PMDB-PA) fizeram pronunciamentos questionando a investigação.

Mauro Lopes foi o mais enfático. Para ele, o caso deveria ser arquivado pelo fato de ter sido anterior ao mandato. “Estamos mexendo com coisa que não é da nossa competência. Ela era cidadã comum, então não é caso de decoro parlamentar. Ela não cometeu esse ato, não nos compete entrar nesse mérito”. Wladimir Costa foi na mesma linha levantando dúvidas sobre a possibilidade de o Conselho julgar a colega.

O relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), lembrou que o tema será tratado em seu relatório como preliminar. Ele destacou que até agora nenhum caso semelhante chegou a ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sampaio disse ainda estar levantando informações sobre o tema.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal, também reagiu às declarações dos colegas. Ele lembrou que antecedentes criminais são analisados para candidatos a concursos públicos. Wladimir Costa ironizou o colega afirmando que quando ele voltasse à Polícia Federal deveria atuar como corregedor porque “tem muito neguinho bronqueado na Polícia Federal”.

A defesa de Wladimir Costa também abarcou a acusação de uso irregular de verba indenizatória pela deputada. Ele questionou que se o Conselho fosse entrar neste mérito teria que também chamar o deputado Tiririca (PR-SP), que foi flagrado usando recursos da Casa para pagar estadia em um resort. Tiririca devolveu o dinheiro gasto após a denúncia.

O convite a Manoel Neto é mais uma tentativa de avançar na investigação. É o marido da deputada quem esconde o dinheiro na mochila. Como é convidado, porém, Manoel Neto não é obrigado a comparecer. O requerimento teve os votos contrários de Wladimir Costa e Mauro Lopes.

Na semana passada, Durval Barbosa recusou o convite para depor. Ele disse temer um complô para constrangê-lo e afirmou que o vídeo é “autoexplicativo”. O relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirmou que o depoimento de Durval é detalhado e que sua ausência no Conselho não trará grandes danos à investigação. Mesmo assim, diversos parlamentares reclamaram da ausência e voltaram a questionar o benefício de delação premiada que Durval tem.