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Com apoio do Planalto, Gustavo Fruet (PDT) é eleito em Curitiba (PR)

Redação

28 de outubro de 2012 | 22h54

Leonencio Nossa, enviado especial a Curitiba

O advogado Gustavo Fruet (PDT), aliado de última hora do Planalto, foi eleito prefeito de Curitiba. Ele obteve 60,65% dos votos válidos e Ratinho Júnior (PSC) ficou com 39,35%. A vitória do ex-tucano que deixou o PSDB por divergência com o grupo do governador Beto Richa é o grande trunfo da ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann para a disputa pelo governo do Estado em 2014.

Visto nos últimos dias como o maior derrotado no processo eleitoral no Paraná, o governador Beto Richa demonstrou, no entanto, fôlego inesperado na abertura das urnas em outras três grandes cidades do Estado, onde aliados venceram petistas em disputas voto a voto – Edgard Bueno (PDT) derrotou Professor Lemos (PT) em Cascavel, Pupin (PP) venceu Enio Verri (PT) em Maringá e Marcelo Rangel (PPS) ganhou de Péricles (PT) em Ponta Grossa. Em Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), que contou com apoio dos petistas no segundo turno, venceu Marcelo Belinati (PP), outro aliado de Richa.

O governador minimizou a derrota em Curitiba, seu principal reduto eleitoral, uma situação incômoda numa disputa considerada como prévia das próximas eleições. Do total de 1,1 milhão de eleitores, Fruet foi escolhido por 597 mil, enquanto o adversário teve a preferência de 387 mil. Os votos brancos totalizaram 25 mil e os nulos, 44 mil. Richa disse que os resultados no Paraná foram “extremamente positivos”. Já a ministra Gleisi observou que o PT conseguiu avançar no Estado. “A presença dos nossos aliados no segundo turno já é uma vitória”, avaliou.

A aliança dos petistas com o PDT de Fruet foi costurada por Gleisi e pelo marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Em entrevista pela manhã, a ministra observou que essa parceria começou na eleição de 2010, quando o PT apoiou Osmar Dias (PDT) para o governo estadual. A meta do grupo, agora, é manter a aliança para a disputa de 2014. “Agora, é trabalhar pela aproximação”, disse Fruet ao chegar acompanhado de Gleisi e Paulo Bernardo para votar numa faculdade privada da cidade.

O ex-tucano fez questão de lembrar que o PSDB nacional foi avisado com antecedência de sua saída do partido, no ano passado, depois que o grupo de Richa deixou claro que apoiaria a reeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB), que não chegou ao segundo turno. “O (José) Serra e o Aécio (Neves) sabem da minha história”, afirmou Fruet. “Aqui, não tem convenção. Só existe uma comissão provisória que define candidaturas.” A mágoa maior, no entanto, era com o Ibope, que afirmou no primeiro turno que Ducci seria o concorrente de Ratinho no segundo turno. “Eu não fiquei surpreso com o resultado no primeiro turno. Quem ficou foi o Ibope. Eu fiquei apenas emocionado.”

Fruet avaliou como “maldosos”, “criminosos” e “covardes” os ataques dos adversários no primeiro e no segundo turno que tentaram associá-lo ao envolvidos no escândalo do mensalão. Santinhos com imagens de Fruet e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foram impressos pelos adversários, ressaltando a aliança do candidato com os petistas. Por outro lado, Fruet passou semanas tentando explicar a aliança com um partido que combateu no tempo em que atuou como deputado federal na CPI dos Correios, em 2005, criada para investigar corrupção no governo. “Essa foi uma tentativa de encontrar contradição na minha candidatura”, afirmou. “Tentaram nacionalizar uma eleição que era local”, completou. “As intrigas nacionais não atingiram a província.”

Pela manhã, Ratinho Júnior disse em entrevista que foi vítima de “preconceito” por não pertencer a uma família tradicional da cidade. “Sofri muito com o conservadorismo de Curitiba, pelo apelido que tenho e por não pertencer à família tradicional”, afirmou. O apresentador do SBT Ratinho, pai do candidato, deixou para votar à tarde. Ele não escondeu a “mágoa” pela desconstrução da imagem do filho pelos adversários.

 

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