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Cogitado para a secretaria de igualdade racial, Paulo Paim quer mudanças no trato a quilombos

Redação

23 de janeiro de 2012 | 13h27

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

O senador gaúcho Paulo Paim (PT) acredita que está na hora de se promover mudanças nas ações da  Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Seppir). “É preciso dar uma chacoalhada”, recomenda o petista, cuja atuação parlamentar é focada na defesa dos direitos dos aposentados e dos negros. Ele é o autor do projeto de lei que resultou na criação do Estatuto da Igualdade Racial.

“Não sou de fazer crítica a ministro”, ressalva. “Mas acho que está na hora de parar um pouco com seminários e palestras e dar ao ministério uma visão mais ampla, de baixo para cima, com maior atenção aos  quilombos, que, em muitos lugares, ainda são verdadeiras favelas.”

Procurado pelo Estado para falar sobre a divulgação de informações segundo as quais seu nome estaria sendo cogitado para a Seppir, substituindo a ministra Luiza Bairros (PT-BA), ele diz que até agora não foi consultado por ninguém. “Fico surpreso e, ao mesmo tempo, orgulhoso com essa informação. Mas é só o que posso dizer. O PT não me procurou. Nem o governo.”

Se for procurado, ele vai pensar muito antes de responder. “O meu principal compromisso são os quase quatro milhões de eleitores que me elegeram para o Senado. Trabalhei para aprovar a criação da Fundação Palmares e da Seppir, apresentei o projeto do Estatuto da Igualdade Racial, mas também tenho uma ligação muito forte com a defesa dos aposentados e dos servidores públicos.”

Ao detalhar o que seria a “chacoalhada” que preconiza para a Seppir, ele diz: “O ministério deveria focar mais a realidade do povo negro. As áreas de quilombos precisam de mais escolas, mais cursos técnicos, mais centros de formação. É preciso criar oportunidades para que os filhos tenham um lugar ao sol.”

O senador se baseia na sua experiência de vida. “Após concluir o curso primário, ingressei no Senai,  tornando-me  metalúrgico e ferramenteiro. O curso mudou o rumo da minha vida.”

Na avaliação dele, a Seppir precisa ser comandada por alguém capaz de impulsionar o debate, no interior do governo e fora dele sobre  os grandes problemas que afetam a população negra: “Estamos falando de um povo historicamente discriminado. O Brasil nunca será um país de primeiro mundo enquanto discriminar parcelas de sua população, como os negros e os índios.”

Paim é amigo da presidente Dilma Rousseff desde quando começou sua atuação como dirigente sindical, no Rio Grande do Sul, há quase 30 anos. Essa não foi a primeira vez que ele criticou as ações do comando da Seppir. No final do ano, antes de seu nome ser mencionado nas especulações sobre sucessão ministerial, ele já havia usado a expressão “chacoalhar” em entrevista ao site de informações e debates Afropress.

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