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Candidatos mostram cautela e evitam confronto em coletivas após debate

Armando Fávaro

30 de outubro de 2010 | 02h34

André Mascarenhas

A impressão de que os candidatos à Presidência José Serra, do PSDB, e Dilma Rousseff, do PT, fizeram do último debate da campanha eleitoral um encontro burocrático e sem o confronto de idéias ganhou força após as coletivas concedidas ao fim da transmissão desta noite. Apesar da previsão de que responderiam às perguntas dos jornalistas por cinco minutos, ambos apelaram para a mesma estratégia: se apresentaram com discursos prontos de exaltação do formato proposto pela TV Globo, e evitaram no que puderam entrar em polêmicas com os adversários.

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Última a subir no púlpito montado na sala de imprensa, Dilma nem mesmo abriu a sessão para perguntas. Alegando incômodo causado pela torção que sofreu no pé há cerca de um mês, a petista encerrou a coletiva em menos de três minutos. “Peço a compreensão de vocês porque eu fiquei de pé uma hora e meia, quase duas, e eu diria a vocês que meu pé está um tanto quanto robusto”, disse ela, para em seguida se retirar da sala.

Antes, Dilma elogiou a humanização das questões nacionais proporcionada pelo debate. Os temas, segundo ela, ganharam “carne, osso e sentimentos” com as perguntas dos eleitores indecisos.  “Eu acho que isso é muito importante, principalmente porque o presidente da República, ele tem de tratar da vida real, concreta, das pessoas. Não de números, e nem de entidades abstratas que não dizem respeito ao cotidiano e nem à experiência de vida de cada brasileiro e cada brasileira”, disse a petista. “A gente fecha, eu acho, que com chave de ouro este momento”, acrescentou.

A conclusão de seu oponente não foi muito diferente. Para Serra, o encontro desta noite foi “um espetáculo da democracia”. O tucano também parabenizou a participação dos eleitores, que para ele saem mais esclarecidos do encontro. “Um debate livre, as pessoas perguntando, milhões e milhões assistindo, e iluminando mais suas mentes a respeito da decisão que devem tomar no domingo”, comemorou. Para ele, o debate abordou as principais questões nacionais. “Nós praticamente tratamos de quase tudo que é importante no Brasil de hoje”, disse.

Alternância. Ao contrário de sua adversária, o candidato do PSDB extrapolou o tempo estipulado pela para a coletiva. Ainda assim, optou pelo mesmo formato da petista, fazendo um pronunciamento antes de responder às perguntas dos jornalistas. Atrás nas pesquisas, Serra aproveitou o momento para se dizer confiante na vitória. “Eu tenho muita esperança e muita confiança de que a gente pode levar o Brasil para diante na segurança, na saúde, na educação e na direção de uma economia forte, sólida”, disse.

O tucano também introduziu um novo elemento de apelo ao eleitor: a necessidade democrática de alternância de poder. “Eu creio que outra beleza da democracia é precisamente essa possibilidade de alternância no poder. Nós temos uma equipe de governo que já esteve lá oito anos, que já sofreu seus desgastes, desenvolveu vícios, cansaço, fadiga de material”, afirmou.

Questionado sobre qual seria a crítica ao governo federal, ele preferiu não polemizar. Disse considerar a discussão de escândalos envolvendo seus adversários importante, mas classificou o momento como inoportuno. “Eu já falei bastante. Ao invés de a gente ficar num debate centrado em temas, seria voltar atrás para outros debates. Certamente muito importantes e muito esclarecedores. A população já sabe”, afirmou. “Pra mim campanha é uma coisa prazerosa. Campanha pra mim é dizer a verdade, é apresentar as idéias, é interagir com as pessoas.”

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